quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Te conheci por acaso
Sobre vidas que eu não salvo
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Só eu vejo

-Não foi hoje.
Um dia eu já quis me encontrar do outro lado,
e conhecer outras partes do ser,
mas hoje, sem dúvidas, não foi.
Hoje eu não quis ser outra, não quis mudar meu sentido.
Quis deitar em minha própria cama,
ter meus próprios sonhos,
(que, embora escassos, chegam a sobrar em mim.)
Quis ter esses meus olhos,
e ver tudo que estou vendo agora:
mas eu vejo.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Eu te desprezo agora
Te desprezo com todos os meus dentes.
Desprezo forte, muito forte.
Se desprezasse menos, não poderia escrever-te mais uma palavra.
Se desprezasse mais, poderia subir a escada sem pensar em ti.
Eu desprezo, desprezo sim.
Desprezo tudo que vem de ti, desprezo o teu cheiro também.
Eu desprezo cada segundo que tu respiras,
desprezo o meu peito quando foi teu, desprezo o teu amor fingido.
Eu desprezo-te com toda a minha voz,
com o meu coração, com tudo, tudo, tudo que há em mim.
Te desprezo tanto, não vês?
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
modernidade
Eu preciso ir embora
(The Catcher in the Rye, J.D. Salinger)
Eu não costumava ser assim. Eu até falava bastante de mim antigamente, adorava explicar as minhas teorias e falar do meu passado. Mesmo porque o meu passado é uma delícia. Não sei se foi um fato pontual que me calou por enquanto. Também não sei se é só por enquanto. Mas o meu passado continua bonito, continua mesmo. Eu é que fiquei um pouquinho mais medrosa. Cuidadosa, talvez. Prometo que qualquer dia desses eu falo um pouco mais. Só que não gosto de falar muito. Eu sempre me arrependo depois, fico achando que estou nua. Que você pode rir da minha participação insignificante no mundo. Ou que você pode achar tudo isso um pouco bagunçado demais, você que é arrumadinho. Eu gosto de você, e quando eu gosto de alguém eu fico morrendo de medo de ouvir "eu preciso ir embora." Pra mim isso é pior do que um "eu nunca te amei." Eu supero não-amores, mas despedidas eu não sei. Fica tudo meio engasgado, eu fico perdida no meio da rua da minha cabeça. Quantas vezes já escrevi sobre adeuses? Eu acabo indo embora antes de ser abandonada, não consigo. Devem ter sido muitos desencontros. Tenho medo de virar aquelas pessoas que não se apegam, porque tiveram que desapegar demais. Apesar de que eu acho que já não posso mais partir, acho que é você que terá que ir. Será que você vai mesmo embora? Se for, não deixe de perguntar mais uma ou duas coisas sobre mim, para você eu quero falar.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Você me dá
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
When you say it
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Eugênia
domingo, 25 de outubro de 2009
na mesma gaveta
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Cheiro errado

quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Teorias conspiratórias
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Deixadas como estão
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Pouca noite
domingo, 18 de outubro de 2009
sem título, porque eu quis assim
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
"Sinto sua falta"
Lição de Casa
-Mamãe, eu só consigo rimar "tristeza" e "Tereza", e não consigo fazer nenhuma frase!
Minha mãe passou o resto da tarde se divertindo comigo. A gente juntas fez o poema mais lindo da classe (na verdade minha mãe fez quase tudo). É claro que hoje eu não lembro do poema, mas eu lembro que era mais ou menos assim:
Se sentia Tereza tristeza
Acho que era por aí. Eu nunca vou saber ao certo como era o poema, porque ele ficou perdido em algum caderninho da terceira série, e nem sei se ele ainda existe. Sei que toda vez que me sinto um pouquinho triste, vem a frase na minha cabeça "A tristeza de Tereza" e me lembro da vozinha que minha mãe falava comigo quando eu era pequena. Eu sorrio.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Não fui embora porque
Faz muito frio de madrugada,
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
il mio principe
Leve como a tua despedida
faz quase um ano, tu te lembras?
Que partiste sem cerimônias.
Ver-te foi bonito,
porque tu estavas igual.
Igual àquele que um dia amei,
igual àquele que me fez chorar,
escrever tanta poesia,
e continuar andando.
E ver-te me fez lembrar
que eu sei caminhar
mesmo depois
de ouvir adeus.
E agora eu é que digo,
com a boca feliz
a boca que já não é tua
a boca que ouviu muito, depois de ti
eu é que digo:
adeus, amor meu.
sábado, 10 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Freud, me explica?
Que já decorei todos os seus contornos,
Sei desenhar o seu sorriso igualzinho está no retrato.
Gostava muito de olhar você congelado naquele instante.
Hoje eu não gostei.
Hoje eu, de repente, esqueci os seus traços,
Não soube desenhar.
Mas o mais estranho disso tudo foi
Que naquela foto tão antiga de você,
Fui olhar hoje de novo,
E o seu sorriso não estava mais lá.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Eu queria
Um pouquinho de vergonha na cara
Ou até um pouquinho (mais) de preguiça
Queria ser
Um tantão mais corajosa
E um tantão mais qualquer coisa
Eu queria ser um pouco menos eu
E um pouco mais o que eu sou de verdade
Eu queria ter menos vontade
menos saudade
Se o meu peito fosse
Um pouquinho maior
Talvez eu te convidasse
Para vir morar
E talvez eu não quisesse
mais nada.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
The sweetest thing

segunda-feira, 5 de outubro de 2009
5 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Eu acho que é isso

Vingança
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Acabei nem dizendo
A vida fará isso por mim
Um dia, por fim
Enquanto eu estiver distraída
Ou enquanto eu dormir
Que seja enquanto eu durmo, para que eu não veja o último instante
Que seja incompleto, para que eu fique com o restante
Sempre fui de acreditar
Mas dessa vez eu não sei
Se o nosso caos tem cura
Se há buraco nessa fechadura
É que eu nunca vi isso antes
Nunca vi essas cores, esses sinos, essas flores
Tudo que há no seu peito
Tudo que causa esse efeito
E o que resta pra mim são só as dores
Mas se eu implorar mais um adeus,
Se jurar partir para nunca mais
Me segure
Me peça para ficar
Me impeça de falar
Não deixe que eu parta
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Eu não gosto de domingo
sábado, 26 de setembro de 2009
Feliz aniversário
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Rascunho no guardanapo
Pra mim você sempre foi o que eu deveria esperar
Você disse para eu ficar
Mas você sempre foi embora
Os seus olhos mentem, e eu já sabia
Mesmo assim eu gostava de olhar
Você já ia comprar aquela guitarra
E eu achei que era para mim
Você já tinha planos formados
E eu achei que era tudo por impulso
Você nunca teve coragem
Nunca teve certeza
Nunca soube o que fazer
E pra mim não importava
Mas no fundo eu ficava esperando
Eu poderia até fazer uma música
Para o beijo que você me deu
E depois você poderia cantar
Acho que todos os dias eu fazia músicas
E guardava para um dia você cantar
Eu era uma flor caída no chão
Você me pegou
Mas eu não coube no seu buquê
E você me deixou cair sem querer
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Minha foto preferida

E já que o meu amigo William disse que adora fotos com histórias, vou contar a história dessa. Estou fazendo um videodocumentário sobre professores de escolas públicas. Hoje fomos entrevistar uma professora cujo apelido é "pink" porque ela adora cor-de-rosa. Eis como estava a lousa da sala de aula onde ela leciona. Achei essas perguntas extremamente difíceis de responder. É possível que eu tirasse zero.
Não se assuste
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
As cores das coisas

domingo, 13 de setembro de 2009
Estar aqui
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Não deixe que escape
No chão, com o vento, para o céu.
(Aparecem e podem sumir).
Segurem-nas com as duas mãos.
Não as deixem voar com os pássaros,
Não as deixem escorrer para o ralo,
Com a água do banho.
Não as deixem soltas como pétalas caindo da flor,
Porque não são flor.
O vento é fragil, fraco, não se vê,
Mas às vezes leva tudo o que se tem,
(Violentamente, como se as coisas não precisassem de despedidas),
Como se tudo bastasse no momento em que se acaba,
Como se nunca ficasse um talvez, um suspiro, uma lágrima.
As coisas todas aparecem. Sempre.
Tudo que se quis, tudo que se quer, tudo que não se tem: aparece.
Não deixe que nada escape.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Para onde foram?
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Fotografia
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Apenas o necessário

domingo, 30 de agosto de 2009
Iniciais
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
à-braços
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Avisos vãos
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
How to explain?
-Will you marry me?
-Will you marr...
-Yes!
And we could do all of that together.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Eu não acredito
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Me basta

Não preciso de muito: de presentes ou promessas.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
One silly little thing
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Se molhava você
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Bailarina que atravessa a rua
domingo, 9 de agosto de 2009
Ampulheta de nós dois

terça-feira, 4 de agosto de 2009
Negativas que trago
domingo, 2 de agosto de 2009
Bilhões de pessoas
sexta-feira, 31 de julho de 2009
I just had to let you know
quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Algum lugar

Quero apenas caminhar.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Se devo me atirar
domingo, 26 de julho de 2009
Anúncios
Um garotinho que sorri assim
Tem um clipe no youtube que chama "Candy", o cantor é o Paolo Nutini. O clipe é uma graça, está entre os meus preferidos. É um casamento em um vilarejo. Você vê, pelo olhar do noivo, pelo sorriso dele, a alegria que ele estava sentindo na hora. Os convidados, os arranjos pelos cantos... É um casamento ao ar livre. São pessoas simples, mas como sorriem! É claro que eu imediatamente quis viver um casamento assim. Eu espero o quanto for, quero um casamento assim. A foto que eu selecionei não tem a ver com toda a história do clipe, com o que citei, mas é uma cena mágica. A carinha desse garoto aparece aos 1:31, e some em uma fração de segundo. Eu quis ter, além do casamento simples no vilarejo, um garotinho que sorri assim também.
sábado, 25 de julho de 2009
Chegar, partir.
Protetor

quinta-feira, 23 de julho de 2009
se o seu olhar fosse
Os seus olhos que me seduzem, já são de alguém -e eu bem sei.
Pobres olhos meus:
Mas os seus olhos mentem.
E os meus olhos são fragéis demais para as tantas lágrimas que viriam.
A memória é um velho álbum de fotografias

terça-feira, 21 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Efêmero
1: Vem do grego epheméros, que signifca: que dura um só dia;2: De pouca duração; Curto; Passageiro; Transitório; Breve.
Antônimos
permanente
eterno
E no meu dicionário viria assim:
O pulo da bailarina. O sopro que apaga a vela. A vontade que precede o realizar. O "não" que quer dizer "sim." A vida da mosca. A vida do beija-flor. O bater de asas. O sono antes de dormir. A minha vontade de ir embora e nunca mais voltar. O caminho da gota de chuva, entre a nuvem e a superfície que ela toca. O nunca mais. O que se sente, e que de repente, não se sente mais. O último olhar descendo a escada rolante do aeroporto. O passarinho que nunca deixa que se aproximem. A água escorrendo para o bueiro. A sujeira indo com a água. O instante de uma fotografia. Uma barra de chocolate na mão de um garotinho no recreio. A hora do recreio para um garotinho que come uma barra de chocolate. Um amor que tive antes de saber que não era amor. O beijo de quem não queria dar um beijo. Um abraço forçado. A música preferida que começa a tocar em um lugar inesperado. Uma espera de três horas para alguém que esperou uma linda mulher que surge descendo a escada. Um amor de verão. Um inverno sem graça. Uma vida sem graça.
[Uma pequena ressalva: algumas das coisas citadas são simultaneamente eternas.]
O crime de partir
Meu cachorro é muito esperto, muito. Em absolutamente todas as vezes que alguém se despede, mesmo que efemeramente, ele pára todos os seus movimentos, fica estático. Começa a encarar a pessoa que parte de tal forma que a gente se sente culpado. "Calma, eu já volto! Só vou até ali." Não adianta. Ele fica extremamente triste. A gente fica achando que está cometendo algum tipo de crime, porque para ele talvez ir embora seja um crime.
Muito esperto, muito.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Cazuza cantava:
E eu escrevo:
Que coincidência é a vida, eu nunca mais vi você
A morte para mim
domingo, 12 de julho de 2009
Minhas continuações
Qual a escala do seu mapa?
Eu não me importo com os caminhos que você tenha percorrido até chegar no ponto onde a gente se encontrou sem querer. Você pode ter sido famoso, pode ter tido milhares de namoradas em todos os cantos do mundo, pode ter sido um cantor charmoso ou até um mendigo. [Mas o momento do nosso encontro marcou um ponto no mapa da sua vida.] Esse ponto é um começo. Esse ponto é o resto que vai vir a partir de então. As fotografias não vão sumir, as namoradas vão continuar no mapa também, mas a partir daqui eu vou estar nas fotos, eu vou sorrir com você, e o seu mapa vai se misturar com o meu. A gente vai traçar o resto juntos. Por isso, nada disso importa: eu já fui um alguém antes também.sexta-feira, 10 de julho de 2009
Eterna condição
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Se dissolvem as perguntas
Aquela menina
sábado, 4 de julho de 2009
Acontece
domingo, 28 de junho de 2009
Impressão
sábado, 27 de junho de 2009
Branco

quinta-feira, 25 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Eu tinha escrito e guardei

terça-feira, 23 de junho de 2009
O hoje da minha irmã
domingo, 21 de junho de 2009
Ele pesou a alma humana
Eu não sou cientista e nem me atrevo a fazer experimentos. Apenas escrevo e crio as minhas pseudoteorias. A respeito da alma, eu acredito que não tenha peso. Ela flutua sob nossas carcaças e às vezes se perde com o vento. Às vezes ela viaja para longe e volta uns tempos depois. Nem sempre a nossa alma nos acompanha.
Minha alma, por exemplo, já nem sei. Outro dia pensei que a tinha aqui comigo, engano meu. Eu a perdi já faz um tempo, mas ainda espero que ela volte.

MacDougall é conhecido até hoje pelo seu experimento dos 21 gramas, chegando até a inspirar um filme americano. No dia 16 de outubro de 1920, o The New York Times anunciava sua morte com o título: "Ele pesou a alma humana".
sábado, 20 de junho de 2009
an outflow
sexta-feira, 19 de junho de 2009
True-life fairytales
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Rótulos
terça-feira, 16 de junho de 2009
Ele ficou esperando
domingo, 14 de junho de 2009
Engano bem até
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Livro
Eu guardei o seu livro na estante dos meus livros preferidos. Prometi a você que eu o devolveria assim que terminasse de lê-lo, pois é, eu ainda não terminei. Eu li até a penúltima página e o fechei, guardei na estante. Sempre cumpro as minhas promessas e eu não faria diferente desta vez. Apenas não li o final do livro para não ter de devolvê-lo. Enquanto eu lhe dei minha vida inteira e o meu órgão vital, esse livro é a única coisa sua que eu tenho. E eu não pretendo nunca ler a última página, se você quer saber.segunda-feira, 8 de junho de 2009
Perda de tempo
domingo, 7 de junho de 2009
Recado na geladeira
Só queria avisarQue o mundo todo morreu
Que a água acabou
Que o céu se fechou
Que eu não moro mais aqui
E nem ali
E nem em lugar algum.
Tudo se foi
Sem deixar espaço para perguntas,
Respostas, ou afirmações.
Aqui nada mais cabe nem vive.
De resto, sobrou um pedaço de queijo.
sábado, 6 de junho de 2009
Peça
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Cemitério
domingo, 31 de maio de 2009
Olhos que não fecham

terça-feira, 26 de maio de 2009
Deus,
domingo, 24 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A minha garantia
Será preciso muita força do mal para derrubar todo o bem que eu construi, muita. Foi muita brincadeira de rua, muito amor de mãe, muita proteção de irmã mais velha, muitos livros do Pequeno Príncipe e do Pequeno Nicolau. Foram muitos anos de alegria para essa tristeza sua me penetrar. Pode me fazer chorar, pode me empurrar da escada, pode me desejar o mal, mas você não vai conseguir me transformar. Eu saio daqui, você vence. Mas sua vitória será temporária, porque para as pessoas do bem a vida é um conto de fadas, e contos de fadas sempre têm finais felizes. As coisas que não são tão simples
terça-feira, 19 de maio de 2009
Hoje eu quis ser esse cachorrinho

domingo, 17 de maio de 2009
E agora, José?
Tenho saudade de pessoas

Sei que nada disso é novidade. Mas eu sinto saudade de todas as pessoas que me fizeram dar gargalhadas de madrugada e de todas as pessoas que me fizeram pensar sobre determinado assunto. E também sobre assunto nenhum, mas me fizeram pensar. Tenho saudade das pessoas que me trouxeram pequenas alegrias e também alegrias grandes. Tenho saudade de quem ficou do meu lado quando eu precisei muito e de quem notou quando eu não estava bem. Tenho saudade de quem me fez enxergar a verdade, e de quem me ensinou coisas dessas que se leva para a vida toda. Sinto saudade de amores que tive e de amores que foram embora. E de todas as outras pessoas também, sinto saudade.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Sirenes dos meus ouvidos

domingo, 10 de maio de 2009
Na outra vida
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Pausa para o poeta
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Ensaio sobre o grito
Quando a gente grita, todo mundo pensa que estamos loucos. Todo mundo pensa que o silêncio é muito mais lúcido do que o grito. Pensam que o grito é um estágio alto do desespero. Pode ser, não sei. Aquela vez quando eu gritei, ninguém me chamou de louca ou me deu um calmante. Acho que viram a alegria do meu olhar. Quando a gente grita porque está feliz, ninguém nos chama de loucos. Ou então é a única loucura que todo mundo respeita.terça-feira, 5 de maio de 2009
sorte de quem ama
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Resposta um pouco tarde
Experimente passar um dia com uma pessoa encantadora. Um dia só. Eu duvido que até a lua chegar no meio do céu, você já não vai estar apaixonado por essa pessoa. Quando alguém é encantador, a gente se apaixona. Às vezes pode demorar meses, mas às vezes em um dia nossos olhos estão inevitavelmente mais brilhantes.
domingo, 3 de maio de 2009
Coleção

quarta-feira, 29 de abril de 2009
A little further
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Não peça
domingo, 26 de abril de 2009
Aos poucos me despeço

terça-feira, 21 de abril de 2009
Desabafo de um segundo, tão rapidinho que já me arrependi de ter escrito
segunda-feira, 20 de abril de 2009
O calar-se de depois

sexta-feira, 17 de abril de 2009
Things that only a poet would know
quarta-feira, 15 de abril de 2009
O passado é sempre engraçado
E eu vou dar muitas gargalhadas, afinal, essa é a parte boa disso tudo.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Olhar de quem olha
Adoro olhar para as pessoas. Mas olhar mesmo. Quando passa uma menina linda com um vestido todo florido eu paro a frase no meio e fico admirando-a assim, sem pudor nenhum. Algumas pessoas se incomodam, mas pouco me importa. Eu gosto mesmo é de olhar. Reparo também em crianças que começam a dançar no meio da rua, que conversam com o sorvete, que correm atrás de coisas coloridas que vêem no chão. [Eu também às vezes corro atrás de coisas coloridas que vejo. Às vezes descubro coisas lindas, às vezes me iludo.] Nunca deixo de olhar as pessoas. As pessoas e os seus olhares, os seus trejeitos, os seus jeitos de se vestir ou de caminhar. Essas coisas todas revelam muito. Às vezes muito mais do que as palavras que saem de suas bocas desesperadas. Uma vez eu disse a uma pessoa que falava demais: "Se você fosse mudo, você seria a pessoa mais doce que eu conheço." Eu gosto de olhar cada traço do rosto de alguém. Cada ruga, poro, cada detalhe. Gosto de tentar decorar os traços, embora seja uma tarefa quase impossível, levando em conta que não se pode acompanhar o que o tempo faz com nossos traços, mesmo quando se fica anos e anos casado. O tempo muda os nossos traços. O tempo puxa um pouco aqui, faz algumas manchas ali, muda tudo de maneira incontrolável. E é por isso que eu gosto tanto de olhar, eu sinto que se eu deixar escapar um pouquinho, talvez eu já não reconheça mais quem eu tanto conheço.quarta-feira, 8 de abril de 2009
Mas
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Insônia
¨
domingo, 5 de abril de 2009
Dedico
A minha dor lhes é suficiente?

O cérebro do meu coração
Eu perdi o meu tempo tentando te entender. E você perdeu tempo tentando me explicar. Mas no fundo nenhum de nós dois perdeu tempo algum.
Eu gostaria de entrar nos seus pensamentos e me comunicar com eles.
Tenho vontade de acelerar o tempo bem mais do que voltá-lo, porque as coisas que eu fiz, eu fiz por algum motivo, mas eu queria dar uma espiadinha do que vem depois.
Em um minuto eu sinto o meu peito lotado, em outro ele já está vazio.
Eu teria milhares de peixinhos coloridos no meu quarto, se eu não tivesse que limpar o aquário, porque às vezes eu sinto uma necessidade extrema de observar peixes.
Gostaria que o meu choro servisse para resolver as coisas uma vez ou outra.
segunda-feira, 30 de março de 2009
domingo, 29 de março de 2009
A tal da reciprocidade
quarta-feira, 25 de março de 2009
Ainda bem que Galileu estava certo

terça-feira, 24 de março de 2009
You are not as strong as you show
I see more than you show me, more than you show people.
I see your weakness.
And I like you even more because of that.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Vão-se os dedos e os anéis
¨
domingo, 22 de março de 2009
A qualquer momento

Você, que não é perfeito
sexta-feira, 20 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Solidão
http://www.youtube.com/watch?v=OOp0QFAnTS4
¨
domingo, 15 de março de 2009
Dente-de-leão

sábado, 14 de março de 2009
Sorriso
sexta-feira, 13 de março de 2009
Enough.
Eu espero, tão conformada com a vida, que ela me traga alguma coisa extraordinária. Nada menos. Já me bastam as coisas ordinárias do dia-a-dia. Já me bastam os muitos 'nãos' e os poucos 'sims' que eu recebo. Já me bastam as mentirinhas diárias e as pequenas gargalhadas. Já me bastam. Quero algo extraordinário. Eu quero olhar para alguém como o meu pai olha para minha mãe. Mas eu quero alguém que me olhe de volta. Já me bastam as desistências covardes que me surgiram. Mas talvez o segredo seja outro, talvez o segredo seja não esperar.quarta-feira, 11 de março de 2009
chuva
segunda-feira, 9 de março de 2009
Para Oscarlina
sábado, 7 de março de 2009
Átomos

¨¨
Quando eu te vejo
-Vamos tomar um sorvete? Olhar as ruas e as pessoas? Quero te contar sobre os meus sonhos de sempre.
Então nós vamos. O papo é o de sempre, o sorvete é o mesmo sabor de sempre e não há nada de novo. Mas de repente a gente começa as risadas, também de sempre, e eu começo a ficar com vontade não só de acordar, mas de não ir dormir nunca mais. De repente você me mostra o quanto eu sou divertida, o quanto eu importo no mundo e para você. De repente, você nem sabe disso, mas você salva a minha vida. E é assim todos os dias que eu te vejo.
Obrigada, Croki.sexta-feira, 6 de março de 2009
O perdão é assim
-Perdôo. -Ele respondeu.
E o joelho do menininho continuou com treze pontos.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Clair de Lune
segunda-feira, 2 de março de 2009
Ceneri
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Formigas e diamantes

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Don't disappear
Eu achei graça a princípio. Para um americano isso não faria muito sentido, porque o que ele quis dizer faz mais sentido em português. Depois comecei a pensar, e meu amigo do farol tem toda razão. É isso mesmo que as pessoas fazem: elas desaparecem.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Uma hora
Enquanto o dia ganhava uma hora, um gato comia ração. Uma folha seca caía de uma árvore velha e uma mãe gritava com um filho. O ponteiro de todos os relógios ficou parado, porque estava na hora de acabar com o horário de verão. Até o ponteiro do relógio daquela professora malvada ficou parado. Bem feito: ela esperava o marido chegar. A noite que já era longa, ficou mais longa, e a música não parou de tocar, porque ainda tinha uma hora de festa. Um avião que passava ali por cima avisou os passageiros: "Voltem uma hora nos seus relógios!" E todos os passageiros sorriram: "Ganhamos uma hora!". Enquanto os bombeiros não apagavam nenhum fogo que não acontecia naquela hora, eu, distraída, deixei a hora passar. Os ratos imundos entravam nos esgotos, as bolas de basquete pingavam no chão, as nuvens formavam suas chuvas, as barrigas de mães grávidas cresciam mais uns milímetros. E eu poderia ficar feliz que ganhei mais uma hora para o meu dia. Eu poderia sorrir ou celebrar, como todos faziam. Poderia tomar uma taça de champagne e me alegrar. Mas eu não, eu não me alegrei.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Os 50% do amor
"As pessoas não tem culpa se você gosta delas. O sentimento é seu. A culpa é sua. A responsabilidade é sua."
Não concordo, garotinho. 50% para cada.
50% culpa de quem gosta, 50% culpa de quem é gostado. Porque ninguém gosta de alguém porque escolheu aquela pessoa, essas coisas a gente não escolhe. E ao mesmo tempo, há uma fração de segundo em que se é possível escolher: se encantar ou fechar a porta.
Os medrosos fecham a porta e põe a culpa no outro. Os aventureiros se jogam com tanta força que às vezes chegam até a quebrar alguns membros do corpo. Às vezes até um órgão vital. O coração, por exemplo.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Obrigada
Andava aflita para lá e para cá, com mil coisas para fazer. Estava estressada, minha cabeça voava em mil coisas. Tinha que ir para o andar de cima do prédio, então peguei o elevador. Assim que entrei no elevador, dei de cara com ele: o limpador de espelhos. Era um senhor bem velhinho que limpava o espelho do elevador com uma calma, uma paz tão grande. Esqueci de todos os meus problemas, esqueci para onde estava indo e por que eu estava ali. Fiquei observando a calma daquele ser. Ele passava o rodinho, tirava o sabão, depois repassava, até o espelho ficar brilhante. E como ficou brilhante! Aquele senhor devia ter muita experiência, pois tinha feito um excelente trabalho. E melhor ainda: me emprestou um pouco de sua paz.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Água doce
E eu te desse um beijinho,
Me diga: Ele seria docinho?
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Pode ir, meu príncipe.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Eu li em um livro e lembrei de você
(O Deus das Pequenas Coisas - Arudathi Roy)
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Vá achar a tua menina
Talvez você encontre a menina que nunca disse eu te amo, a menina que não gosta de sair, que não escreve sobre você e nem ninguém. Tua menina deve estar em algum lugar, aquela que não te chama de nomes de bichos (porque você diz que não gosta) a menina que não come muito, que não bebe nunca, que não liga nem um pouco porque você paga todas as contas. Vá procurar em outro lugar a menina que não dá risada mesmo quando você está a mandando embora. Onde será que está a sua menina? A menina que só gosta de tocar piano e esperar acabar o seu treino. A menina que se apega a você tão rápido, mas que não desapega rápido de jeito nenhum, ela não pode ter essa doença. Você não deve perder tempo, mesmo no meio dessa sua confusão, vá achar a tua menina. Essa menina deve ser mesmo linda, eu até quero conhecer a menina que merece ouvir o seu eu te amo. sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
O meu primeiro amor
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Você me deixou

Para G.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Se
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
Post-it na pele
Mas foi quando eu estava no meu carro, ouvindo uma das minhas músicas preferidas, que eu descobri o que vou tatuar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
A interminável lista de coisas que eu queria saber
- Queria saber se Deus concorda que à noite os homens durmam, e de manhã os homens trabalhem. Se ele fez a noite ser escura só para que ninguém enxergasse nada e fosse dormir, ou se ele quis que os homens fizessem um esforço e vivessem a noite, mas ninguém o obedeceu.
- Queria saber se é verdade que todo mundo tem um dom. O dom de cantar, de contar, de correr, de nadar, de ser líder (como Gandhi) ou de transmitir paz (como Dalai Lama). Se for verdade mesmo, eu gostaria de saber qual o meu dom.
- Queria saber quem é Graça e se ela trabalha mesmo com os filhos. Porque todos os dias eu passo perto de um restaurante chique de São Paulo e vejo um monte de cestas, dessas de feira, com muitas frutas frescas e um rótulo escrito: "Graça & Filhos". A Graça é quem recolhe as frutas e os filhos a ajudam a colocá-las nas cestas e vendê-las?
- Queria saber se você, às vezes, pensa em mim.
Minha lista é interminável e eu não me atrevo a terminá-la.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Feliz ano novo
domingo, 11 de janeiro de 2009
Enquanto espero que você venha [ou que a vida passe]
Penteio o meu cabelo. Escuto música. Enjoo da música. Passeio pelas novas fotos. Decoro os novos rostos. Escuto os pernilongos passearem pelo meu quarto. Olho o relógio (de novo). Apaixono. Desapaixono. Leio algumas páginas do meu novo livro. Fico sem entender as notícias que não acompanho. Sinto a terra girando. Pergunto a Deus se ele existe mesmo. Ele me ignora. Pergunto ao meu pai se ele está em casa. Ele grita lá do quarto que sim. (E nele eu posso acreditar). Resolvo mudar de nome. Alice. Penso na morte. (A vida é muito tola por aqui). Escrevo livros na minha cabeça. Apago algumas frases. Meu coração dispára. Não, não era o seu perfume. Meu coração demora, mas volta ao ritmo normal. Vou a procura de um motivo. Não encontro. Volto a me chamar Clara. Fecho os olhos e durmo. Amanhã é um outro dia, e a vida passou mais um pouquinho.sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Intocável
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Esse meu sentimento de você
Sabe, já estava na hora de eu conhecer as nuvens.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Disfarce do tempo
Às vezes o tempo parece que está de gracinha com a gente: ele brinca de não passar.¨
domingo, 4 de janeiro de 2009
Heartless
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Sobrevivi
Eu passei no teste. Não reprovei em nada. Estou bastante viva. Não morri quando me apaixonei completamente e fiquei só. Ou quando senti tanta saudade mas não pude matá-la. Não morri por causa de gente que pisou na bola, nem de gente que mentiu por maldade. Sobrevivi. Sobrevivi também depois de ter passado por apertos financeiros, depois de ver meu melhor amigo partir sem deixar recado, depois de ter ficado por muito tempo sem chão. Não morri também depois de ter perdido a confiança, a alegria, a vontade de sorrir. Posso ter ficado triste por um tempo, desanimada, desconsolada, perdida. Mas sobrevivi. Estou mais forte, mesmo que eu não consiga ver isso agora. Estou mais esperta e mais consciente. Foi uma longa batalha, foi uma vitória difícil, mas fui campeã. Que o próximo ano também venha cheio de testes, e que eu continue passando, sempre.Feliz ano novo a todos.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Temporal de dentro

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
Casamentos
Estávamos todos indo para o casamento da amiga da Mariana. Meu pai, minha mãe, a Carol, a Mari e eu. No caminho a minha mãe virou para o meu pai com sua vozinha doce e disse: quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
A minha vida em um chapéu
Eu andava na rua e vi um homem de chápeu.segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Poesia de música
Eu fui logo pegar o extintor de incêndio.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Tópicos da minha madrugada
2. Quando se fala muito, corre-se o risco de falar demais.
3. Eu não queria ter conhecido aquele seu olhar antes da hora, tive medo do seu olhar.
4. Quando se faz uma escolha, deve-se afogar todas as renúncias no oceano, e não olhar para trás.
5. Por favor não tenha pressa. Esse é o tempo da correnteza do rio, se você se apressar, pode morrer afogado.
6. I love when you sound so interested in my day.
7. Acabo de me dar conta que eu avalio pessoas pelo modo como elas chamam o garçom. Até hoje não encontrei ninguém que tratasse o garçom exatamente do jeito que eu gosto.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Não adianta
Sobre o quê iremos falar? Sobre o que você nunca disse? Ou sobre o que eu sempre tive que adivinhar?
Podemos então falar sobre a praia que sempre ficou nos esperando, que eu fiquei esperando, mas você não me levou. Podemos falar também sobre as fotos que eu sempre quis tirar, mas você nunca levou a máquina. Ou então a gente pode falar sobre todos os textos que eu escrevi para você, mas você nunca disse nada. Você gostou?
Essas coisas a gente pode sim falar, mas por favor, não me pergunte por que eu fui embora.
Eu fui embora porque um dia eu percebi que o amor não é mudo. Porque eu percebi que eu quero ficar rouca de tanto conversar de madrugada. Porque eu vi como o horizonte é infinito e eu quero andar nele até cansar. Eu fui embora porque eu vi como a vida estava me chamando e eu não podia mais deixar o tempo passar assim, tão à toa.
domingo, 7 de dezembro de 2008
O meu jardim
Existe vida a essa hora da noite? Existe vida nos seus olhos agora, ou eles estão apagados? Existem pensamentos nos seus sonhos, ou apenas figuras desconexas? Eu sou uma figura desconexa nos seus sonhos?Às vezes você me olha de um jeito que eu penso que sou uma figura desconexa do mundo.
Eu penso se, quando você se sente sozinho, você se lembra que a minha mão pode segurar a sua. Eu não penso na sua mão quando eu estou sozinha. Eu prefiro pensar num jardim enorme onde eu posso correr. Você agora dorme?
Eu durmo. E no meu sonho, o jardim onde eu corro é a sua mão.
sábado, 6 de dezembro de 2008
A falta de plumas do mundo
Ela podia ser minha amiga. Podia ser minha colega, minha prima, minha sobrinha, até a minha irmã. Mas não, ela não era nada meu. Nem conhecida. Aquela era a primeira vez que eu me deparava com aquela garota. A garota que recebeu um não da vida e que dormia na calçada. Tive vontade de chorar, um embrulho do estômago. Não consegui fazer como todos faziam, passando por cima e seguindo os seus caminhos. Também não havia muito que eu pudesse fazer. Só consegui ficar ali parada e olhar os seus olhos cheios de dor, que dormiam. A garota tinha roupas rasgadas, meias rasgadas, tênis rasgado e a alma profundamente rasgada. A única coisa que não havia se rasgado (tanto) era a sua beleza. E aquilo me doía mais. Ela podia ser minha amiga. Podia estar dando risada tomando um café comigo por aí. Mas não, ela estava deitada na calçada, por falta de onde deitar. Não, ela não tinha motivos para dar risada e nem dinheiro para tomar um café. Pensei em quem é que escolhe quem vai deitar na calçada e quem vai deitar em plumas. Pensei em quem escolheu aquela garota para deitar ali. Quem teve coragem de dizer: "Você não vai ter oportunidade. Você vai sofrer e dos seus olhos só sairão lágrimas. A sua alma vai estar rasgada e essa vai ser a sua condição." Quem é que tem coragem de escolher o sim e o não? Quem tem coragem de dizer não a olhos tão tristes? Quem teve coragem de tirá-la de uma cama? Quem não inventou mais espaço no mundo para as pessoas não precisarem deitar na calçada? Como consegue alguém deixar que algumas almas se rasguem? Só conseguia pensar em como ela podia ser minha amiga, mas não. Ela deitava na calçada.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
só esquece.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Estação das flores
Acho incrível as flores terem as suas estações para aparecer. Algumas no verão outras no outono. Algumas são do frio e outras abrem quando as folhas das árvores caem. Eu costumava perguntar para minha mãe: "Quando é época de joaninhas?" Só mais tarde eu fui descobrir que eram as margaridas que tinham se fechado, fazendo as joaninhas esperarem em algum outro lugar. Onde se escondem as flores quando não é a estação das flores? Acho lindo as flores ficarem pacientes esperando a sua época do ano para florecer. Se o sol chegar mais cedo, as flores florecem mais cedo também? E se a chuva prolongar, elas tem de esperar mais tempo? Quando alguém as arranca do chão, elas sobrevivem pouco tempo no vaso. O vaso as deprime. O vaso é uma jaula. Eu não gosto de vasos. E se eu fosse uma flor, eu iria nascer fora de época, porque o meu sol já apareceu e nem era a minha época.
domingo, 30 de novembro de 2008
Em breve
Eu te encontrarei em breve, muito em breve. Quando a chuva parar de inundar o mundo e os meus olhos. Quando as ilhas pararem de flutuar sobre as águas do mundo e da minha mente. Quando eu souber escutar os pedidos de ajuda, quando eu lembrar o nome das pessoas que me ajudaram. Eu lhe avistarei de longe. Será como quando alguém que anda pelo deserto consegue enxergar a alguns metros um poço d'agua. Como quando uma criança se perde da família e depois reconhece os pés de sua mãe. Ou quando acaba a energia e se fica no escuro por muito tempo, a luz volta e as coisas parecem voltar ao seu rumo. Eu vou achar o meu rumo quando eu escutar o seu pedido de ajuda, e eu vou lembrar do seu nome.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
As mãos que eu soltei
Odeio despedidas, mais do que todo o mundo. Principalmente porque eu nunca consegui segurar a mão de alguém que eu nunca mais quis soltar. Todas as minhas despedidas são tristes, desesperadas e me ardem tanto, porque elas apenas me lembram das mãos que eu soltei.sábado, 22 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Curva
Secretamente
Eu quis, secretamente, que ele não viesse.quinta-feira, 20 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Arre-perder
Jogo num rio, onde ele se dissolverá e sumirá para sempre?
Dou para você guardar de souvenir, junto com seus outros caprichos?
Guardo para mim, e deixo que ele me encolha?
O que eu faço com o arrependimento, diz?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Platão de perto
Eu queria que você ficasse me olhando de longe, enquanto eu estivesse distraída. Queria que você escrevesse poemas secretos para mim e eu nem imaginasse. Queria que você olhasse minhas fotos, procurasse os meus amigos e chamasse o meu nome sem eu saber. Eu queria que você me descobrisse antes, que eu fosse escolhida por você. E que assim, bem de repente, nossos olhares se encontrassem, depois de tanto se procurar em outros olhares.Você é dessas pessoas que observam as outras de longe?
domingo, 16 de novembro de 2008
Os morangos da minha irmã

A minha irmã tem cheiro de morangos. Não sei como ela faz isso, mas mesmo no dia de maior calor, mesmo sem perfume, mesmo dormindo, o seu cheiro é de morangos. Eu nunca disse isso a ela, e acho que ela nem sabe, mas sempre que ela fica longe por um tempo, até os morangos ficam sem cheiro.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Tênis de corrida
Eu queria escrever alguma coisa, mas tenho medo que você leia e saia correndo. Eu tenho um medo constante de que as pessoas saiam correndo, mesmo porque as pessoas estão no direito de saírem correndo. Eu sempre saio correndo, bem mais do que o mundo todo. Acabei de terminar uma longa corrida, e não venci, porque não era dessas corridas que alguém na frente ganha. Não sei porquê exatamente, mas acho que eu não vou correr de você. Só que eu não tenho certeza ainda. Então eu deixo o meu tênis ali, só para garantir.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Pequena constatação
sábado, 8 de novembro de 2008
Um poeta sem alma
Manuel Bandeira recomendou-me, em um de seus poemas libertinários, que largasse a minha alma, se eu quisesse sentir a felicidade de amar. "Porque os corpos se entendem, mas as almas não". Sim, eu largarei minha alma. Deixarei-a vagando por aí, infeliz, solitária, perdida.quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Nem cinco minutos
Hoje eu finalmente notei que eu estava envelhecendo cinco minutos. Eu estava vivendo cinco minutos na frente do tempo. Eu estava adiantando a minha vida. Pior: Adiantando a minha morte!
Atrasei cinco minutos o meu relógio. Prefiro chegar sempre atrasada do que viver cinco minutos a menos.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Presa
É meu olho que sente.
É você que vem, é o que sei.
Eu sinto o seu cheiro, de gente que chega.
Se a gente vai, é pra lá que vamos.
Você quer ficar, nos amarramos.
Mas eu não vou, sou eu que fico.
Porque é o meu passo
-o que me prende.
A sua boca não pode dizer adeus
Não diz
Só se for pra ficar
É que eu vou ouvir.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
O pai e a filha (ou a minhoca e o urso)
A filha chegou em casa toda chorosa. Logo se esparramou na cama do pai e chorou tudo que a incomodava: o coração, o trabalho, a faculdade e todas as suas picuinhas de filha. O pai ficou de certo um pouco preocupado: bolou gráficos, tabelas e métodos para melhorar a alma bagunçada da sua pobre filha. Explicou-lhe sobre meninas que andam vazias e precisam de outros artefatos para se preencher, sobre como conseguir sair de onde está, sobre propagandas de conhaques italianos e sobre outras coisas que só a filha e o pai podem entender. A filha enxugou suas lágrimas e se conformou por hora. Abraçou o pai e foi tratar dos seus desesperos. O pai ficou parado por uns instantes e sorriu. O desespero da filha, suas lágrimas tristes e inquietude eram mesmo ruins, mas ele não podia deixar de alegrar-se em ver que sua filha ainda precisa dele, e muito.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Frustrated Fears
domingo, 26 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
In-definitivo
Quando você foi embora eu descobri que nada é definitivo. Quando eu fui embora eu estava com medo de ficar definitiva. Hoje eu só quero que dure até amanhã.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Partes
domingo, 12 de outubro de 2008
O rei solitário
Naquele dia, o sol não me parecia tão grande quanto diziam os cientistas.Ninguém jamais poderia botar os pés naquela bolinha amarela,
Porque era quente demais, grande demais, e tinha fogo demais.
Eu aqui com tanto frio.
Ele lá emcima, de fogo, sozinho.
Eu aqui embaixo, de pele, sozinha.
Ele rei soberano de toda a via láctea, sozinho.
Eu aqui, sozinha, tentando entender tanto fogo.
Ele solitário como eu.
Questionei todos os cientistas e a humanidade naquele dia.
O sol não é rei, não é o que manda nos movimentos da terra, não é quem define as estações.
O sol, para mim, é como eu: apenas uma bolinha
na solidão do universo.
¨
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Às vezes funciona (a meu favor)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Entre aspas
Na hora eu não soube bem responder,
e isso só o ajudou a pensar que eu realmente não sei quem eu sou.
Me desculpe, eu não sei mesmo. Não faço idéia.
-Na verdade eu nem me importo muito com isso agora.
Seja como for, é assim que eu sou (por enquanto).
Acontece que hoje eu me lembrei que eu sempre tive um sonho, só nunca soube colocá-lo em palavras.
Eis que acabo de conseguir juntar as palavras exatas:
O meu sonho é um dia ler algumas palavras minhas, quaisquer que sejam, entre um par de aspas.
É esse o meu sonho.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Pensamento
Encontrei aquele velho senhor que eu encontrava quando caminhava com maior frequência.
Eu simplesmente acenei e iria continuar minha caminhada, mas ele falou:
-Como vai?
-Bem, e o senhor? -eu disse.
-Estou bem, faz tempo que você não caminha por aqui, antes eu te encontrava sempre...
Conversamos mais um pouco e eu estava prestes a virar, como pedia o meu trajeto, mas eu precisei seguir em frente para não deixá-lo falando sozinho.
Então, eu me dei conta de que minha insignificância é significante para um senhor que caminha todos os dias. Eu me dei conta que eu fiz alguma falta na vida de uma pessoa que não fez falta na minha. Eu, de fato, ocupo um espaço qualquer em um universo.
Aquele senhor naquele momento ocupou um espaço no meu universo, porque ele sem se dar conta, mudou o meu trajeto.
Sabe, às vezes as pessoas nos fazem mudar nosso trajeto.
domingo, 5 de outubro de 2008
sábado, 4 de outubro de 2008
Depois do fim
Te quero quando não quero mais nada.
Eu desejo o seu beijo, quando todas as bocas secaram.
Eu te vejo quando meus olhos cansaram de ver.
Te chamo quando minha voz rouca não atinge mais outros ouvidos.
Você está onde só restou o fim da festa,
-E não há mais ninguém no salão.
Porque depois de todo fim, é você que permanece.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Anti-espelho
Eu queria conseguir ver a mim mesma.
O espelho é mais uma janela sem fim.
No reflexo: rugas que ainda virão.
Algumas lágrimas e muita máscara.
Eu não sei onde fica o meu rosto,
é no pé ou é no coração?
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Eu nunca fico
Acreditei em algumas besteiras que me disseram uma vez. Então, quando eu terminei de escutá-las, eu saí por aí, toda acreditosa. Mas aos poucos eu fui ficando pequenina. Porque as árvores pareciam rir de mim. O vento parecia rir de mim. As estantes e os relógios: tudo ria de mim. Eu quis chorar e me esconder -era tudo mentira e eu tinha acreditado. E foi então que eu decidi virar uma mentirosa. Eu falo que fico, mas me vou. Eu nunca fico.sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Alguns dias
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Beija-flor
Por que foges, beija-flor?domingo, 21 de setembro de 2008
Desperdício
Faz um tempo que eu já não consigo mais contar as horas. Eu olho para o meu relógio, vejo esses números todos dançando em círculo, e eu só consigo entender que mais um dia está chegando ao fim. Ele parece que rouba o sol, a claridade do mundo. Prefiro que as horas passem desbercebidas. Assim, dói menos o desperdício de mais um dia sem tudo que me falta.quarta-feira, 10 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
Medo
Eu não tenho medo da morte porque eu quero que ela se dane. Não tenho medo da morte porque ela vai me matar de qualquer jeito, nem adianta tentar qualquer coisa. O meu pai mesmo sempre fala com aquele jeito de sabe-tudo: "A única certeza que se pode ter é a morte." Como eu poderia ter medo da minha única certeza? Mas sabe, hoje eu acordei com um pouco de medo dela. Não que eu ache que eu vá morrer daqui a pouco, mas eu fiquei com medo de ela chegar atrasada. Eu não suporto esperar. Imagine se eu fico sozinha esperando, e ela não vem? Porque da solidão sim, dessa eu morro de medo.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Única condição
. Não quero mais ficar triste, mas hoje é assim que eu estou.não quero consolo
domingo, 31 de agosto de 2008
Manequim

Finja que sou sem cor, e pinte-me da cor que quiser.
Se quer que eu seja deusa, serei uma deusa.
Se quer que eu seja só o som da minha voz, serei só o som.
Mas não esqueça de se desiludir depois de fingir.
Eu não sou manequim.
Você gostar da minha cor,
Então prepare a sua velhice: iremos caminhar juntos.
sábado, 30 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
(des)inspiração
uando eu sinto vontade de escrever, eu estou quase explodindo de vontade. E não há cadernos, livros, papéis ou blogs que me segurem. Eu vou escrevendo desesperadamente em qualquer canto do mundo. Do meu mundo. Escrevo até na parede se me for preciso. Minha mãe grita lá da escada: "Menina que loucura é essa? Se isso não sair da parede vou fazer você apagar com a boca!" Mas quando essa vontade não vem, não há beijos, saudades, dores ou alegrias no mundo que me façam escrever. E parece até que a terra gira um pouco mais rápido, para ver se me inspira.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Minha primeira despedida
Eu ficava lá, sem precisar me preocupar com respiração, comida, palavras. Às vezes eu ouvia sua voz bem distante cantando uma música suave para mim. Eu dormia bem. Sonhava com coisas que eu não conhecia. Sonhava uns sonhos sem cor ou formas. Era tudo tão tranquilo, em paz. Um oceano sem começo nem fim. A única coisa que importava é que eu cabia ali, o espaço era suficiente para eu e você. Mas eu comecei a não caber mais... Eu comecei a precisar ir embora dali, forçadamente. Eu não queria partir. Eu não queria ouvir maldades, sentir tristeza, solidão, desconforto. Mas eu tive que partir. Foi então que eu senti o meu primeiro trauma: quando eu tive que sair do útero da minha mãe.quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Era tudo tão frágil
domingo, 17 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
O passo que falta
Ela espera que ele fale.
Ele não diz, ela não sai do lugar.
Eles se amam assim: mudos e parados.
Mas nenhum dos dois sabe...
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Linguiças, tremas e unhas roídas

Hoje eu não vou postar nada, mas só porque hoje nada me inspirou. Não acho legal esse negócio de ficar enchendo lingüiça só para atualizar o blog.
Acho que podemos até marcar uma festa de despedida para ela, a trema. Afinal, é uma viagem só de ida ao céu das coisas extintas. Será que existe um céu de coisas exintas? Acho importante saber disso porque aqueles adesivos brilhantes que eu colecionava quando era pequena agora devem estar nesse céu. Junto com algumas barbies e algumas manias minhas, como roer unhas, que eu consegui parar no ano passado.
domingo, 10 de agosto de 2008
sábado, 9 de agosto de 2008
Aquela noite
Naquela noite, não sei quantas pipas ficaram presas em fios elétricos. Não sei quantos cães morderam seus donos, não sei quantos amantes tiveram que se separar. Eu sei que a lua estava cheia. Eu sei que você me olhava com admiração e eu te olhava com desejo. Não sei quantos frascos de perfume quebraram exalando cheiros por toda parte. Eu não sei se haviam aviões caindo em algum lugar do mundo. Mas eu sei que a primeira piada que eu te contei foi a do cavalo, e eu sei que foi a primeira vez que você fingiu achar graça de alguma coisa minha. Eu não sei de tanta coisa, que não caberia nem mesmo naquele seu enorme tênis de handball. Mas eu sei de algumas, que cabem aqui neste poema. Sei que ali começava alguma coisa que pode acabar amanhã, mas será eterna. Que os seus olhinhos continuam pequeninos, mas agora você tem cara de homem. Que o seu cheiro mudou muito, mas é o mesmo daquela noite. Que o sabor daquele pirulito era para ser morango, mas acabou virando o gosto da sua boca. As coisas que eu não sei, vou passar o resto da minha vida sem saber. Mas as coisas que eu sei, nem em uma vida inteira eu esqueceria.












