segunda-feira, 31 de maio de 2010

just wondering

So unstable, the thoughts are. They come and go all the time, without any commitment with anything, they might even vanish and no one will be able to keep it from happening. They do vanish all the time, but sometimes they come back. Me, I loose myself easily when I'm with you, within the buttons of your shirt, within the words you say that make me smile. And when I begin to think I might be traveling somewhere, I see a portrait in your shelf of a smile that does not have any similarity with mine. I imediately remember exactly where I am. My doubts never let me loose myself for very long. And the thoughts? Well, they are as unstable as they could be, soon I will be thinking about something else.

domingo, 30 de maio de 2010

A água que sou


Se eu estiver contaminada, me perdoe.
Só quero que você me tome, gole por gole.
Estou metade cheia, metade vazia, neste copo em cima da mesa.
Eu quero ser parte do seu organismo, enquanto eu não evaporo.
Por favor, tome esse meu gole, experimente o meu gosto.
Se eu estiver contaminada, peço perdão.
Eu só espero que você não beba a metade vazia do copo.

Quase parando

Eu já não acredito mais nessa intensidade toda, nessa pressa, essa urgência. Elas são de uma triste efemeridade, ninguém sabe ao certo por que isso acontece se não é feito para durar, não assim. Quando caem as pétalas de uma flor, eu nem pergunto nada, isso pode acontecer. Vai entender a lógica desse quebra-cabeça... Eu não tento mais entender, pra mim tanto faz. Só estou fazendo a minha parte para que você me acerte. Devagar, quase parando.

Aqui vai o meu clichê pra você:

Eu sei que tudo pode não ser
que tenho tudo a perder
a qualquer instante, por qualquer motivo
sei que daqui a pouco nenhum de nós pode estar mais vivo
mas enquanto isso
É você,
é você que me faz viver.
Para GB.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Disfarce

É possível mesmo que um dia eu ainda mude de nome. Enquanto isso não acontece, eu me escondo de outros jeitos.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Nem lembro

Eu já nem lembro mais como era há dois segundos atrás, quando eu não acreditava que pessoas podiam de fato preencher vazios.

Volver

Ela solta a mão dele e vai embora. Ele não sabe para onde, não sabe se ela volta, mas a espera. Esperar é sempre difícil, mas às vezes vale a pena, ele pensa. Ela não olha para trás, nem para ver se ele ainda sorri, nem para conferir se o deixou no lugar certo, do jeito certo. Ele chega a coçar a cabeça na espera, porque fica amargurando, pensando em coisas que não deveria pensar. Os dias passam e ela volta. Ele se levanta para recebê-la de pé, ela corre para abraçá-lo e ele não sabe se haverá boca para tanto sorriso.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nove horas

Meu amor, ainda não são nove horas, nós podemos ficar.
Mas eu quero ir embora daqui, agora.
Vamos, já são quase nove horas e alguém vai chegar.
Eu não sei para onde ir, e agora?
Ainda não são nove horas e ninguém tem pressa, pode sentar.
Eu não sei que horas são, posso me atrasar.
É melhor eu ir embora, está ficando tarde demais e alguma coisa pode quebrar.
Eu preciso sair daqui, mas não sei se devo ficar.
Tudo tem seu tempo, e o meu tempo é agora.
Meu amor, eu acho que já são nove horas.

domingo, 23 de maio de 2010

Sinal

Sete luzinhas no teto.
Um livro com uma dedicatória,
um monte de papéis velhos,
coisas velhas escritas,
pessoas que passaram,
sorrisos paralisados,
bagunças, detalhes, coisas.
-Bem vinda, ele disse sem dizer uma palavra.
Esse é o meu mundo, e esse sou eu. Aquela ali com o cabelo na cara é você, ocupando um certo espaço no porta-retrato.
Eu não me assustei.
Pela primeira vez eu não me assustei.
Como quando eu aprendi sobre a saudade efêmera em dias comuns, eu não me assustei.
Eram sete luzinhas no teto do quarto e mesmo que coisas antigas estivessem escritas em papéis velhos, e mesmo que houvessem coisas que ainda não foram jogadas fora, eu era a oitava luzinha no teto. Por isso eu não me assustei.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Naked

I only like to talk about myself when it's really dark. That way you cannot see what I am wearing, I cannot see what you are wearing and deep inside, we are all naked.

De passagem

Não precisa se levantar
Nem precisa me oferecer nada
Nem se preocupar, nem se mexer
Não precisa de nada na verdade
Estou só olhando
Estou de passagem.

sábado, 15 de maio de 2010

50 copos

Naquela noite, ela pensou como ele estaria. O que ele estaria fazendo e se ele estaria sozinho. Ela ficou tentada a mandar um telegrama bem urgente perguntando onde ele estava, mas ficou apenas tentada, não teve coragem de escrever nenhuma letra. Passou a noite toda tentando juntar velhos pedaços para ver se conseguia entender coisas que nunca havia entendido, mas em vão. As lembranças não tinham continuidade e eram pedaços confusos demais. Pelo menos ninguém saiu ferido, ela pensou, foi um adeus silencioso. Ela queria saber se ele estava sozinho olhando por aquela janela branca, ou talvez com os pés apoiados naquela mesa cara. Era mesmo uma mesa bonita. E os 50 copos? Ela nunca se esqueceu que ele, morando sozinho, havia comprado 50 copos de vidro para deixar na cozinha. Onde ele estaria, o que estaria fazendo? A última vez que se viram, ele estava estressado e parecia meio abatido, foi o último retrato dele que ficou em sua mente. Será que um dia ele aprende a não ser tão distante do mundo, ela pensou.

Metamorfose

De ontem para hoje eu mudei tanto que quase nem me reconheço.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Gosto

Que gosto é esse na minha boca? Não é o seu beijo e nem o beijo de ninguém. Não é o gosto do medo, esse gosto eu conheço bem. Náo é saudade, não é coragem e nem desgosto. Não é nada que eu conheça. Já se passaram tantos anos desde que o homem começou a dar nomes para todas as coisas, eu penso se todos os sentimentos já foram nomeados. Esse gosto, esse sentimento, acho que ninguém deu nome. Eu não sinto fome, não sinto dor, não sei o que é. Não tenho medo dessa vez. Acho que é gosto do tempo passando. Tem nome sentir o tempo passando?

E veio se deitar comigo

Fazia frio, e todo mundo parecia tão frio quanto o tempo, mas talvez isso fosse apenas a minha impressão. Eu me cobri com cobertores pesados, com agasalho de lã (de repente, me dei conta de como a lã parecia algo tão antigo, um pouco melancólico), fechei as janelas, as cortinas, e me escondi em minha cama. Me sentia protegida, embora continuasse precisando de qualquer coisa. Quis dormir, quis sonhar, quis encontrar pessoas nos meus sonhos e quis ficar bem quietinha naquele silêncio familiar. Não houve jeito, eu não pude: ela me encontrou. A tristeza chegou de fininho e veio se deitar comigo naquela noite de frio intenso.

sábado, 8 de maio de 2010

Sinais da chuva


Eu não sei se é tempo de ficar ou ir embora, mas escolhi ficar.

Ouço a chuva caindo, e lembro daquela aula na faculdade, quando me disseram que a chuva nos filmes é sinal de mudança. Sempre penso nisso quando chove, será que a vida também faz sinais subliminares? E se não captarmos eles, e se não captarmos um sinal que diga que é melhor não ficar? Recebo convites e discretamente os rejeito. Não tenho vontade de aceitar mais nada, finalmente acho que estou no lugar certo. É uma combinação de sorte, destino e distração. Eu, distraidamente aceitei os seus convites por achá-los leves. Por sorte foi tudo leve de fato, e pelo destino e escolha minha, aqui eu fiquei.

Enquanto isso, chove lá fora, acho que é sinal de mudança.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ponto de Luz

Já não se pode mais falar de pôr do sol ou de tardes vermelhas,
não se pode mais falar de dor ou do prazer de estar aqui.
Já não se escutam mais silêncios ou barulhos invisíveis,
não se escuta mais nada.
-Nada que importe.
Não se vendem mais giz de cera, só monitores gigantes,
e tudo bem se as cores forem esquecidas, só o azul das notas.
Eu não sei para onde ir nesse lugar,
não cabe poesia aqui,
não fazem mais as minhas músicas.
O mundo, que costumava girar tão normal, já nem sabe mais para onde ir.
Está tudo tão esquecido, ninguém se lembra que tudo começou de um ponto de luz.
Todo mundo perdeu o ponto de luz
de dentro de si.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

In Wonderland... Or right here?

Alice
I wonder if I've been changed in the night? Let me think. Was I the same when I got up this morning? I almost think I can remember feeling a little different. But if I'm not the same, the next question is 'Who in the world am I?' Ah, that's the great puzzle!

Alice in Wonderland 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Passagens por aqui

Passaram por aqui algumas pessoas. Todas delas tiveram parte. Eu tive parte nelas também, mas é difícil dizer. Algumas pessoas negam, ou até preferem não lembrar. Eu não. Eu lembro a todo instante das pessoas que passaram por aqui. Foi com elas que aprendi a ouvir logo quando vem alguém chegando. Aprendi a ouvir quando essa pessoa terá uma parte pequena, uma parte grande, ou se será uma dessas pessoas que gostam mesmo é de passar. Ouço alguém chegando, e eu sei. Eu sei que é alguém que talvez náo tenha parte não, me parece que é alguém que vai ter tudo. Se eu ouvi direito, é alguém que eu vou carregar no peito. A gente nunca sabe essas coisas ao certo, acho que é melhor eu colocar o meu vestido mais bonito.

A paz que você me deu


Dizem que para olhar o mar é preciso silêncio.
Mas o que talvez ninguém perceba é que silêncio se faz com o mar.
O mar faz o silêncio da praia.
As ondas batendo na areia calam todas as vozes, todos os passos, todos os sons.
A praia fica muda, nasce uma certa paz.
Uma paz secreta, meio escondida.
Não se escuta nada, tudo fica parecendo um pedaço do céu,
aquele céu que nos prometem desde o começo.
Aquele céu que nos prometem, ele existe na praia.
Naquela praia, naquele dia na praia,
naquele beijo que você me deu, na praia, perto do mar em silêncio.
Para G.B.

Viela, montanha, isolamento

Por que desviei? Por que não observei, por que não ouvi o seu chamado? Em que viela, montanha, isolamento eu estava? Quando você apar...