
domingo, 18 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
That's it
Remember when I told you I didn't know how this thing worked? It was true. It is true. Can you see it now? Are you patient enough to teach me? Can you do it very slowly so I can send all my fears away? They live inside of me, so you have to be patient. That's it. This is me.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Eu peço
O silêncio entre todas as coisas que você diz
o silêncio do que você pensou
o silêncio do seu sono
o silêncio
seu
o silêncio do que você pensou
o silêncio do seu sono
o silêncio
seu
Rainny days
Se fossem pequenas pedrinhas no lugar de gotas, todo mundo estaria morto, de tão forte que estava a chuva. O guarda-chuva já não resolvia mais. Entrou no carro correndo, e sentiu um alívio profundo ao ganhar a proteção do teto. Durou pouco, o alívio. O carro era velho, e devia estar com o teto furado, pois ela ainda podia sentir a chuva. Ao chegar em casa, sentia goteiras em todo lugar, já não sabia mais o que fazer. Nem tomou banho, se enfiou nas cobertas e dormiu. Com muita dificuldade, ela dormiu. Não foi o sono que a aliviou da chuva. Quando ela dormiu, a chuva continuou no sonho. Ela estava apenas começando, iria durar mais do que se dura uma chuva. Era uma chuva dela.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Treze de julho
Você surgiu antes de mim. Não duvido nada que tenha tomado conta daquele lugar escuro onde eu me escondia. Não duvido nada que tenha cantado para mim antes mesmo de eu nascer. Eu não duvido nada que você tenha me ensinado a amar, logo que eu cheguei.
Esse é para Carolina
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O seu livro
Eu posso ficar completamente brava, ou encantada com alguém, não importa. É sempre a mesma resposta que ela me dá (e eu prefiro ouvir isso quando encontro pessoas terríveis, me dá um certo alívio), ela diz:
- É só mais um capítulo para o seu livro.
- É só mais um capítulo para o seu livro.
Livros e paradas de mão
Ele pediu para ela abaixar o volume e para explicar porque ela fazia paradas de mão na grama. Ela não tinha a menor idéia. Mas é bom, ela dizia. Tenta! Ele ficou deitado na rede, imóvel, lendo o livro. Era um livro interessante, mas não a interessava naquele momento. O que a interessava naquele momento era o interesse dele, que parecia desinteressado com tudo, menos o livro. Os dois passaram a tarde envoltos em seus mundo diferentes. Tão diferentes que para mudar de um mundo para o outro seria preciso viajar de avião. Por horas e horas. E mesmo assim, talvez nunca se chegasse ao mundo do outro.
Direção
Na volta, parecia que a gente estava indo em direção ao pôr-do-sol, e estávamos mesmo indo porque é isso que se faz a vida toda. Eu fiquei aliviada de ver que ao meu lado estava ele. É ele, eu pensei. Acho que eu finalmente o encontrei.
Capítulo doze ou treze
Eu e a Carol tínhamos ciúmes de tudo naquele acampamento. Do refeitório bagunçado, dos beliches rabiscados, do pebolim, do palco cheio de placas com recados carinhosos. Aquilo tudo era só nosso e de mais ninguém. Então, depois de algumas semanas, meu pai ligou e disse que a Mariana estava chegando. Eu e a Carol entramos em desespero. Como se alguém fosse ocupar nosso reinado, como se alguém fosse tomar tudo aquilo da gente. Passamos então a avisar todo mundo que a Mariana era uma chata dissimulada. Que ela era sem graça, que era fresca e não tinha nada a ver com o acampamento. Todo mundo ficou esperando receber a Mariana que avisamos que estaria chegando. Não deu outra: ela chegou e imediatamente todo mundo, dos mais pequenos aos adolescentes mandões, se apaixonou por ela. Não houve uma pessoa dali que não disse que ela era a pessoa mais linda, engraçada e fofa que existia. No dia seguinte eu tive cólicas e ela passou a tarde toda cuidando de mim.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Uma das tantas hipóteses
Ando descobrindo que talvez a saudade não seja algo direcionado a alguma coisa ou a alguém. Talvez seja um troço que se aloja no corpo, e às vezes come um pouquinho da gente.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
My heart alone
Esse meu coração...
Nunca posso deixá-lo sozinho.
Ele se confunde com a chuva,
ele se confunde com a neve (que nem existe por aqui).
O meu coração sozinho faz desgraças.
Ele se despedaça inteiro,
só para me magoar.
Depois para consertá-lo dá o maior trabalho,
se um dia eu conseguir.
Nunca posso deixá-lo sozinho.
Ele se confunde com a chuva,
ele se confunde com a neve (que nem existe por aqui).
O meu coração sozinho faz desgraças.
Ele se despedaça inteiro,
só para me magoar.
Depois para consertá-lo dá o maior trabalho,
se um dia eu conseguir.
domingo, 4 de julho de 2010
Butterflies in the stomach
I feel the urgent need to talk with a lower voice,
because we might scare the butterflies away,
and I want them to live in my stomach forever.
O seu amor que come laços
Às vezes eu fico te ouvindo falar e começo a lembrar um monte de poesia que eu gosto. Veja se você não pensaria nessa poesia do João Cabral de Melo Neto (um trecho):
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Só quero que entendas
Seu passado faz parte dos seus olhos, da sua risada, do seu nariz. Eu não ligo para ele, até gosto de tudo que ele te fez. Te fez uma mistura de coisas que eu procurava em lugares diferentes. Tem a dose certa de abraço (nem mais, nem menos), tem o doce exato no beijo e tem uma bobeirinha que te faz rir de mim, quando espero ouvir sua risada. As pessoas que caminharam no seu peito, e o deixaram do tamanho que ele é, não podem ter o meu desgosto, que faço do seu peito o meu jardim. Não se assuste com a minha cara de surpresa, quando vejo o seu passado em fotografia. Eu não me sinto dolorida e nem menor. É que o passado é uma coisa tão abstrata, fere os olhos ele assim, tão exposto na minha frente. Guarde o seu passado nos seus olhos, na sua risada e no seu nariz, não deixe que eu veja o rosto que ele tem.
Já não sinto medo de (quase) nada
Eu nunca tive nenhuma coragem como estou tendo agora, deitada aqui no seu ombro.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Todo o frio que sentes
Nem todo o frio que sentes
é culpa desse inverno.
Pode ser que parte dele
seja do inverno passado,
que ainda gela em ti.
domingo, 27 de junho de 2010
Beleza tua
Não queria ser bela para ter atenção quando passo,
nem ser bela para capa de revista.
Tampouco para que a beleza facilite certas coisas.
Não queria ser bela para qualquer um que vê.
Eu queria ser bela,
para que os seus olhos ficassem mais calmos
cada vez que pousassem sobre o meu rosto.
Para que os seus dedos deslizassem no meu corpo, tranquilamente.
Para que você nunca tivesse pressa comigo.
Para que você ficasse mais em paz, só de me olhar passando.
Eu queria ser uma obra de arte, mas só no seu museu silencioso.
Queria ser de uma beleza invisível para os homens, mas incrível para você.
Queria ser tão bela quanto a sua música preferida,
eu queria caber nas cores do seu desenho de criança.
Eu queria ter um rosto que te lembrasse todos os lugares lindos que você já passou.
Mas eu queria também ter um olho bem atento,
só para ficar olhando você viver.
nem ser bela para capa de revista.
Tampouco para que a beleza facilite certas coisas.
Não queria ser bela para qualquer um que vê.
Eu queria ser bela,
para que os seus olhos ficassem mais calmos
cada vez que pousassem sobre o meu rosto.
Para que os seus dedos deslizassem no meu corpo, tranquilamente.
Para que você nunca tivesse pressa comigo.
Para que você ficasse mais em paz, só de me olhar passando.
Eu queria ser uma obra de arte, mas só no seu museu silencioso.
Queria ser de uma beleza invisível para os homens, mas incrível para você.
Queria ser tão bela quanto a sua música preferida,
eu queria caber nas cores do seu desenho de criança.
Eu queria ter um rosto que te lembrasse todos os lugares lindos que você já passou.
Mas eu queria também ter um olho bem atento,
só para ficar olhando você viver.
Para GB
sábado, 26 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Para onde foi a manhã?
Onde está aquela manhã que deveria acontecer?
A manhã que deveria fazer a noite se calar.
(E a noite não se cala.)
Onde está essa manhã que não veio?
Haverá algum fuso horário atrapalhando a sua chegada?
Alguma estrela entupindo a passagem?
Algum cemitério escondendo manhãs que morrem sem nascer?
Quem esconde a minha manhã de sol forte,
ou mesmo de chuva e tempo frio?
Não vejo manhã nenhuma, nessa noite que não termina,
nessa escuridão que é o meu peito por dentro.
Aquela manhã que há anos espero,
que há anos deve me esperar também,
aquela manhã que deveria clarear o dia,
que deveria pôr os girassóis a girar,
para onde foi que não a vejo chegando?
Há anos que minha vida é uma noite interminável,
sempre a espera de uma manhã.
A manhã que deveria fazer a noite se calar.
(E a noite não se cala.)
Onde está essa manhã que não veio?
Haverá algum fuso horário atrapalhando a sua chegada?
Alguma estrela entupindo a passagem?
Algum cemitério escondendo manhãs que morrem sem nascer?
Quem esconde a minha manhã de sol forte,
ou mesmo de chuva e tempo frio?
Não vejo manhã nenhuma, nessa noite que não termina,
nessa escuridão que é o meu peito por dentro.
Aquela manhã que há anos espero,
que há anos deve me esperar também,
aquela manhã que deveria clarear o dia,
que deveria pôr os girassóis a girar,
para onde foi que não a vejo chegando?
Há anos que minha vida é uma noite interminável,
sempre a espera de uma manhã.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Ave do nepal
Ganhei este poema de presente. E amei. Obrigada...
Olhos de pessoa leve
pássaro de seda
raio de cristal
pousam em uma cabeça
feito nave errante
num voo arrasante
ave do nepal
pássaro de seda
raio de cristal
pousam em uma cabeça
feito nave errante
num voo arrasante
ave do nepal
guardiã do paraíso
pérola de fogo
ave do sinal
fez um sonho de grafite
que cegou nos olhos
de um louco mortal
ave do nepal
segunda-feira, 21 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Urgência de ser
Me desculpe estar correndo tanto com tudo.
Tenho pressa, tenho muita pressa.
Acho que tudo pode acabar no próximo instante.
Tenho pressa para viver tudo neste instante agora,
quero aprender tudo que couber no agora.
Rápido, antes que esse agora acabe,
e logo já seja outro agora.
No próximo agora, tudo pode ser menos interessante.
Eu posso morrer de calor, ou de frio,
posso achar tudo tão triste quanto antes.
Tenho pressa para aproveitar esse agora que é meu,
o próximo agora pode já não ser.
Tenho pressa, tenho muita pressa.
Acho que tudo pode acabar no próximo instante.
Tenho pressa para viver tudo neste instante agora,
quero aprender tudo que couber no agora.
Rápido, antes que esse agora acabe,
e logo já seja outro agora.
No próximo agora, tudo pode ser menos interessante.
Eu posso morrer de calor, ou de frio,
posso achar tudo tão triste quanto antes.
Tenho pressa para aproveitar esse agora que é meu,
o próximo agora pode já não ser.
sábado, 19 de junho de 2010
Apertado
Sinto saudade e não sei do quê,
porque não é saudade, é dor.
porque não é saudade, é dor.
Deve ser eu mesma,
que não caibo dentro de mim.
Fica apertado
o espaço de dentro,
e dói.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Aquela lua
Ele reparou tanto na lua,
e me mostrou tão cheio de orgulho,
como se fosse dele, aquela lua.
Eu acreditei que era dele,
e acabei pegando emprestada.
e me mostrou tão cheio de orgulho,
como se fosse dele, aquela lua.
Eu acreditei que era dele,
e acabei pegando emprestada.
This is not
Ouvindo uma música que não era de amor,
eu não quis te abraçar, mas você me abraçou bem no ritmo
not a love song
me abraçou tanto
I'm changing my ways
Eu fui cedendo, no ritmo
this is not
Quando fui ver, no meio da música que não tinha nada de amor,
eu me entreguei, assim, entregue.
This is not a love poem, you should know.
eu não quis te abraçar, mas você me abraçou bem no ritmo
not a love song
me abraçou tanto
I'm changing my ways
Eu fui cedendo, no ritmo
this is not
Quando fui ver, no meio da música que não tinha nada de amor,
eu me entreguei, assim, entregue.
This is not a love poem, you should know.
terça-feira, 15 de junho de 2010
A timidez da felicidade

O ideal é manter a discrição. Não fazer muito alarde. Porque a felicidade, se ela se dá conta que ficou demais em um lugar só, ela vai embora, tímida que é. O ideal é disfarçar, ir pouco a pouco levando a felicidade consigo na discrição. Dizem por aí que há pessoas que conseguiram burlar a timidez da felicidade, e a carregaram para o resto da vida.
Tanta coisa importante
Uma vez, um professor meu me mostrou um quadro e me falou que aquele era Gustav Klint. Meus pais me mostraram nomes de passarinhos, de flores, de sentimentos e de pessoas importantes. Amigos me mostraram coisas proibidas, palavrões e um monte de coisa legal. E os namorados então! Já tive tanto namorado, cada um me ensinou uma coisa. Teve um que me ensinou até a fazer carinho em cachorro bravo. A gente aprende tanta coisa nessa vida. As pessoas adoram ensinar coisas, é tão curioso. A minha irmã me ensinou a ter nojo de carpete, porque existem muitos ácaros e bactérias morando em todos os carpetes. Isso eu nunca gostaria de ter aprendido. E eu digo tudo isso porque saudade não se aprende com ninguém. Você sente um troço estranho, pergunta para a sua vó o que é aquilo e ela logo deduz que é saudade do papai e da mamãe, que foram viajar. Assim a gente conhece a saudade (claro que pra cada um é de um jeito diferente). Eu já a conhecia, é claro, afinal basta sobreviver para sentir saudade de ontem. Acontece que eu sempre achei um tremendo de um blefe quando alguém dizia que sentia saudade de uma pessoa que acabara de partir. Sempre achei aquilo exagerado. Um dia, eu conheci um garoto de olhos amarelos e pintinhas. Eu não achava que ele iria me ensinar algo tão importante, mas ele me ensinou que a gente pode sentir saudade um segundo depois que uma pessoa parte. Ele nem sabe disso, e por favor não conte, mas ele anda me ensinando tanta coisa importante, do tipo que livro nenhum ensina.
domingo, 13 de junho de 2010
Quem poderá dizer?
Eles deram as mãos e começaram a caminhar. Objetos caíam da estante, lençóis rasgavam, incêndios aconteciam. Era só olhar os lados para ver, mas eles não viram nada. Eles mantiveram as mãos dadas - na verdade eles mantiveram as mãos entregues, e foram andando. Até onde foram, quem poderá dizer, se eles continuam caminhando por aí?
Licença Poética
Eu ponho ponto final onde eu quiser. Eu tiro vírgulas de onde eu quiser tirar, Eu escrevo em minúsculas, e eu faço um desenho no meio do papel também se eu quiser. é assim, porque eu acho que assim fica lindo. Porque um dia eu ouvi uma música que me lembrava o perfume de um beijo que eu dei. Eu escrevo, escrevo, e ponto final;
Pétalas de rosas
Que eu enjôo de tudo é verdade. Mas como é que eu posso enjoar de algo que vive me surpreendendo?
sábado, 12 de junho de 2010
Ainda não passou
Hoje é o dia mais frio do ano, dizem especialistas. Eu já tive dias bem mais frios este ano, hoje até que está ameno. O frio não passou pelo meu fim de tarde ainda.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
As cascas de lugares novos
Eu logo tracei um perfil dela: estudiosa, perfeccionista (e por isso um pouco chata) e honesta. Dele eu não pude dizer muita coisa, porque ele ficou o tempo todo gastando energia tentando ser legal. Preferia ter visto o rosto verdadeiro, mas não consegui. E tiveram as outras pessoas, observei-as uma a uma, traçando todos os perfis bem detalhados. Eu simplesmenete adoro quando o tempo passa e eu me descubro completamente enganada sobre todo mundo, é o que eu mais gosto. As pessoas usam cascas, vestem máscaras e gastam bastante energia diária tentando ser outras coisas, mas é infalível: vem o tempo e mostra tudo. Fico pensando, o que será que vêem em mim e na minha casca?
Pergunta à ninguém
Todas as pessoas do mundo foram condenadas a algum dia sentir saudade até o corpo todo doer?
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Esmagadores de sonhos
Já tive sonhos que foram brutalmente esmagados. Hoje eu sonho em segredo, para ninguém esmagar os meus sonhos.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Olhos cor do sol
Eu nem vi o sol daquela manhã, e nem vi de que cor estava o mundo. Nem vi se chovia também. Tanto faz, tanto faz. Os seus olhos tem a cor do sol, e foi só essa cor que eu vi.
Se você voltou
Fiquei esperando de chinelos calçados, mas achei melhor tirá-los. Depois de um tempo, achei melhor parar de esperar também. Depois de muito tempo, acabei dormindo. Se você voltou e se deitou ao meu lado, eu não sei, eu estava dormindo.
Você nem imagina
Aquela pousadinha guarda histórias que você nem imagina. Justo aquela pousadinha bem ali na esquina. Pessoas acordaram sem saber onde estavam, pessoas não voltaram para dormir lá, pessoas se conheceram no corredor. Pessoas tomaram café da manhã lembrando da noite anterior, pessoas fizeram tanta bagunça que foram expulsas daquela pousadinha. Sim, bem aquela pousadinha ali, naquele lugarzinho tão fora de mão. Sabe, há pessoas sendo felizes em todos os cantos, você nem imagina.
Pernas balançando
Eu sinto como se todo tempo os dias ficassem me esperando, sentados, com um pouco de pressa. Pernas balançando, me reprovando e aprovando algumas vezes. Os dias conseguem ser bastante cruéis, e eu só quero saber o que será deles, se um dia eu me sentar e esperar por eles.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
just wondering
So unstable, the thoughts are. They come and go all the time, without any commitment with anything, they might even vanish and no one will be able to keep it from happening. They do vanish all the time, but sometimes they come back. Me, I loose myself easily when I'm with you, within the buttons of your shirt, within the words you say that make me smile. And when I begin to think I might be traveling somewhere, I see a portrait in your shelf of a smile that does not have any similarity with mine. I imediately remember exactly where I am. My doubts never let me loose myself for very long. And the thoughts? Well, they are as unstable as they could be, soon I will be thinking about something else.
domingo, 30 de maio de 2010
A água que sou

Se eu estiver contaminada, me perdoe.
Só quero que você me tome, gole por gole.
Estou metade cheia, metade vazia, neste copo em cima da mesa.
Eu quero ser parte do seu organismo, enquanto eu não evaporo.
Por favor, tome esse meu gole, experimente o meu gosto.
Se eu estiver contaminada, peço perdão.
Eu só espero que você não beba a metade vazia do copo.
Só quero que você me tome, gole por gole.
Estou metade cheia, metade vazia, neste copo em cima da mesa.
Eu quero ser parte do seu organismo, enquanto eu não evaporo.
Por favor, tome esse meu gole, experimente o meu gosto.
Se eu estiver contaminada, peço perdão.
Eu só espero que você não beba a metade vazia do copo.
Quase parando
Eu já não acredito mais nessa intensidade toda, nessa pressa, essa urgência. Elas são de uma triste efemeridade, ninguém sabe ao certo por que isso acontece se não é feito para durar, não assim. Quando caem as pétalas de uma flor, eu nem pergunto nada, isso pode acontecer. Vai entender a lógica desse quebra-cabeça... Eu não tento mais entender, pra mim tanto faz. Só estou fazendo a minha parte para que você me acerte. Devagar, quase parando.
Aqui vai o meu clichê pra você:
Eu sei que tudo pode não ser
que tenho tudo a perder
a qualquer instante, por qualquer motivo
sei que daqui a pouco nenhum de nós pode estar mais vivo
mas enquanto isso
É você,
é você que me faz viver.
que tenho tudo a perder
a qualquer instante, por qualquer motivo
sei que daqui a pouco nenhum de nós pode estar mais vivo
mas enquanto isso
É você,
é você que me faz viver.
Para GB.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Disfarce
É possível mesmo que um dia eu ainda mude de nome. Enquanto isso não acontece, eu me escondo de outros jeitos.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Nem lembro
Eu já nem lembro mais como era há dois segundos atrás, quando eu não acreditava que pessoas podiam de fato preencher vazios.
Volver
Ela solta a mão dele e vai embora. Ele não sabe para onde, não sabe se ela volta, mas a espera. Esperar é sempre difícil, mas às vezes vale a pena, ele pensa. Ela não olha para trás, nem para ver se ele ainda sorri, nem para conferir se o deixou no lugar certo, do jeito certo. Ele chega a coçar a cabeça na espera, porque fica amargurando, pensando em coisas que não deveria pensar. Os dias passam e ela volta. Ele se levanta para recebê-la de pé, ela corre para abraçá-lo e ele não sabe se haverá boca para tanto sorriso.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Nove horas
Meu amor, ainda não são nove horas, nós podemos ficar.
Mas eu quero ir embora daqui, agora.
Vamos, já são quase nove horas e alguém vai chegar.
Eu não sei para onde ir, e agora?
Ainda não são nove horas e ninguém tem pressa, pode sentar.
Eu não sei que horas são, posso me atrasar.
É melhor eu ir embora, está ficando tarde demais e alguma coisa pode quebrar.
Eu preciso sair daqui, mas não sei se devo ficar.
Tudo tem seu tempo, e o meu tempo é agora.
Meu amor, eu acho que já são nove horas.
Mas eu quero ir embora daqui, agora.
Vamos, já são quase nove horas e alguém vai chegar.
Eu não sei para onde ir, e agora?
Ainda não são nove horas e ninguém tem pressa, pode sentar.
Eu não sei que horas são, posso me atrasar.
É melhor eu ir embora, está ficando tarde demais e alguma coisa pode quebrar.
Eu preciso sair daqui, mas não sei se devo ficar.
Tudo tem seu tempo, e o meu tempo é agora.
Meu amor, eu acho que já são nove horas.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Sinal
Sete luzinhas no teto.
Um livro com uma dedicatória,
um monte de papéis velhos,
coisas velhas escritas,
pessoas que passaram,
sorrisos paralisados,
bagunças, detalhes, coisas.
-Bem vinda, ele disse sem dizer uma palavra.
Esse é o meu mundo, e esse sou eu. Aquela ali com o cabelo na cara é você, ocupando um certo espaço no porta-retrato.
Eu não me assustei.
Pela primeira vez eu não me assustei.
Como quando eu aprendi sobre a saudade efêmera em dias comuns, eu não me assustei.
Eram sete luzinhas no teto do quarto e mesmo que coisas antigas estivessem escritas em papéis velhos, e mesmo que houvessem coisas que ainda não foram jogadas fora, eu era a oitava luzinha no teto. Por isso eu não me assustei.
Um livro com uma dedicatória,
um monte de papéis velhos,
coisas velhas escritas,
pessoas que passaram,
sorrisos paralisados,
bagunças, detalhes, coisas.
-Bem vinda, ele disse sem dizer uma palavra.
Esse é o meu mundo, e esse sou eu. Aquela ali com o cabelo na cara é você, ocupando um certo espaço no porta-retrato.
Eu não me assustei.
Pela primeira vez eu não me assustei.
Como quando eu aprendi sobre a saudade efêmera em dias comuns, eu não me assustei.
Eram sete luzinhas no teto do quarto e mesmo que coisas antigas estivessem escritas em papéis velhos, e mesmo que houvessem coisas que ainda não foram jogadas fora, eu era a oitava luzinha no teto. Por isso eu não me assustei.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Naked
I only like to talk about myself when it's really dark. That way you cannot see what I am wearing, I cannot see what you are wearing and deep inside, we are all naked.
De passagem
Não precisa se levantar
Nem precisa me oferecer nada
Nem se preocupar, nem se mexer
Não precisa de nada na verdade
Estou só olhando
Estou de passagem.
Nem precisa me oferecer nada
Nem se preocupar, nem se mexer
Não precisa de nada na verdade
Estou só olhando
Estou de passagem.
sábado, 15 de maio de 2010
50 copos
Naquela noite, ela pensou como ele estaria. O que ele estaria fazendo e se ele estaria sozinho. Ela ficou tentada a mandar um telegrama bem urgente perguntando onde ele estava, mas ficou apenas tentada, não teve coragem de escrever nenhuma letra. Passou a noite toda tentando juntar velhos pedaços para ver se conseguia entender coisas que nunca havia entendido, mas em vão. As lembranças não tinham continuidade e eram pedaços confusos demais. Pelo menos ninguém saiu ferido, ela pensou, foi um adeus silencioso. Ela queria saber se ele estava sozinho olhando por aquela janela branca, ou talvez com os pés apoiados naquela mesa cara. Era mesmo uma mesa bonita. E os 50 copos? Ela nunca se esqueceu que ele, morando sozinho, havia comprado 50 copos de vidro para deixar na cozinha. Onde ele estaria, o que estaria fazendo? A última vez que se viram, ele estava estressado e parecia meio abatido, foi o último retrato dele que ficou em sua mente. Será que um dia ele aprende a não ser tão distante do mundo, ela pensou.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Gosto
Que gosto é esse na minha boca? Não é o seu beijo e nem o beijo de ninguém. Não é o gosto do medo, esse gosto eu conheço bem. Náo é saudade, não é coragem e nem desgosto. Não é nada que eu conheça. Já se passaram tantos anos desde que o homem começou a dar nomes para todas as coisas, eu penso se todos os sentimentos já foram nomeados. Esse gosto, esse sentimento, acho que ninguém deu nome. Eu não sinto fome, não sinto dor, não sei o que é. Não tenho medo dessa vez. Acho que é gosto do tempo passando. Tem nome sentir o tempo passando?
E veio se deitar comigo
Fazia frio, e todo mundo parecia tão frio quanto o tempo, mas talvez isso fosse apenas a minha impressão. Eu me cobri com cobertores pesados, com agasalho de lã (de repente, me dei conta de como a lã parecia algo tão antigo, um pouco melancólico), fechei as janelas, as cortinas, e me escondi em minha cama. Me sentia protegida, embora continuasse precisando de qualquer coisa. Quis dormir, quis sonhar, quis encontrar pessoas nos meus sonhos e quis ficar bem quietinha naquele silêncio familiar. Não houve jeito, eu não pude: ela me encontrou. A tristeza chegou de fininho e veio se deitar comigo naquela noite de frio intenso.
sábado, 8 de maio de 2010
Sinais da chuva

Eu não sei se é tempo de ficar ou ir embora, mas escolhi ficar.
Ouço a chuva caindo, e lembro daquela aula na faculdade, quando me disseram que a chuva nos filmes é sinal de mudança. Sempre penso nisso quando chove, será que a vida também faz sinais subliminares? E se não captarmos eles, e se não captarmos um sinal que diga que é melhor não ficar? Recebo convites e discretamente os rejeito. Não tenho vontade de aceitar mais nada, finalmente acho que estou no lugar certo. É uma combinação de sorte, destino e distração. Eu, distraidamente aceitei os seus convites por achá-los leves. Por sorte foi tudo leve de fato, e pelo destino e escolha minha, aqui eu fiquei.
Enquanto isso, chove lá fora, acho que é sinal de mudança.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Ponto de Luz
Já não se pode mais falar de pôr do sol ou de tardes vermelhas,
não se pode mais falar de dor ou do prazer de estar aqui.
Já não se escutam mais silêncios ou barulhos invisíveis,
não se escuta mais nada.
-Nada que importe.
Não se vendem mais giz de cera, só monitores gigantes,
e tudo bem se as cores forem esquecidas, só o azul das notas.
Eu não sei para onde ir nesse lugar,
não cabe poesia aqui,
não fazem mais as minhas músicas.
O mundo, que costumava girar tão normal, já nem sabe mais para onde ir.
Está tudo tão esquecido, ninguém se lembra que tudo começou de um ponto de luz.
Todo mundo perdeu o ponto de luz
de dentro de si.
não se pode mais falar de dor ou do prazer de estar aqui.
Já não se escutam mais silêncios ou barulhos invisíveis,
não se escuta mais nada.
-Nada que importe.
Não se vendem mais giz de cera, só monitores gigantes,
e tudo bem se as cores forem esquecidas, só o azul das notas.
Eu não sei para onde ir nesse lugar,
não cabe poesia aqui,
não fazem mais as minhas músicas.
O mundo, que costumava girar tão normal, já nem sabe mais para onde ir.
Está tudo tão esquecido, ninguém se lembra que tudo começou de um ponto de luz.
Todo mundo perdeu o ponto de luz
de dentro de si.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
In Wonderland... Or right here?
Alice
I wonder if I've been changed in the night? Let me think. Was I the same when I got up this morning? I almost think I can remember feeling a little different. But if I'm not the same, the next question is 'Who in the world am I?' Ah, that's the great puzzle!
I wonder if I've been changed in the night? Let me think. Was I the same when I got up this morning? I almost think I can remember feeling a little different. But if I'm not the same, the next question is 'Who in the world am I?' Ah, that's the great puzzle!
Alice in Wonderland
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Passagens por aqui
Passaram por aqui algumas pessoas. Todas delas tiveram parte. Eu tive parte nelas também, mas é difícil dizer. Algumas pessoas negam, ou até preferem não lembrar. Eu não. Eu lembro a todo instante das pessoas que passaram por aqui. Foi com elas que aprendi a ouvir logo quando vem alguém chegando. Aprendi a ouvir quando essa pessoa terá uma parte pequena, uma parte grande, ou se será uma dessas pessoas que gostam mesmo é de passar. Ouço alguém chegando, e eu sei. Eu sei que é alguém que talvez náo tenha parte não, me parece que é alguém que vai ter tudo. Se eu ouvi direito, é alguém que eu vou carregar no peito. A gente nunca sabe essas coisas ao certo, acho que é melhor eu colocar o meu vestido mais bonito.
A paz que você me deu

Dizem que para olhar o mar é preciso silêncio.
Mas o que talvez ninguém perceba é que silêncio se faz com o mar.
O mar faz o silêncio da praia.
As ondas batendo na areia calam todas as vozes, todos os passos, todos os sons.
A praia fica muda, nasce uma certa paz.
Uma paz secreta, meio escondida.
Não se escuta nada, tudo fica parecendo um pedaço do céu,
aquele céu que nos prometem desde o começo.
Aquele céu que nos prometem, ele existe na praia.
Naquela praia, naquele dia na praia,
naquele beijo que você me deu, na praia, perto do mar em silêncio.
Para G.B.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O que não tem nos livros
Eu preferia que você me ensinasse sobre o que eu não sei. Eu sei tão pouco, mas o que eu já sei não me interessa mais. Quero aprender, quero aprender mais e mais, e tudo que eu quero de você, é que você me ensine.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Não gosto de casa vazia
Não vá embora dessa vez. Fique para tomar mais um ou dois goles, mais um copo. Fique porque o filme ainda não acabou, fique. Vamos, fique para me contar mais alguma bobagem qualquer que nem me importa. Fique porque eu não gosto de casa vazia. Eu não gosto de abrir a porta para niguém sair a essa hora da noite. Vamos, fique aqui. Você nem precisa ir embora, você nem tem mentira nenhuma para contar amanhã, é melhor ficar. Não vá embora dessa vez, eu não aguentaria.
domingo, 25 de abril de 2010
Ressaca
Como suportar o dia seguinte da vida? O que significa esse aperto, é um aperto? A vida passando por entre os dedos, como se não fosse nada demais... Esses furacões diários, como é que a gente sobrevive? Como é que se chama essa ressaca de viver? Essa ressaca de dor de saudade, o que é que eu faço com isso? Eu não sei esperar o dia seguinte de hoje. Eu não sei sobreviver a perspectiva do fim do dia, e quando o dia seguinte chega, eu não sei o que fazer com ele. É assim mesmo que se vive, sem nem saber como sobreviver?
segunda-feira, 19 de abril de 2010
The best things in the world
Aquela distância
Você tinha cara de quem ia me ensinar muita coisa. Realmente, eu aprendi coisa ou outra. Claro que você não me convenceu que Radiohead é a melhor banda de todos os tempos, nem que Lars Von Trier é uma delícia de se assistir, mas me ensinou a não esperar nada. Quando eu ganho uma coisinha ou outra, eu lembro de você e daquela distância no sofá.
domingo, 18 de abril de 2010
o ato de enlaçar-se
Eu gosto de enlaçar meu braço no seu pescoço e olhar o seu sorriso enquanto eu o faço. É quase automático, ele surge no seu rosto e é possível que você nem perceba. Talvez seja por isso que eu goste de você, você é tão distraído.
o velho medo
Vez ou outra acordo num susto. É aquele velho medo de estar viva. Todo mundo sabe que eu tenho isso. Parece loucura, mas é muito sã. Eu tenho medo de estar viva, porque morrer parece fácil. Puff, acabou. Estar viva é uma coragem. Os sonhos me apavoram. Digo sonhos desses de alcançar. Apavoram porque podem vir amanhã, ou podem nunca vir. E tem também as perdas. Dia se ama, dia não. E se eu amar, mas de repente não amar mais? Não foi de repente que do silêncio fez-se o pranto? E se meu barulho também virar pranto? E se? Lá vou eu questionar tudo. É o medo, quando se tem esse medo todo que eu tenho, tudo parece uma grande bobagem, tudo parece faz-de-conta, não é possível que nada disso seja real. Será que quando se realiza um sonho, no dia seguinte se continua vivendo? Como é a vida após o sonho? Ela existe?
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Houve um momento
Ele tinha uma boca de cigarro e café. Alguma coisa de noites mal dormidas, e aquilo tirava um pouco da beleza e da poesia do seu rosto doce, já não tão doce. Ele criava um ar de distância, algo que fazia com que ela sentisse a necessidade de levantar dali. Mas não. Tinha outra coisa também, alguma coisa no olhar dele que a convidava a continuar sentada. O olhar vencia. Dava uma vontade de se aproximar, de explorar toda aquela solidão que ele exalava. E diante daqueles pensamentos todos, ela acabou por dizer: preciso ir, até amanhã. Ele abraçou-a com uma força que talvez lhe fosse comum (mas é claro que ela achou que a força era só para ela) e disse: até. Mais nada, ele não disse mais nada. Mal sabiam que aquilo, aquele breve instante, fora deles.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Penteie o cabelo
Não se esqueça de pentear o cabelo antes de dormir
talvez assim você se lembre de mim
foi para isso que eu deixei os meus fios no seu pente.
talvez assim você se lembre de mim
foi para isso que eu deixei os meus fios no seu pente.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Novamente
Quantas vezes eu já te vi antes?
E todas as vezes que te encontro, são para me despedir.
Adeus, adeus. Espero que seja feliz.
E no entando, nada muda, tudo fica igual.
Você não parte, eu fico aqui,
e lá vamos nós nos despedir novamente.
E todas as vezes que te encontro, são para me despedir.
Adeus, adeus. Espero que seja feliz.
E no entando, nada muda, tudo fica igual.
Você não parte, eu fico aqui,
e lá vamos nós nos despedir novamente.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Midnight thought
Bom mesmo seria nunca ter de me perguntar se eu deveria ter feito diferente. Vou fazer diferente e talvez não reste perguntas, porque mesmo se der errado, eu vou esquecer o motivo, mas vou lembrar de ter tentado.
domingo, 4 de abril de 2010
Caio Fernando Abreu de hoje:
"Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo."
Uma tristeza bonita que não acaba mais

Eu escolhi dar risada porque é muito mais fácil, não nego.
Escolhi deixar que todos riem de mim (ou comigo, tanto faz)
e assim todos ficarão bem distraídos.
Vou disfarçando a morte que acontece o tempo todo.
Vou disfarçando o amor se desfazendo dentro de mim.
Disfarço a poesia que trago.
Disfarço o cansaço, o desespero, a agonia e o medo.
Ah, o medo. Principalmente o medo. O medo de tudo.
Até chega a parecer que vejo o mundo engraçado, mas é mentira.
É puro disfarce.
Eu vejo o mundo em fotografias preto-e-branco,
numa tristeza bonita que não acaba mais.
O mundo é uma espécie de espelho quebrado,
é um troço esquisito que eu estou descobrindo, não sei o que é,
mas me apavora ficar nele sozinha por muito tempo.
E quando eu dou risada, eu me protejo disso tudo.
Eu finjo que sou maior que essa tristeza toda,
eu finjo e acabo acreditando.
Mas não é sempre assim, claro.
Há dias em que alguém segura na minha mão,
ou alguém precisa de mim para um abraço,
e é claro que a risada acontece tão verdadeira.
Há músicas, imagens, crianças e muitas piadas engraçadas.
Mas a graça é tão efêmera... E eu me escondo.
Ninguém sabe que eu deixo tanto amor escapar.
Todo dia o amor me escapa.
Ninguém sabe que eu tenho vontade de ser menos eu.
Às vezes eu só finjo, às vezes eu só minto.
Há de chegar o dia em que eu não vou mais precisar me proteger,
há de chegar esse dia.
segunda-feira, 29 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Nove bilhões
Todos os dias me acompanha um tormento
de dor, de saudade, de ansiedade
Que será dos meus dias? Que será do que foi?
O que vai me restar, quando nada restar?
Dói a vida brotando, nova
Dói ficar sozinha por um segundo
E neste segundo, não ter ninguém
Mas logo alguém grita de longe, que alguma coisa aconteceu
Um assassinato, um nascimento, uma vitória ou uma derrota
Coisas acontecem a todo instante
Novas flores brotam no chão, enchentes encharcam o mundo
Eu, sozinha, nunca estou sozinha
O mundo inteiro não passa de uma solidão de nove bilhões de pessoas.
de dor, de saudade, de ansiedade
Que será dos meus dias? Que será do que foi?
O que vai me restar, quando nada restar?
Dói a vida brotando, nova
Dói ficar sozinha por um segundo
E neste segundo, não ter ninguém
Mas logo alguém grita de longe, que alguma coisa aconteceu
Um assassinato, um nascimento, uma vitória ou uma derrota
Coisas acontecem a todo instante
Novas flores brotam no chão, enchentes encharcam o mundo
Eu, sozinha, nunca estou sozinha
O mundo inteiro não passa de uma solidão de nove bilhões de pessoas.
Diálogo
-Estou tão cansada de sofrer, não quero mais amar.
-E o que lhe resta então, é continuar sofrendo.
-E o que lhe resta então, é continuar sofrendo.
quinta-feira, 25 de março de 2010
De repente, outro mundo
De um dia para o outro
de repente se acorda
se acorda para o mundo
que, de um dia para o outro,
é um outro mundo.
de repente se acorda
se acorda para o mundo
que, de um dia para o outro,
é um outro mundo.
terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Canto de cisne
Chore porque eu não te amo,
ou chore porque te deixei.
Chore com a música
que já não é nossa,
ou chore com o som
dos meus passos partindo.
Chore com o meu silêncio
do outro lado da linha.
Chore porque eu já não sou sua,
chore, eu peço, chore por mim.
Seu sorriso me dói demais.
ou chore porque te deixei.
Chore com a música
que já não é nossa,
ou chore com o som
dos meus passos partindo.
Chore com o meu silêncio
do outro lado da linha.
Chore porque eu já não sou sua,
chore, eu peço, chore por mim.
Seu sorriso me dói demais.
Nem precisa ser poeta
Nem precisa ser poeta
e nem o és
mas a poesia vem
todo dia
com cada palavra
que pronuncias.
e nem o és
mas a poesia vem
todo dia
com cada palavra
que pronuncias.
Há quem diga
Há quem diga que foi de propósito,
há quem diga que foi sem querer.
Haverá sempre alguém para dizer,
nem sempre alguém para ouvir.
E pra mim nem importa.
Pode ser que sim, pode ser que não.
A data vai ficar marcada,
a ausência vai ficar marcada,
O motivo eu já esqueci.
há quem diga que foi sem querer.
Haverá sempre alguém para dizer,
nem sempre alguém para ouvir.
E pra mim nem importa.
Pode ser que sim, pode ser que não.
A data vai ficar marcada,
a ausência vai ficar marcada,
O motivo eu já esqueci.
A B.C.
terça-feira, 16 de março de 2010
Pata de quatro patas
Sonhei com você hoje. Foi rápido o sonho, porque era uma soneca no meio da tarde.
Você estava linda com uma calça jeans (acho que eu nunca te vi de jeans) e me apresentava para o seu novo namorado. Ele era meio mala, falava demais, e era meio prepotente. Você sorria e achava ele o máximo. De repente, você começava a se dar conta de que ele não combinava com você e começávamos a rir bem gostoso. Eu e você bem cúmplices, como já fomos um dia, como estamos sendo agora. Você tão longe, e mesmo assim eu consegui sentir a sua risada. Eu quis te contar, porque você me sorriu numa soneca no meio da tarde, e eu estou te sorrindo agora.
Você estava linda com uma calça jeans (acho que eu nunca te vi de jeans) e me apresentava para o seu novo namorado. Ele era meio mala, falava demais, e era meio prepotente. Você sorria e achava ele o máximo. De repente, você começava a se dar conta de que ele não combinava com você e começávamos a rir bem gostoso. Eu e você bem cúmplices, como já fomos um dia, como estamos sendo agora. Você tão longe, e mesmo assim eu consegui sentir a sua risada. Eu quis te contar, porque você me sorriu numa soneca no meio da tarde, e eu estou te sorrindo agora.
Te amo e sinto sua falta.
domingo, 14 de março de 2010
Se quiser
Se quiser partir,
vá agora.
Se quiser ficar,
vá ficando aos poucos.
Não me avise,
não conte a ninguém,
vá ficando
a cada dia
devagar
até ocupar todo o espaço
que era vazio.
vá agora.
Se quiser ficar,
vá ficando aos poucos.
Não me avise,
não conte a ninguém,
vá ficando
a cada dia
devagar
até ocupar todo o espaço
que era vazio.
segunda-feira, 8 de março de 2010
4/4
Eu tinha quatro vidas.
Perdi duas,
por aí,
Tão à toa...
A terceira eu perdi,
porque foi preciso.
A última que me resta,
é tão escassa,
tão curta,
tão pequena,
tão à toa, por aí,
que eu cuido bem,
para nunca me faltar vida.
Perdi duas,
por aí,
Tão à toa...
A terceira eu perdi,
porque foi preciso.
A última que me resta,
é tão escassa,
tão curta,
tão pequena,
tão à toa, por aí,
que eu cuido bem,
para nunca me faltar vida.
Ou em pensamento
Há um modo certo de agir,
um modo bem simples.
Dizer coisas baixinho,
Mostrar gratidão,
(uma gratidão qualquer).
Há um modo certo, que é fácil de acertar.
É só andar devagarzinho,
com muita pressa.
É só ter uma urgência diária,
mas aguentar com força.
Mas é preciso,
(muito preciso mesmo)
lembrar de chamar o meu nome,
-todos os dias
nem que seja baixinho,
ou em pensamento.
um modo bem simples.
Dizer coisas baixinho,
Mostrar gratidão,
(uma gratidão qualquer).
Há um modo certo, que é fácil de acertar.
É só andar devagarzinho,
com muita pressa.
É só ter uma urgência diária,
mas aguentar com força.
Mas é preciso,
(muito preciso mesmo)
lembrar de chamar o meu nome,
-todos os dias
nem que seja baixinho,
ou em pensamento.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Pena capital
Morreu a vontade, morreu a coragem, morreu o desejo, morreu a atração, morreu o carinho, morreu a memória, morreu a urgência, morreu a necessidade, morreu o tesão, morreu, morreu, morreu. E a morte, embora tão abundante, passou despercebida.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Desvio
Porque hoje é um dia qualquer,
eu não lembrei de você.
eu não lembrei de você.
-Só um pouquinho, enquanto voltava pra casa.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Mortais
Quais são as coisas que matam?
O amor? A solidão? A tristeza?
Nada disso mata, disse a minha mãe.
Quem sou eu para duvidar?
O que mata de verdade, disse o meu pai,
é deixar-se morrer cada vez que deparamos
o amor, a solidão, a tristeza.
O amor? A solidão? A tristeza?
Nada disso mata, disse a minha mãe.
Quem sou eu para duvidar?
O que mata de verdade, disse o meu pai,
é deixar-se morrer cada vez que deparamos
o amor, a solidão, a tristeza.
As irmãs
Sobre como você deveria ter lido aquele livro
Você deveria ter lido aquele livro da Clarice que eu te dei. Você ia me entender melhor. E talvez até se entender melhor. Você era o Ulisses e eu era a Lóri, mas sem o final bonito.
Eu tive bastante

Dizia o Drummond que de tudo fica um pouco. O que ficou dessa vez? De mim em ti, de ti em mim? Ficou um pouco de tristeza talvez? Um pouco de desânimo, um pouco de cansaço? Ficou em mim um pouco de vontade, por não ter tido o bastante. Queria saber o que ficou em você, nos seus olhos azuis. No seu peito tão cheio de coisas escondidas de mim. No meu peito quase vazio ficou um espaço maior. De tudo fica um pouco, e de pouco eu tive bastante.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Suspiros na chuva
Enquanto chove eu sei que um monte de gente morre, eu sei que ruas alagam, casas são destruídas, pais demoram para voltar para suas casas e mais outras complicações tantas. Acontece que eu só consigo imaginar a sua alegria com tantas poças d'água para passar com o carro. A água passa por lugares que nunca seriam molhados antes, eu fico imaginando ela entrando pelos cantos do carro, você me dizia.
Não sei
Tem também alguns dias que eu passo o dia todo pedindo desculpas. Sem perceber. Me pedem licença, desculpa. Me falam até logo, desculpa. Me dizem adeus, obrigada, por favor e eu sempre digo perdão. Como um personagem da Clarice, estou quase pedindo perdão por ocupar o meu espaço no mundo. Esse mundo que não é meu. Deve ser de outra pessoa, não sei.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
mais, menos etc.
Depois de acreditar que eu poderia valer um milhão
Seu olhar barato não mais me engana
Não aceito menos
do que tudo que você tiver
Seu olhar barato não mais me engana
Não aceito menos
do que tudo que você tiver
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Vigésimo segundo andar
Tenho medo de chegar, e ser tudo escuro demais.
De fazer aquele eco que as salas vazias fazem.
De subir rápido demais as escadas, e ficar sem fôlego para dizer oi.
Tenho medo, muito medo de não haver nenhum vaso de flor.
É possível que o sofá seja alto demais e eu não consiga me sentar.
É possível também que eu pise forte demais no chão e os vizinhos de baixo reclamem.
E se o elevador parar? E se a janela não abrir?
E se eu estiver com medo de não saber mais te amar?
De fazer aquele eco que as salas vazias fazem.
De subir rápido demais as escadas, e ficar sem fôlego para dizer oi.
Tenho medo, muito medo de não haver nenhum vaso de flor.
É possível que o sofá seja alto demais e eu não consiga me sentar.
É possível também que eu pise forte demais no chão e os vizinhos de baixo reclamem.
E se o elevador parar? E se a janela não abrir?
E se eu estiver com medo de não saber mais te amar?
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
E fica por isso mesmo
Você é tão secreto e tão misterioso que toda vez que os seus olhos sorriem, eu imagino se eles estarão sorrindo para mim... Mas eu não sei.
acho, apenas.
Não consegui desenvolver a idéia direito, mas acho que há quatro muros em volta de mim. Não sei de que material, não sei de onde vieram, por que estão ali. Como disse, não consegui desenvolver a idéia direito.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Eu acabo sempre
Eu não sei fazer poesia
escrevo sempre do mesmo
Eu não sei pra onde vou
e acabo sempre aqui
Qual a graça de ser eu
se não há outra opção?
Sou sempre eu
com outra cor de cabelo.
Às vezes falta alguém
algures
pra me dizer qualquer coisa.
Eu não sei fazer poesia
e escrevo mesmo assim
eu não sei recomeçar
e acabo sempre no fim.
escrevo sempre do mesmo
Eu não sei pra onde vou
e acabo sempre aqui
Qual a graça de ser eu
se não há outra opção?
Sou sempre eu
com outra cor de cabelo.
Às vezes falta alguém
algures
pra me dizer qualquer coisa.
Eu não sei fazer poesia
e escrevo mesmo assim
eu não sei recomeçar
e acabo sempre no fim.
Tu me olhavas
Passei os dias distraída, tirando fotos de tudo em volta.
Quando voltei para revelar as fotos,
vi que tu me olhavas.
Tu me olhavas em todas as fotos que eu, distraída, tirei.
Eu procurava alguém que me olhasse daquele jeito,
mas eu estava distraída.
Alguém me olhavas, e era tu.
Mesmo que eu não tenha percebido a tempo,
mesmo que o tempo já tenha passado,
mesmo que o teu olhar já não seja mais aquele,
tu me olhavas.
Quando voltei para revelar as fotos,
vi que tu me olhavas.
Tu me olhavas em todas as fotos que eu, distraída, tirei.
Eu procurava alguém que me olhasse daquele jeito,
mas eu estava distraída.
Alguém me olhavas, e era tu.
Mesmo que eu não tenha percebido a tempo,
mesmo que o tempo já tenha passado,
mesmo que o teu olhar já não seja mais aquele,
tu me olhavas.
Quarta-feira de muitas cinzas
Tem um troço no meu peito que quando eu chego em casa começa a gritar. Ele pede para que eu cuide dele. Pede sossego, pede calma e pede um pouco de solidão. Tem um troço que fica me perguntando para onde eu quero ir, para onde estou indo, o que eu quero fazer. Me deixa! Me larga! Mas ele não larga. Ele às vezes me incomoda tanto, quero vomitar para fora. Mas eu não sei como. Então eu escuto, em silêncio. Eu escuto e espero. Até respeito (acho que ele exige o meu respeito). Esse troço, eu acho que é o resto de mim que sempre sobra.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Quatro no dia oito
1- O que eu mais quero na vida
(ou talvez só neste momento agora)
é escrever poemas
poemas e mais poemas
para alguém
em papeizinhos coloridos
e mais nada,
mais nada.
2- Às vezes (um monte delas)
eu digo não alto (ou baixo mesmo)
e tudo que eu quero dizer é sim, um milhão de vezes
até os meus dentes caírem da boca.
3- Eu dou risada alto
só para esconder o meu medo
mas todo mundo sabe disso.
4- hapiness can be written through a very, very sad song.
(ou talvez só neste momento agora)
é escrever poemas
poemas e mais poemas
para alguém
em papeizinhos coloridos
e mais nada,
mais nada.
2- Às vezes (um monte delas)
eu digo não alto (ou baixo mesmo)
e tudo que eu quero dizer é sim, um milhão de vezes
até os meus dentes caírem da boca.
3- Eu dou risada alto
só para esconder o meu medo
mas todo mundo sabe disso.
4- hapiness can be written through a very, very sad song.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
I cannot say it
But my heart does not know what happened.
So he sends me these beautiful thoughts,
he tells me to remember you at all times,
he tells me to think of you at the beach,
at the mardi gras, during the solitude of the nights.
And it is not my fault, because he does not know what happened.
I try to tell him, but he does not listen.
Perhaps you should tell him. I can not.
So he sends me these beautiful thoughts,
he tells me to remember you at all times,
he tells me to think of you at the beach,
at the mardi gras, during the solitude of the nights.
And it is not my fault, because he does not know what happened.
I try to tell him, but he does not listen.
Perhaps you should tell him. I can not.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Presos no peito
Não vou dizer o que eu sinto.
Você não vai saber de minha boca.
O que eu sinto é muito peito para pouco coração,
é muita veia para pouco sangue,
é talvez vazio demais.
O que eu sinto não vou dizer,
é muito mais do que eu posso aguentar,
-e talvez eu nem aguente.
O que eu sinto não é por você,
e é muito maior que tudo isso.
Não posso dizer, você não entenderia.
Talvez corresse de medo
Talvez ficasse para me salvar.
Mas eu acabaria te salvando afinal,
não ia dar certo.
Não posso falar o que sinto,
seria necessária muita voz, e eu mal consigo suspirar.
Aliás, o que eu sinto é isso:
tenho todos os suspiros do mundo
presos no peito.
Você não vai saber de minha boca.
O que eu sinto é muito peito para pouco coração,
é muita veia para pouco sangue,
é talvez vazio demais.
O que eu sinto não vou dizer,
é muito mais do que eu posso aguentar,
-e talvez eu nem aguente.
O que eu sinto não é por você,
e é muito maior que tudo isso.
Não posso dizer, você não entenderia.
Talvez corresse de medo
Talvez ficasse para me salvar.
Mas eu acabaria te salvando afinal,
não ia dar certo.
Não posso falar o que sinto,
seria necessária muita voz, e eu mal consigo suspirar.
Aliás, o que eu sinto é isso:
tenho todos os suspiros do mundo
presos no peito.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Primeiro de fevereiro de mil novecentos e oitenta e sete
sábado, 30 de janeiro de 2010
Sou eu que estou aqui
Sou eu, sou eu que estou aqui, não vês?
Por que não me abraças com os teus braços bem fechados,
por que não chamas meu nome alto, para que eu possa ouvir?
Sou eu que estou aqui, tu me conheces, sou eu.
Sou eu como sempre fui.
Por que me tratas como uma estranha,
Por que não beijas os meus lábios como um dia fizeste tão bem?
Como podes caminhar ao meu lado e não segurar a minha mão para atravessar a rua?
Sou só eu. Sou só eu que estou aqui.
Estou aqui para que me ames, para que me abraces e me leves contigo.
Estou aqui porque me chamastes um dia.
Acho que sei por que não vens.
Acho que sei por que não chamas o meu nome,
por que não olhas nos meus olhos, por que não respondes o meu chamado.
Acho que sei, enfim.
Não vens, porque sou eu que estou aqui,
Só eu.
Por que não me abraças com os teus braços bem fechados,
por que não chamas meu nome alto, para que eu possa ouvir?
Sou eu que estou aqui, tu me conheces, sou eu.
Sou eu como sempre fui.
Por que me tratas como uma estranha,
Por que não beijas os meus lábios como um dia fizeste tão bem?
Como podes caminhar ao meu lado e não segurar a minha mão para atravessar a rua?
Sou só eu. Sou só eu que estou aqui.
Estou aqui para que me ames, para que me abraces e me leves contigo.
Estou aqui porque me chamastes um dia.
Acho que sei por que não vens.
Acho que sei por que não chamas o meu nome,
por que não olhas nos meus olhos, por que não respondes o meu chamado.
Acho que sei, enfim.
Não vens, porque sou eu que estou aqui,
Só eu.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Learn something everyday
Today I have learned that taking your watch off does not make the time stop.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Máscaras de oxigênio cairão automaticamente
Não sei como dizem exatamente nos aviões. Algo como: "Puxe uma das máscaras, coloque-a sobre o nariz e a boca ajustando o elástico em volta da cabeça, e depois auxilie os outros caso necessário." Primeiro é preciso que você respire e sobreviva, para que depois você possa ajudar quem quer que esteja ao seu lado a sobreviver também. Essa é a lei dos aviões em turbulência. Essa é a lei de qualquer turbulência. Sobreviva antes de tentar salvar o outro.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Sobre as diferenças
"Existem coisas que eu gosto e você não gosta, existem coisas que você gosta e eu não gosto, existem coisas que nós dois não gostamos, e existem coisas que nós dois gostamos. Briguemos juntos por essas últimas!"
Acho que acabei brigando sozinha.
sábado, 23 de janeiro de 2010
se ela tapasse os ouvidos podia ouvir suas veias pulsando
De repente a chuva ficou tão estranha, tão distante, tão sem sentido. Ou era a vida? De repente ela quis ser uma bailarina, para dançar na chuva. Estava tudo em silêncio, se ela tapasse os ouvidos podia ouvir suas veias pulsando. Engraçado as pessoas passarem e esquecerem de devolver os nossos pertences, ela pensava. Haviam esquecido de devolver as suas coisas, talvez de propósito, e ela estava um pouco perdida. Não sentia mais tanta dor, porque tinha os pés calejados. Os pés, as mãos, os braços, os olhos e os lábios. O coração não sabia calejar, e sangrava como sempre. É bom que sangre mesmo, é bom que seja assim. Mesmo não sendo bailarina, ela só queria dançar na chuva. E se dançasse, e se pegasse na mão de alguém, e caísse no chão ou qualquer outra coisa, o coração continuaria sangrando. A gente se assusta com o sangue, porque ele precisa ficar por dentro da pele. Ruim mesmo é se faz um corte e ele sai. Mas isso ainda não havia acontecido. Por isso ela continuava, mesmo perdida. E mesmo sem achar nenhum sentido, ela foi dançar na chuva.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Hoje ainda aqui
Hoje, tudo que o mundo fez foi não acabar.
Eu só queria que ele acabasse
Aos poucos, devagarzinho.
Hoje, tudo que o mundo fez foi acabar.
Tudo ao mesmo tempo,
Desmoronando no chão.
Hoje eu acabei e o mundo ficou
-Flutuando nesse infinito tão mesquinho
Hoje eu não fiquei no mundo.
Não teve mundo nem infinito.
Nada disso importa,
Hoje nada mudou:
A solidão ainda existe e eu também.
Eu só queria que ele acabasse
Aos poucos, devagarzinho.
Hoje, tudo que o mundo fez foi acabar.
Tudo ao mesmo tempo,
Desmoronando no chão.
Hoje eu acabei e o mundo ficou
-Flutuando nesse infinito tão mesquinho
Hoje eu não fiquei no mundo.
Não teve mundo nem infinito.
Nada disso importa,
Hoje nada mudou:
A solidão ainda existe e eu também.
domingo, 17 de janeiro de 2010
2.
Eu tive medo o tempo todo. Se alguém me abraça, eu perco o medo. Você nunca me abraçou o bastante.
1.
Tem dias que eu quero que tudo morra, e não fique nem uma última voz. Tem dias que tudo morre, mas sobra uma voz.
Como fazem?
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Pode ser que eu
Faz algum tempo já que nada tenho a dizer.
Pode ser que eu esteja sem voz,
Pode ser que eu esteja sem palavras, sem frases
Pode ser que eu esteja cansada.
Mas nesse tempo em que ando calada,
Pode ser que eu esteja sem voz,
Pode ser que eu esteja sem palavras, sem frases
Pode ser que eu esteja cansada.
Mas nesse tempo em que ando calada,
Vejo que tudo vai ficando distante, tudo.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
sábado, 26 de dezembro de 2009
Pela poesia
Quando me despeço de você, sempre que me despeço de você, tenho vontade de agradecer por um dia você ter me amado. Eu era mais bonita quando você me amava. Eu gostava de fingir que dentro do meu peito não havia só um monte de veias e tubos, havia um troço grande pulsando todo o meu sangue. Você sorria em paz quando me olhava, como se nunca tivesse existido solidão e frio. Sinto falta de quando eu não era insignificante. Sinto falta do seu abraço, que me lembrava o berço em que dormia. Me ame de novo, eu peço. Só para que eu possa escrever mais poesia.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Sala de cinema
Você se lembra daquela sala de cinema?
Sala vazia de cinema, eu e você, sem ver filme algum.
Aquele dia, sabe, eu achei que a vida era um filme.
Sala vazia de cinema, eu e você, sem ver filme algum.
Aquele dia, sabe, eu achei que a vida era um filme.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Não muito
Quando eu te vi pela primeira vez, acho que foram os seus olhos claros que me convidaram. Havia tanta gente. Você me olhava com medo, parecia que era medo. Pelo tempo que demorou a vir me perguntar qualquer coisa, acho que era mesmo um pouco de medo. Você dizia coisas tão fascinantes. Ou era eu que escutava só o que eu queria ouvir? Você me ganhou desde o primeiro olhar. E foi me ganhando. Mas você parece me perder aos poucos agora. Eu não sei se espero, se vou, se é cedo ou se é tarde. Você me confunde. Eu não consigo te decifrar, você carrega qualquer coisa de saudade. Antes mesmo de você chegar eu já estou sentindo saudade. Acho que é a ausência, que mesmo que você lute contra ela, você aprendeu a ser ausente. Eu carrego uma multidão no peito. São muitas e muitas pessoas. E todas elas querem um pouco. Todas elas sentem saudade, você consegue deixar a multidão do meu peito sozinha. Você consegue não dar a mão para nenhuma das pessoas que eu trago comigo. Eu não peço muito, posso transformar essa multidão em uma só. Eu não peço muito, só não quero mais essa sua saudade.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Que você segurasse
- O perigo nunca vai deixar de existir, disse ele meio ofegante. Talvez estivesse cansado de tentar explicar para ela.
- Pode ser, e é por isso mesmo que eu gostaria que você segurasse a minha mão, ela respondeu.
E então, as coisas ficaram um pouco mais complicadas.
- Pode ser, e é por isso mesmo que eu gostaria que você segurasse a minha mão, ela respondeu.
E então, as coisas ficaram um pouco mais complicadas.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Lições de um vazio
O vazio inevitável do fim do dia voltou a aparecer. Discretamente, enquanto eu estou distraída pensando no que será que amanhã. É um vazio bonito, até. Quase se confunde com um sentimento de impotência, de insignificância. Mas é um vazio, apenas. Não esvazia o meu ser, não me deixa desiludida esperando algo para preenchê-lo, ele apenas é. Tem dias que sinto uma paz enorme em estar aqui, tem dias que passo cheia de dúvidas se eu deveria estar em outro lugar. E o vazio, que passa o dia todo escondido, surge segundos antes de meus olhos fecharem para dormir. Não luto contra ele, não sofro (só às vezes que sofrer me faz grande), eu deixo o vazio ali, porque ele é meu e com ele eu aprendi a coexistir.
sábado, 12 de dezembro de 2009
caneta de dedos
Não consigo disfarçar a vontade de escrever poemas em seu peito. Será que algum dia você me deixa?
sobre escolher
Eu te escolhi. Outros me olhavam, outros pareciam até mais interessantes, mas eu escolhi você. Eu já havia escolhido outras pessoas outras vezes, mas dessa vez foi diferente. Foi tão complexo, tão astronômico, tão inusitado: você me escolheu também.
Acho melhor não publicar
Fico cheia de rascunhos. Nas minhas mensagens de texto, nos meus e-mails, no meu blog, nas minhas declarações, e hoje percebi: nos meus olhares também.
domingo, 6 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Não vá
Por favor, não vá.
Parei de esperar
que você seja outra pessoa.
Por favor, não vá.
Acho que aprendi
a enxergar você.
Não vá,
eu quero te conhecer.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Fugir da solidão
Ela sempre quis fugir da solidão. Quando ele perguntou, ela logo falou o nome dela, com esse propósito. Mesmo que subliminar, mesmo que camuflado nas suas risadas sem jeito. Ela aceitou a carona dele, achando que não iria ficar sozinha estando ao lado dele. Ele parecia tão especial. Ela esperou a ligação dele. Esperou, porque sabia que ele era alguém, e eles dois sendo alguém juntos, naturalmente não estariam sozinhos: um teria o outro. Era isso que ela pensava. Ela nem quis saber. Passou a esperá-lo no portão. Passou a sorrir quando pronunciava o seu nome. Mas, sabe, ela estava enganada. Tão enganada, meu Deus. Ela achava que sabia o que era a solidão, mas foi só depois de conhecê-lo que ela viu o que realmente era a solidão.
domingo, 29 de novembro de 2009
O balanço

Gosto de pensar que por trás de toda essa sua petulância, de toda essa certeza, de tanta sabedoria e seriedade, há um menino. Gosto de imaginar que esse menino gosta de correr, que ele gosta de dar risada, que gosta de aprender coisas novas. Sei que deve haver, em algum lugar por trás do que eu vejo, algo que eu não posso ver. Deve haver uma necessidade de um colo, deve haver uma vontade enorme de tomar sorvete a qualquer hora, deve haver. Quando descobri o seu olhar no meio daquela gente toda, eu vi um menino. Com o tempo esse menino foi sumindo, foi se escondendo, acho que ele foi se proteger. Mas eu quero que saiba, e eu falo com o menino apenas, que você pode sair aqui fora um pouco. Saiba que por trás desse meu cansaço, desse meu desânimo, desse meu olhar triste que chora, há uma menina louca para brincar com você no balanço.
sábado, 28 de novembro de 2009
até eu saber
Não sei se eu tenho essa capacidade de não amar quem me abraça. É difícil, se recebo tão poucos abraços. Vou continuar me segurando para não te amar, até eu saber que você me abraça por amor e não por solidão.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Seremos distantes
Estou me esforçando para não olhar demais para o seu rosto. Me esforço também para não pegar na sua mão e nem encostar no seu ombro. Vou fazer todos os esforços que a sua frieza pedir, até que um dia eu me torne distante sem mais esforço. Seremos dois distantes, que talvez boiem no meio de uma lagoa (ou seria represa?). Você não vai segurar a minha mão e nem perguntar como foi o meu dia, mas isso não vai fazer diferença já que eu nem vou notar.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Como será o seu adeus?
domingo, 22 de novembro de 2009
ímã
Não estou sabendo lidar com você. Tenho medo às vezes e quando eu não tenho medo, eu tenho silêncio. Talvez você seja como o mar sendo visto pela primeira vez. Ou então o escuro. Ainda não sei.
sábado, 21 de novembro de 2009
A próxima
Ela não sabia se falava logo tchau, ou se pedia para ele. Então pediu. Não me deixe sozinha hoje, por favor, eu não quero. Ele fez aquele sorriso didático que lhe é de costume e respondeu. Você não tem medo, né. Claro que não, só não quero. Ele continuou dirigindo, e disse desinteressado: não sei. Pode ser que dentro dele, ele quisesse abraçá-la e protegê-la, do jeito que ela gosta e ele sabe. Mas não foi isso que ele mostrou. Ele só disse não sei. Então, quando chegaram na casa dela, ele achou aquilo uma bobagem e disse: fica para a próxima. E deixou ela sozinha. Na próxima, ela pensou, eu não vou pedir para você ficar comigo, eu vou querer ficar sozinha, porque você me ensinou. E ela foi dormir, no silêncio da noite.
O amor
Eu também te procuro
por favor me espere,
eu também estou perdida.
Não desista de me encontrar,
Tudo tem sido difícil para mim
enquanto isso.
Você não chega e eu acabo
me confundindo.
Eu sempre acho que você é outra pessoa,
mas você nunca é.
Não desista de mim.
Eu estou em algum lugar
que você ainda não foi,
mas eu estou aqui.
Se você soubesse quantas vezes
eu me confundi.
Tem sido difícil te encontrar
em tantos lugares vazios.
Mas olha, eu não vou desistir de você.
Pode demorar, eu não me importo.
Quando você me reconhecer,
pode ser que, de repente,
eu me reconheça.
por favor me espere,
eu também estou perdida.
Não desista de me encontrar,
Tudo tem sido difícil para mim
enquanto isso.
Você não chega e eu acabo
me confundindo.
Eu sempre acho que você é outra pessoa,
mas você nunca é.
Não desista de mim.
Eu estou em algum lugar
que você ainda não foi,
mas eu estou aqui.
Se você soubesse quantas vezes
eu me confundi.
Tem sido difícil te encontrar
em tantos lugares vazios.
Mas olha, eu não vou desistir de você.
Pode demorar, eu não me importo.
Quando você me reconhecer,
pode ser que, de repente,
eu me reconheça.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Entregue em mãos
Saiba, pois, que entregar um poema na mão exige muita coragem.
A gente se expõe ao rídiculo de não saber escrever,
Mente um pouquinho, doces mentiras.
Um poema entregue em mãos nos deixa nus.
Ainda mais se a mão que recebe
não aplaude
-nem um pouquinho.
A gente se expõe ao rídiculo de não saber escrever,
Mente um pouquinho, doces mentiras.
Um poema entregue em mãos nos deixa nus.
Ainda mais se a mão que recebe
não aplaude
-nem um pouquinho.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O eu te amo da Bianca
Ela tem cara dessas pessoas que não falam "eu te amo" para ninguém. Nunca. Na verdade não é só cara, ela realmente não fala. Mas eu aceitei fazer parte mesmo assim. Driblando um certo mau-humor e pessimismo fomos indo, eu cheia de querer sugar a vida e ela cheia de querer cuspi-la. E não é que os anos passaram bem devagar (ou rápido demais?) e ela esqueceu de ser mau-humorada e pessimista? Esqueceu. Claro que há certas hipóteses para esse esquecimento, mas eu não vou dizer. (Será que ela fica muito brava se eu disser?) Pra mim, foram os quatro olhinhos que surgiram de repente. Ela pôde entender um pouquinho melhor como tudo isso é sim um milagre. E também ela gostou de ser tão, mas tão amada por duas coisinhas minúsculas. Mas não foi só isso. Também teve a mãe que, de repente, se deu conta -mais do que antes, do tamanho do buraco que ficou depois que ela veio para a cidade grande. A mãe sorriu mais para ela, e ela sorriu mais para a mãe. Eu, narcisista que sou, não posso deixar de citar minha participação nisso tudo. Minha e da Marina, quase igual. Mostramos para ela o quanto ela é fundamental para um certo mundo (o nosso). Ser fundamental é fundamental para a sobrevivência, e acho que ela não sabia disso. Claro que houve mais coisa. Muitas outras coisas, mas eu não saberei explicar. Talvez só um estudioso de psicologia saberia. O fato é que ela esqueceu de ser mau-humorada e pessimista, e sem nem peceber, passou a querer sugar a vida também. Hoje eu chorei um pouquinho. Ela desceu do carro, e antes de bater a porta com seu jeito meio agressivo, falou: "Te amo" e saiu.
domingo, 15 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Sobre vidas que eu não salvo
Quando eu escrevo nenhum milagre acontece. Nenhum. Nem mesmo dentro de mim. Tudo se mantém igual e eu não consigo salvar nenhuma vida. Mas não é disso que eu preciso. Eu só preciso encontrar alguma coisa, e talvez eu encontre um pedacinho do que eu procuro. Eu escrevo para encontrar a parte de mim que eu perco enquanto vivo.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Só eu vejo

Um dia eu já quis deixar a Terra.
-Não foi hoje.
Um dia eu já quis me encontrar do outro lado,
e conhecer outras partes do ser,
mas hoje, sem dúvidas, não foi.
Hoje eu não quis ser outra, não quis mudar meu sentido.
Quis deitar em minha própria cama,
ter meus próprios sonhos,
(que, embora escassos, chegam a sobrar em mim.)
Quis ter esses meus olhos,
e ver tudo que estou vendo agora:
-Não foi hoje.
Um dia eu já quis me encontrar do outro lado,
e conhecer outras partes do ser,
mas hoje, sem dúvidas, não foi.
Hoje eu não quis ser outra, não quis mudar meu sentido.
Quis deitar em minha própria cama,
ter meus próprios sonhos,
(que, embora escassos, chegam a sobrar em mim.)
Quis ter esses meus olhos,
e ver tudo que estou vendo agora:
Essa beleza toda que não há,
mas eu vejo.
mas eu vejo.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Eu te desprezo agora
Te desprezo como um preso despreza a vida lá fora.
Te desprezo com todos os meus dentes.
Se desprezasse menos, não poderia lhe escrever mais uma palavra.
Se desprezasse mais, poderia subir a escada sem pensar em você.
Eu desprezo tudo que vem de você, desprezo o seu cheiro também.
Eu desprezo cada segundo que respira,
desprezo o meu peito quando foi seu, desprezo o seu amor fingido.
Eu desprezo-te com toda a minha voz,
com o meu coração, com tudo, tudo, tudo que há em mim.
Te desprezo tanto, será que você não vê?
Te desprezo com todos os meus dentes.
Se desprezasse menos, não poderia lhe escrever mais uma palavra.
Se desprezasse mais, poderia subir a escada sem pensar em você.
Eu desprezo tudo que vem de você, desprezo o seu cheiro também.
Eu desprezo cada segundo que respira,
desprezo o meu peito quando foi seu, desprezo o seu amor fingido.
Eu desprezo-te com toda a minha voz,
com o meu coração, com tudo, tudo, tudo que há em mim.
Te desprezo tanto, será que você não vê?
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Eu preciso ir embora
"It's funny. Don't ever tell anybody anything. If you do, you start missing everybody."
(The Catcher in the Rye, J.D. Salinger)
(The Catcher in the Rye, J.D. Salinger)
Eu não costumava ser assim. Eu até falava bastante de mim antigamente, adorava explicar as minhas teorias e falar do meu passado. Mesmo porque o meu passado é uma delícia. Não sei se foi um fato pontual que me calou por enquanto. Também não sei se é só por enquanto. Mas o meu passado continua bonito, continua mesmo. Eu é que fiquei um pouquinho mais medrosa. Cuidadosa, talvez. Prometo que qualquer dia desses eu falo um pouco mais. Só que não gosto de falar muito. Eu sempre me arrependo depois, fico achando que estou nua. Que você pode rir da minha participação insignificante no mundo. Ou que você pode achar tudo isso um pouco bagunçado demais, você que é arrumadinho. Eu gosto de você, e quando eu gosto de alguém eu fico morrendo de medo de ouvir "eu preciso ir embora." Pra mim isso é pior do que um "eu nunca te amei." Eu supero não-amores, mas despedidas eu não sei. Fica tudo meio engasgado, eu fico perdida no meio da rua da minha cabeça. Quantas vezes já escrevi sobre adeuses? Eu acabo indo embora antes de ser abandonada, não consigo. Devem ter sido muitos desencontros. Tenho medo de virar aquelas pessoas que não se apegam, porque tiveram que desapegar demais. Apesar de que eu acho que já não posso mais partir, acho que é você que terá que ir. Será que você vai mesmo embora? Se for, não deixe de perguntar mais uma ou duas coisas sobre mim, para você eu quero falar.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Você me dá
medo, curiosidade, às vezes um frio misterioso, medo, um dia deu azar, sensação de estar perdida, sensação de estar segura, medo, mais curiosidade, medo medo medo.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
When you say it
I read this once somewhere, and now I can say it for myself: I love how my name sounds safe in your mouth. It sounds like a special name when you say it.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Eugênia
Talvez uma das minhas pernas fosse coxa e talvez minha existência tenha sido mesmo insignificante. Mas, na verdade, mal sabes ti que eu não o admirei como pensaste. Eu o quis porque tu me admiraste, e isso me foi bonito. Quando finalmente viste os meus defeitos, fostes embora. Eu agradeço por fim, por teres partido. Tu eras tão manco quanto eu, mas eu era manca apenas na perna. E tu? Bom, tu era um ser coxo da cabeça aos pés. Tua existência foi coxa e morreste tão só quanto eu.
domingo, 25 de outubro de 2009
na mesma gaveta
Tenho que admitir um dos meus maiores erros: guardo multas de trânsito e cartas de amor na mesma gaveta.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Cheiro errado

Não gosto do cheiro da sua chegada: é cheiro de despedida.
Sabe cheiro de quem vai embora?
Espero que o seu perfume abafe esse cheiro que me arde,
espero que minhas narinas estejam erradas,
espero que o mundo inteiro reinvente o cheiro das coisas.
Não quero mais que esse seja o seu cheiro: eu quero que você fique.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Teorias conspiratórias
Preciso de uma tesoura para recortar um anúncio de jornal. É sobre ganhar muito dinheiro escrevendo alguma coisa. Não pude ver direito o que eu preciso escrever, mas o dinheiro é muito e eu adoro escrever. Se for sobre carros eu improviso, sobre esportes também. Se for sobre política eu dou um jeito de xingar todo mundo. Se for sobre Deus, eu invento um. Se for sobre amor, rasgo meu peito, fica fácil. Preciso mesmo da tesoura. Acho que é sobre a guerra que estão inventando. Talvez sobre teorias conspiratórias, parece que criaram umas novas, vão fazer um filme. Não sei o que é, mas com a grana dava para eu ir viajar um pouco. Uma praia bem distante. Uns coqueiros. Adoro coqueiros. Olhar para eles. Talvez eu até levasse alguém comigo. Achei o anúncio, tá aqui. Vou cortar. Ah. É para escrever marchinhas de carnaval. Não, sem chance. Marchinha de carnaval não. Pode levar a tesoura de volta. Nem tô precisando de tanta grana assim.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Deixadas como estão
Tive uma insônia brava ontem. Não sei se foi por conta do café que tomei (como uma chicarazinha pode ser tão potente?) ou se foi por conta do meu coração meio disparado, meio parado. Não sei o que foi. Eu apenas acendi a lâmpada de criadomudo e fiquei olhando as coisas em volta. Não ouvi música, não peguei meu livro e nem tomei um copo de água com açúcar. Eu fiquei olhando um par de sapatos no chão, a bolsa aberta com a carteira meio para fora, alguns papéis caídos (seriam multas, cartas?), achei um pouquinho incrível. À noite as coisas ficam silenciosas, esquecidas, deixadas como estão... Parece um quadro bonito.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Pouca noite
Foi estranho. Estranho mesmo. Eu olhei para a janela do carro e comecei a achar tudo um pouco diferente do que era antes. E a noite não tem culpa, eu é que não consigo dormir: são muitos sonhos para pouca noite.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Lição de Casa
Quando eu estava na segunda ou terceira série, minha lição de casa era fazer um poema com palavras que rimassem. Foi uma das lições de casa mais legais que tive até hoje. Na época tive grandes dificuldades, e chamei a mamãe:
-Mamãe, eu só consigo rimar "tristeza" e "Tereza", e não consigo fazer nenhuma frase!
Minha mãe passou o resto da tarde se divertindo comigo. A gente juntas fez o poema mais lindo da classe (na verdade minha mãe fez quase tudo). É claro que hoje eu não lembro do poema, mas eu lembro que era mais ou menos assim:
Acho que era por aí. Eu nunca vou saber ao certo como era o poema, porque ele ficou perdido em algum caderninho da terceira série, e nem sei se ele ainda existe. Sei que toda vez que me sinto um pouquinho triste, vem a frase na minha cabeça "A tristeza de Tereza" e me lembro da vozinha que minha mãe falava comigo quando eu era pequena. Eu sorrio.
-Mamãe, eu só consigo rimar "tristeza" e "Tereza", e não consigo fazer nenhuma frase!
Minha mãe passou o resto da tarde se divertindo comigo. A gente juntas fez o poema mais lindo da classe (na verdade minha mãe fez quase tudo). É claro que hoje eu não lembro do poema, mas eu lembro que era mais ou menos assim:
A tristeza de Tereza
Por Maria Clara Moraes e Thelma Bombonato
Se sentia Tereza tristeza
Se sentia Tereza tristeza
A tristeza não sentia a Tereza
E Tereza sentia ainda mais tristeza,
porque a tristeza não sabia de Tereza.
Acho que era por aí. Eu nunca vou saber ao certo como era o poema, porque ele ficou perdido em algum caderninho da terceira série, e nem sei se ele ainda existe. Sei que toda vez que me sinto um pouquinho triste, vem a frase na minha cabeça "A tristeza de Tereza" e me lembro da vozinha que minha mãe falava comigo quando eu era pequena. Eu sorrio.
Continua a tristeza sem saber de Tereza?
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Não fui embora porque
Não posso partir sob o luar.
Faz muito frio de madrugada,
Faz muito frio de madrugada,
E falta luz para me guiar.
Me abandone você então,
Mas vá à noite:
Prefiro perder na escuridão.segunda-feira, 12 de outubro de 2009
il mio principe
Ver-te foi leve
Leve como a tua despedida
faz quase um ano, tu te lembras?
Que partiste sem cerimônias.
Ver-te foi bonito,
porque tu estavas igual.
Igual àquele que um dia amei,
igual àquele que me fez chorar,
escrever tanta poesia,
e continuar andando.
E ver-te me fez lembrar
que eu sei caminhar
mesmo depois
de ouvir adeus.
E agora eu é que digo,
com a boca feliz
a boca que já não é tua
a boca que ouviu muito, depois de ti
eu é que digo:
adeus, amor meu.
Leve como a tua despedida
faz quase um ano, tu te lembras?
Que partiste sem cerimônias.
Ver-te foi bonito,
porque tu estavas igual.
Igual àquele que um dia amei,
igual àquele que me fez chorar,
escrever tanta poesia,
e continuar andando.
E ver-te me fez lembrar
que eu sei caminhar
mesmo depois
de ouvir adeus.
E agora eu é que digo,
com a boca feliz
a boca que já não é tua
a boca que ouviu muito, depois de ti
eu é que digo:
adeus, amor meu.
Para R. A.
sábado, 10 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Freud, me explica?
Tantas foram as vezes que eu olhei a sua foto,
Que já decorei todos os seus contornos,
Sei desenhar o seu sorriso igualzinho está no retrato.
Gostava muito de olhar você congelado naquele instante.
Hoje eu não gostei.
Hoje eu, de repente, esqueci os seus traços,
Não soube desenhar.
Mas o mais estranho disso tudo foi
Que naquela foto tão antiga de você,
Fui olhar hoje de novo,
E o seu sorriso não estava mais lá.
Que já decorei todos os seus contornos,
Sei desenhar o seu sorriso igualzinho está no retrato.
Gostava muito de olhar você congelado naquele instante.
Hoje eu não gostei.
Hoje eu, de repente, esqueci os seus traços,
Não soube desenhar.
Mas o mais estranho disso tudo foi
Que naquela foto tão antiga de você,
Fui olhar hoje de novo,
E o seu sorriso não estava mais lá.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Eu queria
Queria ter
Um pouquinho de vergonha na cara
Ou até um pouquinho (mais) de preguiça
Queria ser
Um tantão mais corajosa
E um tantão mais qualquer coisa
Eu queria ser um pouco menos eu
E um pouco mais o que eu sou de verdade
Eu queria ter menos vontade
menos saudade
Se o meu peito fosse
Um pouquinho maior
Talvez eu te convidasse
Para vir morar
E talvez eu não quisesse
mais nada.
Um pouquinho de vergonha na cara
Ou até um pouquinho (mais) de preguiça
Queria ser
Um tantão mais corajosa
E um tantão mais qualquer coisa
Eu queria ser um pouco menos eu
E um pouco mais o que eu sou de verdade
Eu queria ter menos vontade
menos saudade
Se o meu peito fosse
Um pouquinho maior
Talvez eu te convidasse
Para vir morar
E talvez eu não quisesse
mais nada.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
The sweetest thing

Entrou ele primeiro no ônibus, depois ela. Ele tinha uma cara de bravo, era grande e forte. Contrastava completamente com a menina, que era quase uma bonequinha de vestido rosa. Ela segurava a mão dele e sorria. Ele pagou as passagens e foi procurar um banco. Ela soltou a mão dele e foi correndo se sentar no assento com a marcação amarela. Ele foi atrás dela com aquela cara brava, pronto para explicar que ali ela não poderia se sentar, pois era assento preferencial. Mas antes que ele abrisse a boca, a menina-bonequinha apontou para o adesivo na janela e disse com uma voz fininha:
-Papai, qual dessas menininhas você escolhe? Eu escolho a do bebezinho!
Para Vivi
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minha memória questionável
Se eu esqueço é discutível minha memória questionável quantas histórias cabem em você? se eu te escuto repetir aquela da sua avó que per...
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Viramos um para o outro cabeças no travesseiro rimos do teco de pele que sangrou rimos da grosseria que foi dita do pernilongo gordo rimamos...
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No café da manhã te conto um sonho você finge não entender te beijo e abraço suas costas você beija de volta e vai embora fico com as suas ...
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tenho certeza que você trabalha agora mesmo compenetrado batendo teclas e metas de terno no ar condicionado a ser sério tudo tão segunda-f...














