segunda-feira, 17 de agosto de 2009

One silly little thing


- I will give you the world. I will give you anything you'll ask. Anything you want.

- Do you promise me?

- Yes, I promise you. But hey, there is only one thing, one silly little thing that I can't give you.

- What? What is it?

- My heart.

- It's the only thing that I want.

- Should we say goodbye?

- I wish we didn't have to.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Se molhava você

Sem saber onde te encontrar
Fui caminhando devagar
De esquina em esquina eu virava pra ver,
Se quem vinha era você
Você, como sempre, não veio
Tudo ficou assim, tão feio
Eu triste, vazia
A minha tristeza invadiu o dia
Invadiu o céu, as nuvens
E o mundo, de repente, começou a chover
Só pra ver se molhava você...

,

E que perder tudo não é só perder o que se tem...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bailarina que atravessa a rua

Eu gosto de deixar uma luzinha bem fraca enquanto eu escrevo. Quase no escuro eu fico. Porque eu gosto de pouca coisa me denunciando. Não gosto de holofotes enquanto eu escrevo, não gosto que se torne uma coisa pública. Eu gosto de fingir que escrevo por acaso. Assim como quando uma bailarina atravessa a rua, meio que sem perceber, ela atravessa dançando.

domingo, 9 de agosto de 2009

Ampulheta de nós dois


Tudo que você diz guarda uma despedida triste. Mas só eu posso ouvir o adeus de cada palavra sua. Você tem um jeito manso de dizer que o mundo está desmoronando. E eu, secretamente, às vezes desejo que ele desmorone logo. Que tudo recomece com outro começo. E você sabe o que eu queria que mudasse, mas você, secretamente, não sabe se também queria recomeçar. A gente sorri para toda essa areia caindo na ampulheta, porque somos tão tolos... Mal sabemos que o mundo está prestes a rachar ao meio, e que cada um de nós vai ficar de um lado.

Na verdade

Na verdade,
Eu só gosto de ser quem eu sou
Porque tem você,
Para gostar do que eu sou...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Negativas que trago


Eu não pertenço a mundo nenhum, a hora nenhuma, a nada. Não pertenço a nenhum cheiro e a nenhuma mão. Eu não me encaixo em um quadrado e nem em um círculo. Eu não me encaixo. Eu não entendo as coisas, eu não sei das coisas, eu não encontro nada. Eu não sei o que é o amor do meu peito entupindo as minhas veias e bloqueando as minhas passagens, não sei. Nunca encontrei um cãozinho abandonado na rua e cuidei dele até ele crescer. Eu nunca cuidei de uma planta só minha. Eu nunca consegui traduzir meus pensamentos. Não entendo quase nada que me dizem. Não entendo palavras, desenhos, símbolos. Não entendo. Não faz sentido, não faço sentido. Tenho medo lá de fora, tenho medo do mundo. Tem dias em que eu sinto que eu não sou daqui. Tem dias que eu realmente não sou daqui. Sabe, eu acho que não sou daqui.


Upside down love

Quando tudo começa pelo fim, onde é que fica o começo?

sexta-feira, 31 de julho de 2009

I just had to let you know

Quando eu olho para você, eu não tenho vontade de beijá-lo loucamente. Eu tenho vontade de saber tudo que você pensa, tudo que você fez e vai fazer na sua vida. Eu tenho vontade de entender as frases que você não fala. Eu tenho vontade de conversar sobre tudo que eu quero saber e tudo que você sabe. Tenho vontade de sugar todos os seus pensamentos para dentro dos meus. Eu fico com vontade de roubar a sua calma, de roubar os seus medos e de te dar os meus. Eu fico achando que você me protege, mesmo que você nem se aproxime de mim. Sei lá o que me acontece, o seu olhar me acalma, mesmo que minhas mãos tremam um pouco. Eu não sei o que acontece, mas eu não consigo evitar. Quando eu olho para você, eu tenho vontade de descobrir um planeta novo.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Algum lugar


Tenho vontade mesmo é de jogar tudo pro alto e ir caminhar.
Não quero fugir de tudo como fez a minha irmã, e nem ficar parada sem saber.
Quero apenas caminhar.
Encontrar pessoas no caminho.
Sentar um pouco debaixo da sombra de uma árvore.
Acenar para as pessoas que vão ficando, e acenar conforme eu vou chegando.
Eu queria mesmo era caminhar,
até chegar em algum lugar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

domingo, 26 de julho de 2009

Anúncios

"Os verdadeiros poetas não lêem os outros poetas. Os verdadeiros poetas lêem os pequenos anúncios dos jornais".

Mário Quintana

Um garotinho que sorri assim


Tem um clipe no youtube que chama "Candy", o cantor é o Paolo Nutini. O clipe é uma graça, está entre os meus preferidos. É um casamento em um vilarejo. Você vê, pelo olhar do noivo, pelo sorriso dele, a alegria que ele estava sentindo na hora. Os convidados, os arranjos pelos cantos... É um casamento ao ar livre. São pessoas simples, mas como sorriem! É claro que eu imediatamente quis viver um casamento assim. Eu espero o quanto for, quero um casamento assim. A foto que eu selecionei não tem a ver com toda a história do clipe, com o que citei, mas é uma cena mágica. A carinha desse garoto aparece aos 1:31, e some em uma fração de segundo. Eu quis ter, além do casamento simples no vilarejo, um garotinho que sorri assim também.

sábado, 25 de julho de 2009

Chegar, partir.

Não sei quem decide a hora de partir, se é o vento, se são os pêlos do braço que cansaram de se arrepiar, se é o sol esperando a Terra dar a volta em torno ou se é uma mão que chamam de Deus. Eu não chamo de nada, eu vou embora porque é a minha hora, e eu deixo que partam, porque não cabe a mim decidir. Eu não sei de nada, mas eu não tenho medo de partidas. Me assustam as chegadas: nada determina a hora de chegar. As pessoas tiveram de partir de alguém e de algum lugar para chegarem até aqui. Me diz: de onde foi que você partiu?

Protetor

As pessoas usam óculos escuros e dizem que é para se proteger do sol.

Mentira.

Elas querem se proteger das outras pessoas.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

se o seu olhar fosse

Posso me esconder do seu olhar?
Posso fechar os meus olhos?
Os seus olhos mentem -e eu tenho medo de mentira.
Os seus olhos que me seduzem, já são de alguém -e eu bem sei.
Pobres olhos meus:
serão enganados, serão magoados, serão abandonados?
Se o seu olhar fosse tão só quanto o meu, poderíamos olhar juntos -para qualquer lugar.
Mas os seus olhos mentem.
E os meus olhos são fragéis demais para as tantas lágrimas que viriam.

A memória é um velho álbum de fotografias

Todo mundo é um fotógrafo.

A percepção da beleza se dá com uma foto tirada pelos olhos.


terça-feira, 21 de julho de 2009

domingo, 19 de julho de 2009

Efêmero

1: Vem do grego epheméros, que signifca: que dura um só dia;
2: De pouca duração; Curto; Passageiro; Transitório; Breve.

Antônimos
permanente
eterno


E no meu dicionário viria assim:

O pulo da bailarina. O sopro que apaga a vela. A vontade que precede o realizar. O "não" que quer dizer "sim." A vida da mosca. A vida do beija-flor. O bater de asas. O sono antes de dormir. A minha vontade de ir embora e nunca mais voltar. O caminho da gota de chuva, entre a nuvem e a superfície que ela toca. O nunca mais. O que se sente, e que de repente, não se sente mais. O último olhar descendo a escada rolante do aeroporto. O passarinho que nunca deixa que se aproximem. A água escorrendo para o bueiro. A sujeira indo com a água. O instante de uma fotografia. Uma barra de chocolate na mão de um garotinho no recreio. A hora do recreio para um garotinho que come uma barra de chocolate. Um amor que tive antes de saber que não era amor. O beijo de quem não queria dar um beijo. Um abraço forçado. A música preferida que começa a tocar em um lugar inesperado. Uma espera de três horas para alguém que esperou uma linda mulher que surge descendo a escada. Um amor de verão. Um inverno sem graça. Uma vida sem graça.


[Uma pequena ressalva: algumas das coisas citadas são simultaneamente eternas.]

O crime de partir


Meu cachorro é muito esperto, muito. Em absolutamente todas as vezes que alguém se despede, mesmo que efemeramente, ele pára todos os seus movimentos, fica estático. Começa a encarar a pessoa que parte de tal forma que a gente se sente culpado. "Calma, eu já volto! Só vou até ali." Não adianta. Ele fica extremamente triste. A gente fica achando que está cometendo algum tipo de crime, porque para ele talvez ir embora seja um crime.
Muito esperto, muito.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cazuza cantava:

"Que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou"

E eu escrevo:

Que coincidência é a vida, eu nunca mais vi você

A morte para mim

A morte, para mim, é uma espécie de sono prolongado onde, durante os sonhos da morte, não se revive o dia, mas a vida toda.

domingo, 12 de julho de 2009

Minhas continuações

Eu gosto de ler textos que não tem um fim. Textos que contam um pedaço de uma história ou relatam uma experiência, mas que não acabam. Uma frase encerra aquele relato com um ponto final, mas a história fica assim meio suspensa. Então eu começo a criar o que viria depois. Eu começo a colocar a minha vida naquele texto e as coisas ficam com a minha cara. Eu li sobre uma noiva que conhecia o pai do noivo. O encontro é puro, é bonito. Aquele texto termina com uma frase "e caminhamos calmamente para o carro" mas não acaba a história. E eu, na minha cabeça, criei um abraço, um casamento bonito e, como minha imaginação sempre manda no final, ninguém nunca mais sente frio. Não sei porquê, mas nas minhas histórias as pessoas não acabam felizes para sempre, elas apenas nunca mais sentem frio. E ficam com as mãos entrelaçadas, para o resto do que for. Felizes, é claro, mas não para sempre, por que a tristeza é linda. Tem que ter um pouco de tristeza entre um para sempre e o outro. Pelo menos nos meus finais.
Estou me sentindo um enorme e grosso livro de clichês.

Qual a escala do seu mapa?

Eu não me importo com os caminhos que você tenha percorrido até chegar no ponto onde a gente se encontrou sem querer. Você pode ter sido famoso, pode ter tido milhares de namoradas em todos os cantos do mundo, pode ter sido um cantor charmoso ou até um mendigo. [Mas o momento do nosso encontro marcou um ponto no mapa da sua vida.] Esse ponto é um começo. Esse ponto é o resto que vai vir a partir de então. As fotografias não vão sumir, as namoradas vão continuar no mapa também, mas a partir daqui eu vou estar nas fotos, eu vou sorrir com você, e o seu mapa vai se misturar com o meu. A gente vai traçar o resto juntos. Por isso, nada disso importa: eu já fui um alguém antes também.
Seremos juntos agora.
¨

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Eterna condição


E no final das contas o melhor é assumir a solidão. Não adianta fugir para um lugar lotado de pessoas, não adianta fazer trezentas ligações ou se esconder no edredon quentinho da cama. Talvez um livro, talvez. E talvez nem um livro. A solidão grita mais alto que a música, mesmo que as caixas de som estorem. A solidão é maior que a festa mais cheia da noite. A solidão segue o caminho mais longo. O importante mesmo é não ter vergonha ou medo dela. Porque no final das contas a gente descobre que a solidão faz parte da gente. Cada pessoa no mundo guarda um pouquinho de solidão dentro de si. Das mais alegres às mais solitárias. A solidão é a eterna condição humana.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Se dissolvem as perguntas

Não fico mais me perguntando para que servem as coisas. Por quê me sinto de tal forma com relação a algumas pessoas e a outras me sinto exatamente o contrário. Não me pergunto mais do que são feitas certas pessoas e por que tanta gente não vê o que eu vejo. Eu não pergunto mais. Talvez eu tenha enjoado de tanto buscar algo que não vai me tirar deste lugar. talvez eu não tenha mais aquelas curiosidades antigas. E talvez eu saiba, talvez eu simplesmente saiba, que a resposta é tão misteriosa quanto todas as minhas perguntas...

Aquela menina

A diferença dela com as outras tantas milhões de meninas do mundo era a sua calma. Ela tinha calma para viver, para respirar e, principalmente, calma para aceitar todas as outras pessoas.

sábado, 4 de julho de 2009

Acontece

Tenho milhares de coisas para escrever. Preciso tirá-las de mim, arrancá-las dos meus pensamentos, livrar-me de todas, e são muitas mesmo. Acontece que chega a inspiração, e leva tudo embora.

Tudo isso

-E isso tudo.... É paixão?

-Não. Curiosidade.

domingo, 28 de junho de 2009

Impressão

A impressão que eu tenho é que a noite apaga o sol, todos os dias.

E o sol acende de novo, todos os dias seguintes.

sábado, 27 de junho de 2009

Branco


Dizem que quando se ama, surpreende-se ao ser amado de volta. A reciprocidade não é exigência do amor. Dizem que aquele que ama, não espera ser amado de volta, porque ele apenas sente, não sabe dizer porquê ou como. Erra-se ao esperar que o outro ame de volta. Esse tipo de amor é egoísta, mesquinho. Se o outro ama de volta, sorte dos dois. Sorte do destino. Sorte, apenas. O amor não tem causa, não tem resposta, não tem consequência. É clichê falar sobre o amor, e eu nada sei. Mas sempre achei que o amor é a como a cor branca, uma mistura de todas as cores que existem. Todos os sentimentos misturados formam o amor.
¨

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Eu tinha escrito e guardei


O jeito dele de gostar das pessoas é diferente. Ele mesmo que me contou. Ele não se encanta em primeiros encontros. Ele nunca sentiu uma paixão dessas que leva tudo embora. Ele é um passarinho. E quando ele bate as asas, todo mundo espera para ver onde ele vai pousar. Mas ele não pousa nunca, ele voa. Eu criei um monte de ninhos em árvores que já nem sei mais. Claro que os meus ninhos ficaram lá, claro que foram bonitos um dia. O menino-pássaro tem muito o que aprender sobre os tantos tufões do amor. Eu posso ajudar nisso, sobre tufões eu sei. Mas eu aqui observando o seu vôo, acho que é ele quem precisa me ensinar a voar.

¨

terça-feira, 23 de junho de 2009

O hoje da minha irmã

Olha só que engraçado isso: minha irmã, lá na Austrália, falou que a noite daqui é dia de lá. Claro que eu já sabia, claro que isso é óbvio, claro. Mas eu nunca tinha parado para pensar direito. Eu nunca me importei com o fuso horário dos cangurus australianos, até terça passada. Ela falou ainda, brincando: "quem sabe eu espio a resposta dos seus problemas aqui no futuro e te ligo para contar!" Pensei, então, que eu nunca mais vou ficar sozinha enquanto ela estiver lá.

domingo, 21 de junho de 2009

Ele pesou a alma humana

Em 1907, um cientista completamente poético fez um experimento pesando pessoas antes e depois de morrerem. Ele criou a tese de que, como as pessoas perdiam 21 gramas após falecerem, este seria o peso da alma.

Eu não sou cientista e nem me atrevo a fazer experimentos. Apenas escrevo e crio as minhas pseudoteorias. A respeito da alma, eu acredito que não tenha peso. Ela flutua sob nossas carcaças e às vezes se perde com o vento. Às vezes ela viaja para longe e volta uns tempos depois. Nem sempre a nossa alma nos acompanha.

Minha alma, por exemplo, já nem sei. Outro dia pensei que a tinha aqui comigo, engano meu. Eu a perdi já faz um tempo, mas ainda espero que ela volte.



MacDougall é conhecido até hoje pelo seu experimento dos 21 gramas, chegando até a inspirar um filme americano. No dia 16 de outubro de 1920, o The New York Times anunciava sua morte com o título: "Ele pesou a alma humana".

sábado, 20 de junho de 2009

an outflow

I really enjoyed the movie. I enjoyed the company, the cold weather and your laugh. Everything could not be more perfect. I even felt as if I was in paris at a certain point, with the skyscrapers, the lights and everything. Nothing is wrong with you or your beautiful smile. I just hope that my lonelyness did not turn me into a cold, distant, empty person. Did it?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

True-life fairytales

Minha mãe uma vez me disse que por trás de toda história há um conto de fadas. Muitas foram as noites violentas, os silêncios ensurdecedores, as lágrimas sem sal, até me esqueço da frase da minha mãe. Como aquela vez que ralei meu joelho no chão e perdi a vontade de correr. Ou quando perdi o meu primeiro amor, o segundo e o terceiro também. Ou como acontece todos os dias quando abro o jornal e não acho nenhum conto de fadas em histórias de gente que morreu, ou que ainda vive, mas vai morrendo todos os dias de tristeza ou fome. Os fins que a gente dá mas que nunca se darão. As portas trancadas com suas chaves perdidas por aí. As tristezas que você vem me dizer enquanto chora. As pessoas que batem no meu vidro pedindo um pouco do que eu tenho. As coisas me confundem e não encontro contos de fadas. É incrível, mesmo depois de tanto tempo eu só consigo encontrar conto de fadas no colo da minha mãe.
¨

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Rótulos

Adoro tentar descobrir as frases que as pessoas teriam nos seus rótulos, se as pessoas viessem com rótulos. Claro que eu já tentei criar um para mim, mas eu sempre mudo. Hoje eu entrei em um blog e encontrei uma menina que dizia que é "uma pessoa feita de pequenas saudades". Ei, menina desconhecida, posso usar o seu rótulo para mim também?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ele ficou esperando

Há pouco, uma menina quase partiu para abraçar um sonho que a esperava do outro lado da calçada. Acontece que um ônibus desses de dois andares parou bem no meio da rua e a menina não pôde atravessar. O farol custou para ficar verde novamente e a menina ficou bastante irritada. Ah, mas como foi bonito ver o ônibus saindo da frente e a menina correndo para abraçar o sonho que ficou ali esperando, você precisava ver que cena mais linda.
¨

domingo, 14 de junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Livro

Eu guardei o seu livro na estante dos meus livros preferidos. Prometi a você que eu o devolveria assim que terminasse de lê-lo, pois é, eu ainda não terminei. Eu li até a penúltima página e o fechei, guardei na estante. Sempre cumpro as minhas promessas e eu não faria diferente desta vez. Apenas não li o final do livro para não ter de devolvê-lo. Enquanto eu lhe dei minha vida inteira e o meu órgão vital, esse livro é a única coisa sua que eu tenho. E eu não pretendo nunca ler a última página, se você quer saber.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Perda de tempo

Não é que eu seja tola ou inocente. Eu apenas amo as pessoas muito antes de descobri-las. E na hora de descobri-las eu as descubro já com os olhos do amor, que são tantas vezes cegos. Todas as vezes, as boas e as ruins, houve o meu amor e ele nunca foi desperdiçado. Todas as pessoas que eu amei, de uma forma ou de outra precisaram do meu amor. E eu não me importo em saber se elas o mereciam, isso já seria perda de tempo.
¨

domingo, 7 de junho de 2009

Sem novidades

Só queria avisar,
que o mundo todo morreu,
que a água acabou,
que o céu se fechou,
que eu não moro mais aqui,
e nem ali,
e nem em lugar algum.
Tudo se foi,
sem deixar espaço para perguntas,
respostas, ou afirmações.
Aqui nada mais cabe nem vive.
De resto, estou sem novidades.


¨

sábado, 6 de junho de 2009

Peça

Tenho procurado em outros lábios o modo como os seus lábios calavam os meus. Tenho procurado apenas, e às vezes observado de longe outros lábios que se beijam. Há dias em que me contento com a busca, e dizem ser interminável. Eu busco o silêncio e a cor que tinham os fins de tarde, que agora nem pássaros mais tem. Gosto de imaginar a minha janela cheia de árvores que balançam alegres e fazem flores a cada dia. Tem dias que nem nuvens cinzas eu vejo na janela, apenas mais um dia indo para onde vão os fins. Quando me chamam de triste, eu lembro que você não gostava da minha alegria exagerada e fico aliviada que você sabia tão pouco de mim. Em cada lugar que eu vou, espero para ver se você não chega. É triste mesmo ver a vida assim passando tão à toa, me sinto uma peça que não se encaixa em quebra-cabeça nenhum.



quinta-feira, 4 de junho de 2009

Cemitério

Sabe, eu resolvi escrever para você, porque hoje eu passei na frente de um cemitério, e ele me fez pensar que nunca é a hora certa de partir.

¨

domingo, 31 de maio de 2009

Olhos que não fecham

Quero dormir, mas me faltam olhos para fechar. Os olhos que tenho não fecham mais e eu não durmo. Terei de conversar com corujas e vagalumes, e quem sabe aprender a viver à noite. Meus olhos não fecham, mas não posso dizer que eu vejo tudo. Se um dia eu fechar os olhos novamente, será que volto a enxergar?



¨

terça-feira, 26 de maio de 2009

Deus,

Aqui embaixo todo mundo procura pelo Senhor o tempo todo. O chamam de milhares de nomes, o vêem em milhares de imagens. Dizem que o senhor olha feio quando as pessoas fazem coisas esquisitas e que o senhor escolhe quem vai ficar aí em cima com o senhor: não é todo mundo. É verdade mesmo? Não acredito em tudo que dizem, mas uma coisa ou outra eu até suspeito. Sabe Deus, todo mundo aqui embaixo precisa do senhor, embora muita gente não assuma. O senhor vai mesmo descer daí um dia e abraçar toda essa gente? É muita gente, meu Deus! Eu até que tenho sido boazinha, cometo apenas um ou dois pecados por dia. Será que o senhor vai me escolher pra ficar aí em cima também? Não que eu tenha medo lá de baixo, claro que não, mas ouvi dizer que por aí tem marshmellow para todo mundo e uns garotinhos de cabelos encaracolados tocando harpa. Mas harpa, meu Deus? Por que harpa? Acho que prefiro violão. Deus, será que vossa santidade poderia descer um pouquinho antes e me dar só um abracinho? Eu prometo que não contarei para ninguém, e quando eu o reencontrar aí em cima, eu finjo que nunca o vi antes. O que o senhor acha? Talvez seja só o seu abraço que possa salvar a minha vida...
¨

O pior fica com você

Eu perdôo todo o mal que você me fez.
Mas e você, se perdoa?
¨

quinta-feira, 21 de maio de 2009

É, talvez a vida não seja mesmo um conto de fadas, mas eu vou garantir o meu final feliz.
¨

A minha garantia

Será preciso muita força do mal para derrubar todo o bem que eu construi, muita. Foi muita brincadeira de rua, muito amor de mãe, muita proteção de irmã mais velha, muitos livros do Pequeno Príncipe e do Pequeno Nicolau. Foram muitos anos de alegria para essa tristeza sua me penetrar. Pode me fazer chorar, pode me empurrar da escada, pode me desejar o mal, mas você não vai conseguir me transformar. Eu saio daqui, você vence. Mas sua vitória será temporária, porque para as pessoas do bem a vida é um conto de fadas, e contos de fadas sempre têm finais felizes.

As coisas que não são tão simples

Elas não são tão simples,
porque a gente não as olha com olhos de criança.
¨

terça-feira, 19 de maio de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

E agora, José?

Agora limpe o que restou da festa. Talvez alguns copos jogados no chão, talvez uma ressaca das fortes, talvez muitas dívidas, muitas dúvidas, pouco sossego. Talvez não reste ninguém para ajudar a limpar, talvez reste um sorriso amarelo. Talvez, talvez, talvez, José. Mas veja José, veja quantos retratos bonitos você tem para guardar na lembrança. Não deixe de ver os retratos, José, porque é isso que restou afinal.
¨

quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sirenes dos meus ouvidos




Peço então que todas as sirenes dos meus ouvidos se aquietem, por favor. Quero ouvir apenas os grilos e as cigarras. Talvez eu não saiba mesmo a dimensão do que está por vir, e isso me dá um enorme prazer. Já fui chamada de sonsa. Talvez sonsa, talvez distraída, talvez indiferente ao que não posso mudar. Eu não alcanço o que está por vir, e isso explica a minha grande preferência por grilos à sirenes.

¨

domingo, 10 de maio de 2009

Na outra vida

Não é que a madrugada me faça companhia. Isso parece coisa de louco. É que eu gosto de silêncio às vezes, esse vazio. Todo mundo faz muito barulho. Mesmo as teclas do teclado que batem agora. É fácil fazer barulho. Difícil é calar-se e só observar. Difícil é reconhecer a solidão da noite, do escuro, e acolher-se nesse preto todo. Todo mundo dormindo e em silêncio. Sonhando com outras vidas. Eles tem razão, sabe, eu deveria dormir também. As outras vidas que eu teria se fechasse os olhos seriam muito mais coloridas e cheias de vida do que esta. Ainda mais agora, nesse escuro sem fim. Vou dormir, estou até ficando com medo. Quero viver minha outra vida. Nela as pessoas são muito mais reais do que nessa. As pessoas da outra vida me abraçam com mais vontade e quando não querem que eu fique, elas me deixam ficar. Quem vai embora são elas.
¨
É pedir demais querer ver-te hoje? E amanhã, e depois, e depois e o dia depois disso?
¨

¨

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pausa para o poeta

Às vezes um poeta se cala. Às vezes tanta coisa acontece na vida dele, que ele não consegue mais enxergar as coisas com seus olhos de poesia, e não consegue mais escrever. Ele fica surdo para o barulho das nuvens se movendo no céu e fica cego para as cores que um abraço exala. Isso passa, claro que passa. Logo o poeta volta a entender o que os passarinhos dizem (porque só um poeta consegue entender), logo ele volta a colher poesia nas flores, logo ele volta a amar. Mas às vezes até o amor pede uma pausa para o poeta.
¨

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ensaio sobre o grito

Quando a gente grita, todo mundo pensa que estamos loucos. Todo mundo pensa que o silêncio é muito mais lúcido do que o grito. Pensam que o grito é um estágio alto do desespero. Pode ser, não sei. Aquela vez quando eu gritei, ninguém me chamou de louca ou me deu um calmante. Acho que viram a alegria do meu olhar. Quando a gente grita porque está feliz, ninguém nos chama de loucos. Ou então é a única loucura que todo mundo respeita.
¨

terça-feira, 5 de maio de 2009

sorte de quem ama

Estou gravando um cd para levar. Enquanto ele não fica pronto, eu vou juntando minhas outras coisas: o santinho que minha mãe me deu, o amuleto da minha irmã, o beijo do meu melhor amigo e a minha paz. Eu vou levar tudo isso e o que for preciso para que eu me sinta forte. Eu acho que a gente fica mesmo mais forte só porque uma pessoa nos deu um abraço e uma coisinha, e disse que aquilo trará sorte.



¨

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Resposta um pouco tarde

Eu lembro que uma vez você me perguntou se eu achava que um mês era pouco tempo para se apaixonar por alguém, lembra disso? A resposta me faltou aquele dia, mas te eu respondo por aqui (se você um dia ler):

Experimente passar um dia com uma pessoa encantadora. Um dia só. Eu duvido que até a lua chegar no meio do céu, você já não vai estar apaixonado por essa pessoa. Quando alguém é encantador, a gente se apaixona. Às vezes pode demorar meses, mas às vezes em um dia nossos olhos estão inevitavelmente mais brilhantes.

Eu sei, foi assim com você...
¨

domingo, 3 de maio de 2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Não peça

Sendo assim,
O amor para sempre,
Eu não posso ficar -
Porque tenho fim.
O amor é permanente,
E eu sou temporária.
¨

domingo, 26 de abril de 2009

Aos poucos me despeço


Há uma pequena parte de mim que quer ficar. Ela grita um gritinho suave, dentro de mim, pedindo que eu fique. Essa parte de mim quer rir quando o assunto é sério, e às vezes quer chorar no meio do trânsito. Essa parte de mim não pode ver um gramado, que já quer sair correndo. Ela tem medo de tudo e quase sempre quer fugir. Ela se sente perdida, tem saudades de tanta coisa antiga e tem sede de coisas que não são de beber. Essa parte de mim um dia já foi o meu todo, agora é apenas uma pequena parte de mim. É a parte que eu estou deixando de ter aos poucos, que está perdendo espaço para uma coisa maior. Uma coisa que as pessoas costumam chamar de maturidade. ¨
¨

terça-feira, 21 de abril de 2009

Desabafo de um segundo, tão rapidinho que já me arrependi de ter escrito

Minha mãe está dormindo no quarto da frente, não sei como, porque ouço os roncos altos de meu pai daqui. Minha irmã está está lendo com uma luz bem fraquinha, na sala de TV. Minha outra irmã acabou de me mandar uma mensagem: está super feliz em uma festa. Minha melhor amiga saiu da minha casa há poucos minutos, para voltar para a sua. Meus amigos, cada um de um lugar, hoje se comunicaram comigo de milhares de jeitos, inclusive por olhar. Falei ao telefone uma porção de vezes, mandei e recebi e-mails, abracei e fui abraçada. Falei "bom dia" e recebi sorrisos. Nada além de tempo me faltou. Mas hoje, especialmente hoje, eu me senti a pessoa mais solitária da face da terra.
¨

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O calar-se de depois

Às vezes tudo que devemos fazer é dizer a frase que desejamos e então nos calar. Ir embora depois. Porque o que vem depois dessas frases são coisas sugadas de nós, que ainda não estavam prontas para serem expelidas. E tudo que nos é sugado, assim prematuramente, pode doer nos ouvidos de quem sugou. Não queremos dor. Ela costuma bater no vidro e voltar de onde veio.




sexta-feira, 17 de abril de 2009

Things that only a poet would know

Some questions are never meant to be aswered.
Some people are never meant to be forgotten.
And stars, they are meant to be reached.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O passado é sempre engraçado

Enquanto eu não dou risada disso tudo, sofro em agonia. Enquanto não dou risada, crio rugas, bem pequeninas, que me fazem mais velha. Rôo minhas unhas que estavam grandes há tanto tempo. E sofro bem quietinha. Mas eu espero, ansiosamente, pelo dia que eu vou olhar para trás e achar tudo isso uma tremenda tolice.

E eu vou dar muitas gargalhadas, afinal, essa é a parte boa disso tudo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Olhar de quem olha

Adoro olhar para as pessoas. Mas olhar mesmo. Quando passa uma menina linda com um vestido todo florido eu paro a frase no meio e fico admirando-a assim, sem pudor nenhum. Algumas pessoas se incomodam, mas pouco me importa. Eu gosto mesmo é de olhar. Reparo também em crianças que começam a dançar no meio da rua, que conversam com o sorvete, que correm atrás de coisas coloridas que vêem no chão. [Eu também às vezes corro atrás de coisas coloridas que vejo. Às vezes descubro coisas lindas, às vezes me iludo.] Nunca deixo de olhar as pessoas. As pessoas e os seus olhares, os seus trejeitos, os seus jeitos de se vestir ou de caminhar. Essas coisas todas revelam muito. Às vezes muito mais do que as palavras que saem de suas bocas desesperadas. Uma vez eu disse a uma pessoa que falava demais: "Se você fosse mudo, você seria a pessoa mais doce que eu conheço." Eu gosto de olhar cada traço do rosto de alguém. Cada ruga, poro, cada detalhe. Gosto de tentar decorar os traços, embora seja uma tarefa quase impossível, levando em conta que não se pode acompanhar o que o tempo faz com nossos traços, mesmo quando se fica anos e anos casado. O tempo muda os nossos traços. O tempo puxa um pouco aqui, faz algumas manchas ali, muda tudo de maneira incontrolável. E é por isso que eu gosto tanto de olhar, eu sinto que se eu deixar escapar um pouquinho, talvez eu já não reconheça mais quem eu tanto conheço.
¨

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Mas

Tenho fome,
mas empurro o prato.
Quero sair correndo,
mas me sento no sofá.
Tenho medo,
mas estufo o peito.
E vou, vou, vôo.
¨

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Insônia

Amanhã só pode ser chamado de amanhã se eu dormir? Se eu não dormir nunca mais, minha vida passará a ser um eterno hoje?
¨

domingo, 5 de abril de 2009

Dedico

Aos peixes que morreram para que eu pudesse comê-los. Às formigas que pisei enquanto corria apressada. Às dores de cabeça que senti durante a ressaca. Aos apertos no meu coração que vieram no dia seguinte. Às unhas que roí até o meu dedo sangrar. Aos segredos que guardei tanto que se tornaram rugas. À tudo aquilo que desperdicei por não querer mais. Aos trabalhos em grupo que só participou o meu nome no papel. Às festas que me convidaram e eu não fui. Às cadeiras que ficaram vazias porque eu não sentei. Às lágrimas que escorreram em meu nome. Aos nãos que doeram em alguém. Às laranjas que espremi mas não tomei. Aos gritos que eu não ouvi, aos gritos que eu dei, aos gritos que não dei também.

A minha dor lhes é suficiente?




¨

O cérebro do meu coração

Eu perdi o meu tempo tentando te entender. E você perdeu tempo tentando me explicar. Mas no fundo nenhum de nós dois perdeu tempo algum.

Eu gostaria de entrar nos seus pensamentos e me comunicar com eles.

Tenho vontade de acelerar o tempo bem mais do que voltá-lo, porque as coisas que eu fiz, eu fiz por algum motivo, mas eu queria dar uma espiadinha do que vem depois.

Em um minuto eu sinto o meu peito lotado, em outro ele já está vazio.

Eu teria milhares de peixinhos coloridos no meu quarto, se eu não tivesse que limpar o aquário, porque às vezes eu sinto uma necessidade extrema de observar peixes.

Gostaria que o meu choro servisse para resolver as coisas uma vez ou outra.

domingo, 29 de março de 2009

A tal da reciprocidade

Às vezes ela vem sob um olhar retribuído. Às vezes vem em um bilhetinho deixado na mesa. Às vezes escondida nas entrelinhas das frases ou em um abraço prolongado. Mas tem vezes que a reciprocidade não vem. Ou então pode até ser que ela venha escondida em um passarinho feito de papel. Mas às vezes esse passarinho precisa voar, ele só não sabe como fazer.
¨
Quando o mundo inteiro me diz que é errado, eu continuo. Quando eu penso que é errado, eu páro.
¨

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ainda bem que Galileu estava certo


Eu sei que posso estar sendo louca e imprudente, e estou mesmo de fato. Mas eu fico com aquela velha história na cabeça, de que Galileu Galilei foi considerado louco e imprudente quando defendeu o heliocentrismo, e eu sigo em frente. Porque afinal, o resto do mundo estava errado. O Sol está sim bem no centro do sistema solar. Loucos e imprudentes são aqueles que não defendem o que acham que devem defender.

¨

terça-feira, 24 de março de 2009

You are not as strong as you show

I am not sad, I just can see more than you.
I see more than you show me, more than you show people.
I see your weakness.

And I like you even more because of that.
¨

segunda-feira, 23 de março de 2009

domingo, 22 de março de 2009

A qualquer momento

Tenho um certo medo das coisas que não fiz. Elas estão entaladas dentro de mim, prontas para serem expelidas sob a forma de mil arrependimentos.
¨

Você, que não é perfeito

Ficou com um ou dois cds meus. Disse que eu tinha tido muitos amores e assim não dava. Disse que eu saía demais e você era calmo demais. Me enganou direitinho com aqueles olhares. Fugiu, depois voltou e aí fugiu de vez. Não disse adeus. Cortou demais o cabelo e ficou feio. Criticou-me dos pés a cabeça. Cantava alto demais no carro. Perguntava demais e odiava as respostas. Buscou todos os meus segredos na internet, e errou: eles não estão na internet. Estraçalhou todos os meus vidros, aqueles que protegiam a minha casa. Você, que não é nada perfeito, não vá a procura de perfeição: ela não existe.
¨

segunda-feira, 16 de março de 2009

Solidão

"A solidão, na verdade, eu acho que ela não passa de uma sobreposição de todas as suas camadas num único momento. Todas as suas camadas, todas as suas vontades, todas as suas verdades, elas se encaixam num único espaço de tempo. E ali você realmente enxerga que desde que você nasceu você é solitário."

http://www.youtube.com/watch?v=OOp0QFAnTS4
¨

domingo, 15 de março de 2009

Dente-de-leão


Um dia eu assoprei um dente-de-leão, aquela flor que realiza desejos, e coloquei uma das sementes num vidrinho. Fiz isso porque eu queria guardar uma das sementes daquele desejo e entregar ao desejado (que era o meu garotinho). Ele não entendeu nada. Olhou para aquele vidrinho tão sagrado para mim e fez cara de interrogação. Sorriu e colocou no bolso. Ele nunca entenderia a beleza daquela sementinha que eu guardei para ele. Nunca. Porque tem gente que entende e tem gente que não. O desejo que eu fiz com aquele sopro era simples, uma pequena bobagem. Eu pedi que ele não desistisse de mim nunca. Quando ele me deixou, eu não parei de acreditar que dentes-de-leão realizam desejos, e nem desisti de assoprá-los quando os vejo. Porque aquela flor me fez um favor enorme não realizando aquele desejo: eu jamais poderia amar alguém que não entende um vidrinho com uma semente de dente-de-leão dentro.
¨

sábado, 14 de março de 2009

Sorriso

Quando me lembro que o seu sorriso já sorriu só para mim eu me alegro. Por alguns poucos segundos. Porque o seu sorriso já está longe e eu nem mesmo sei se ele mudou de curva.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Enough.

Eu espero, tão conformada com a vida, que ela me traga alguma coisa extraordinária. Nada menos. Já me bastam as coisas ordinárias do dia-a-dia. Já me bastam os muitos 'nãos' e os poucos 'sims' que eu recebo. Já me bastam as mentirinhas diárias e as pequenas gargalhadas. Já me bastam. Quero algo extraordinário. Eu quero olhar para alguém como o meu pai olha para minha mãe. Mas eu quero alguém que me olhe de volta. Já me bastam as desistências covardes que me surgiram. Mas talvez o segredo seja outro, talvez o segredo seja não esperar.
¨

quarta-feira, 11 de março de 2009

chuva

Enquanto chove no bairro, na cidade, no Estado, em todo o país e em alguns outros lugares do mundo, há um barquinho bem no meio de algum rio, tentando se equilibrar.
¨

segunda-feira, 9 de março de 2009

Para Oscarlina

Cara,
¨
A gente não se conhece, eu sei. Mas eu resolvi escrevê-la para dizer que você é uma das maiores poetas que eu já conheci. Eu, na verdade, só conheço um trabalho seu, mas acho que já é suficiente para admirá-la. Escrevo para você, porque eu queria saber um pouco mais sobre seus pensamentos, sua inspiração. Deve ter levado tempo para conseguir lapidar esse pequeno diamante, não foi? Como eu também gosto de escrever às vezes, será que você me ensinaria uma coisinha ou outra? A parte que eu mais gosto da sua poesia é a pureza. Também gosto da paz que ela transmite. Gosto de todas as estrofes, todas. É, minha cara, eu estou falando do seu filho, ele é a poesia mais linda que alguém já escreveu.
¨

sábado, 7 de março de 2009

Átomos

A física sempre soube explicar por que dois átomos não conseguem ocupar o mesmo lugar no espaço.



Mas ela nunca soube explicar quando eles conseguem.

¨¨

Quando eu te vejo

Acordo com vontade de não acordar. Não há sol lá fora (e nem aqui dentro). Meu celular está cheio de promessas que não vingarão, porque eu não quero. Estou cheia de expectativas, porque é assim que eu vivo. Fico meio sem saber por onde começar. Então você me liga:
-Vamos tomar um sorvete? Olhar as ruas e as pessoas? Quero te contar sobre os meus sonhos de sempre.

Então nós vamos. O papo é o de sempre, o sorvete é o mesmo sabor de sempre e não há nada de novo. Mas de repente a gente começa as risadas, também de sempre, e eu começo a ficar com vontade não só de acordar, mas de não ir dormir nunca mais. De repente você me mostra o quanto eu sou divertida, o quanto eu importo no mundo e para você. De repente, você nem sabe disso, mas você salva a minha vida. E é assim todos os dias que eu te vejo.


Obrigada, Croki.
¨

sexta-feira, 6 de março de 2009

O perdão é assim

-Me perdoa? -Perguntou a menininha.
-Perdôo. -Ele respondeu.

E o joelho do menininho continuou com treze pontos.

¨

quinta-feira, 5 de março de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ceneri

Quando você foi embora, você foi cremado.
As suas cinzas em uma jarra de ouro.
E em cada carta não respondida,
em cada mensagem não lida,
em cada silêncio e desprezo,
um pouco das cinzas eram jogadas ao vento.
Algumas vozes me ajudaram a atirar todo o resto das cinzas naquela forte ventania.
Eu relutei, mas acabei atirando tudo, tudo.
Já que não se pode ressucitar pessoas que viram cinzas.
Então não sobrou nem um pouquinho.
Eu sei que as fotos que tirei com meus olhos não foram com o vento e as cinzas,
eu sei que um grilo falante ao avesso me trará pedaços de você uma vez ou outra.
Mas isso já faz parte de mim, e eu sigo conformada.
A história ficou, mas as cinzas estão agora em um vento que segue norte.
Longe de mim.
¨

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

I've decided to say goodbye for good. So this is it. Goodbye.

Formigas e diamantes


Meu pai tinha razão aquela vez, quando a formiga me picou. Ele disse: "Não chore, filhinha. Suas lágrimas são preciosas, como diamantes. Se você chorar por essa formiguinha, depois não vão sobrar lágrimas para coisas importantes."

É, ele estava certo. As lágrimas são mesmo como diamantes e vão se esgotando. Ontem eu chorava tanto que hoje eu já quase não tenho mais lágrimas. Eu ainda não descobri se chorava por uma formiguinha ou alguma coisa importante. Isso meu pai não me ensinou a identificar, mas algo me diz que é a vida que mostra as formigas e às vezes nos traz alguns diamantes.
¨

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Don't disappear

É uma rua tranquila até, e eu quase sempre passo distraída por lá. Ou melhor, passava. Até eu conhecer esse vendedor de chicletes, cujo nome eu não sei, que fala inglês. Deve ter uns quarenta e poucos anos, todos os dias veste um terno cinza bem surrado e óculos escuros. Ele chega na janela do seu carro e começa a falar com um inglês bem razoável se você quer comprar os chicletes dele, que são ótimos, que você parece uma atriz de hollywood e mais um monte de abobrinhas. O cara é ótimo. Mesmo que você esteja horrorosa e deprimida ele te anima e ainda faz você comprar aquele chiclete com gosto de isopor. Eu sempre compro. Isso já faz um tempo e eu até criei certa amizade com ele, tendo em conta que o farol dali é bastante demorado. Fiquei um tempo sem aparecer naquela rua, e ele notou. Quando eu finalmente reapareci e começamos o nosso papo, o farol logo abriu e a única coisa que ele gritou para mim, num tom meio desesperado foi:

-Please, don't disappear!

Eu achei graça a princípio. Para um americano isso não faria muito sentido, porque o que ele quis dizer faz mais sentido em português. Depois comecei a pensar, e meu amigo do farol tem toda razão. É isso mesmo que as pessoas fazem: elas desaparecem.
.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uma hora

Enquanto o dia ganhava uma hora, um gato comia ração. Uma folha seca caía de uma árvore velha e uma mãe gritava com um filho. O ponteiro de todos os relógios ficou parado, porque estava na hora de acabar com o horário de verão. Até o ponteiro do relógio daquela professora malvada ficou parado. Bem feito: ela esperava o marido chegar. A noite que já era longa, ficou mais longa, e a música não parou de tocar, porque ainda tinha uma hora de festa. Um avião que passava ali por cima avisou os passageiros: "Voltem uma hora nos seus relógios!" E todos os passageiros sorriram: "Ganhamos uma hora!". Enquanto os bombeiros não apagavam nenhum fogo que não acontecia naquela hora, eu, distraída, deixei a hora passar. Os ratos imundos entravam nos esgotos, as bolas de basquete pingavam no chão, as nuvens formavam suas chuvas, as barrigas de mães grávidas cresciam mais uns milímetros. E eu poderia ficar feliz que ganhei mais uma hora para o meu dia. Eu poderia sorrir ou celebrar, como todos faziam. Poderia tomar uma taça de champagne e me alegrar. Mas eu não, eu não me alegrei.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Os 50% do amor

Você falou milhares de frases desconexas e um pouco incompreensíveis.
E todas elas renderiam um post. Mas eu escolhi essa.

"As pessoas não tem culpa se você gosta delas. O sentimento é seu. A culpa é sua. A responsabilidade é sua."

Não concordo, garotinho. 50% para cada.

50% culpa de quem gosta, 50% culpa de quem é gostado. Porque ninguém gosta de alguém porque escolheu aquela pessoa, essas coisas a gente não escolhe. E ao mesmo tempo, há uma fração de segundo em que se é possível escolher: se encantar ou fechar a porta.

Os medrosos fecham a porta e põe a culpa no outro. Os aventureiros se jogam com tanta força que às vezes chegam até a quebrar alguns membros do corpo. Às vezes até um órgão vital. O coração, por exemplo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Obrigada

Andava aflita para lá e para cá, com mil coisas para fazer. Estava estressada, minha cabeça voava em mil coisas. Tinha que ir para o andar de cima do prédio, então peguei o elevador. Assim que entrei no elevador, dei de cara com ele: o limpador de espelhos. Era um senhor bem velhinho que limpava o espelho do elevador com uma calma, uma paz tão grande. Esqueci de todos os meus problemas, esqueci para onde estava indo e por que eu estava ali. Fiquei observando a calma daquele ser. Ele passava o rodinho, tirava o sabão, depois repassava, até o espelho ficar brilhante. E como ficou brilhante! Aquele senhor devia ter muita experiência, pois tinha feito um excelente trabalho. E melhor ainda: me emprestou um pouco de sua paz.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Água doce

Se eu fosse um peixinho de água doce,
E eu te desse um beijinho,
Me diga: Ele seria docinho?
¨

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ô tempo, seu safado! Quer tratar de curar o meu coração tonto? Ô tempo, seu malvado! Achei que você curava tudo, eu ouvi dizer. Era mentira? Quer tratar de passar logo por mim, para que esse vazio se torne uma bobagem de novo?
¨

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pode ir, meu príncipe.


Pode ir, meu príncipe. Pode pegar o seu cavalo branco e ir pela floresta! Você é o meu príncipe e eu vou sonhar com você todas as noites, mas pode ir... Eu gosto tanto do seu sorriso que dói. Vai doer tanto ver você indo embora, meu príncipe. Vai doer porque eu queria construir um castelo tão lindo para a gente morar! Com janelinhas para a gente ver a lua e as estrelas. Vai doer porque eu fiz um montão de poesias lindas para você, e eu ia deixá-las nas suas coisas, para você ir achando ao longo da vida. Mas pode ir. Eu quero tanto que você seja feliz, porque você é um príncipe tão lindo! Eu quero ver o seu sorriso em capa de jornal, em fotos de viagens, em competições que você ganhar. Que você ganhe todas! Você me fez tão bem, príncipe meu. Tão bem! Eu chorei bastante já, mas foram lágrimas boas! Eu chorei porque tudo foi tão lindo... Eu pisava no seu pé para não ser picada pelas formigas. Eu gostava de usar as suas blusas no frio. Gostava do seu beijinho com biquinho de guaxinim. Gostava de todas as suas manias: de falar "entendeu?", de ser curioso, da sua distração. Nossa, a sua distração! Como eu gostava de vê-lo viajando tão longe... Você é um príncipe lindo, aprendi a ser mais bonita, porque você me ensinou. Eu nunca não vou gostar de você, pode ir pelo bosque. Pode ir sim! Vai ser feliz, príncipe, muito feliz! Eu vou ficar aqui, e eu vou ser uma princesa boazinha, não vou chorar mais, tá bom?

Um dia você vai se orgulhar de mim, meu príncipe. Eu prometo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Eu li em um livro e lembrei de você

“Você sabe o que acontece quando a gente magoa as pessoas?” Ammu perguntou. “Quando você magoa as pessoas, elas começam a amar você menos. É isso que acontece quando se fala sem pensar. As pessoas amam você menos”. Uma mariposa fria com tufos de pêlos dorsais excepcionalmente densos pousou suavemente no coração de Rahel. No ponto em que as patas geladas a tocaram, ela se arrepiou. Seis arrepios em seu coração descuidado. Sua Ammu a amava menos.

(O Deus das Pequenas Coisas - Arudathi Roy)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Vá achar a tua menina

Talvez você encontre a menina que nunca disse eu te amo, a menina que não gosta de sair, que não escreve sobre você e nem ninguém. Tua menina deve estar em algum lugar, aquela que não te chama de nomes de bichos (porque você diz que não gosta) a menina que não come muito, que não bebe nunca, que não liga nem um pouco porque você paga todas as contas. Vá procurar em outro lugar a menina que não dá risada mesmo quando você está a mandando embora. Onde será que está a sua menina? A menina que só gosta de tocar piano e esperar acabar o seu treino. A menina que se apega a você tão rápido, mas que não desapega rápido de jeito nenhum, ela não pode ter essa doença. Você não deve perder tempo, mesmo no meio dessa sua confusão, vá achar a tua menina. Essa menina deve ser mesmo linda, eu até quero conhecer a menina que merece ouvir o seu eu te amo.

Espero

Que o fim seja breve, para que eu logo possa voltar a respirar alegremente.
¨

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O meu primeiro amor

Eu tinha um ursinho de pelúcia que era um porco. Eu devia ter uns 9, 10 anos. Ele vestia um suspensório e uma camisa social. Era pequeno, o porquinho. Eu dormia abraçada nele, acordava e o levava para onde eu fosse. Ele me dava paz, me protegia. Uma vez fui com a minha família para uma dessas viagens, devia ser a Disney, e eu levei meu companheiro porquinho. Ele não tinha nome, porque eu nunca precisava chamá-lo: ele não me abandonava. Fomos juntos em todos os brinquedos do parque, e na hora de voltar para São Paulo, eu o esqueci no banheiro do aeroporto. Ele me abandonou. Senti falta de tê-lo dado um nome, porque eu não pude chamá-lo. Me desesperei tanto, que pensei que minha vida não tinha mais sentido. Eu não queria voltar para casa, porque eu esperava que ele fosse voltar para mim. Mas ele não voltou. Ele nunca foi encontrado (ou se foi, foi por outra garotinha) e eu tive que voltar. Demorei muito tempo para superar a perda do porquinho de suspensório. Meu pai me deu outros bichos para tentar amenizar, tipo um tatuzinho cinza que usava lenço vermelho, mas nada substituiu o meu porquinho. Domingo eu faço aniversário. Completo 22 anos. E eu queria que o meu porquinho estivesse aqui para comemorar o meu aniversário comigo.
¨

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Você me deixou

Estou acostumada com respostas doces, porque você sempre me dava uma resposta doce. Talvez eu não tenha o deixado nada. Nem mais forte, nem mais sábio, mais esperto ou mais alegre. Talvez eu tenha o deixado mais cauteloso, ou talvez um pouco mais triste. Não sei qual mensagem ou qual papel eu tive na sua vida, mas eu sei que eu estou acostumada com respostas doces. Uma das coisas que você me deixou foi isso: Eu só aceito respostas doces, se não for doce eu não quero. Você me deixou mais doce.
¨

Para G.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Se

Se eu fosse um pouco menos do que sou, eu seria pouco demais? Ainda assim eu caberia nos seus pensamentos?

¨

sábado, 17 de janeiro de 2009

Post-it na pele

Estávamos falando sobre tatuagens. Fiquei com vontade de fazer uma também. Uma que dissesse alguma coisa para mim, que todos os dias eu lesse uma mensagem no meu corpo, como um lembrete. Um post-it na pele. Talvez uma poesia, por que não?

Mas foi quando eu estava no meu carro, ouvindo uma das minhas músicas preferidas, que eu descobri o que vou tatuar.

Agora eu só preciso pensar como é que vou tatuar a minha música preferida na pele, porque ela é feita só de som. Enquanto eu penso, vou ficar sem tatuagem mesmo, eu não quero um lembrete que não me lembre de nada.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A interminável lista de coisas que eu queria saber


  1. Queria saber se Deus concorda que à noite os homens durmam, e de manhã os homens trabalhem. Se ele fez a noite ser escura só para que ninguém enxergasse nada e fosse dormir, ou se ele quis que os homens fizessem um esforço e vivessem a noite, mas ninguém o obedeceu.
  2. Queria saber se é verdade que todo mundo tem um dom. O dom de cantar, de contar, de correr, de nadar, de ser líder (como Gandhi) ou de transmitir paz (como Dalai Lama). Se for verdade mesmo, eu gostaria de saber qual o meu dom.
  3. Queria saber quem é Graça e se ela trabalha mesmo com os filhos. Porque todos os dias eu passo perto de um restaurante chique de São Paulo e vejo um monte de cestas, dessas de feira, com muitas frutas frescas e um rótulo escrito: "Graça & Filhos". A Graça é quem recolhe as frutas e os filhos a ajudam a colocá-las nas cestas e vendê-las?
  4. Queria saber se você, às vezes, pensa em mim.

Minha lista é interminável e eu não me atrevo a terminá-la.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Feliz ano novo

-Que nada! Eu penso. O único ano novo que existe é dentro da gente, e este ainda nem começou a se formar dentro de mim.
¨

domingo, 11 de janeiro de 2009

Enquanto espero que você venha [ou que a vida passe]

Penteio o meu cabelo. Escuto música. Enjoo da música. Passeio pelas novas fotos. Decoro os novos rostos. Escuto os pernilongos passearem pelo meu quarto. Olho o relógio (de novo). Apaixono. Desapaixono. Leio algumas páginas do meu novo livro. Fico sem entender as notícias que não acompanho. Sinto a terra girando. Pergunto a Deus se ele existe mesmo. Ele me ignora. Pergunto ao meu pai se ele está em casa. Ele grita lá do quarto que sim. (E nele eu posso acreditar). Resolvo mudar de nome. Alice. Penso na morte. (A vida é muito tola por aqui). Escrevo livros na minha cabeça. Apago algumas frases. Meu coração dispára. Não, não era o seu perfume. Meu coração demora, mas volta ao ritmo normal. Vou a procura de um motivo. Não encontro. Volto a me chamar Clara. Fecho os olhos e durmo. Amanhã é um outro dia, e a vida passou mais um pouquinho.
¨

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Intocável

Às vezes eu desgosto tanto dos meus pensamentos, mas tanto. Nem o alto volume do rádio consegue abafá-los. Nem o desvio do meu olhar, nem outros pensamentos que tento pensar emcima daqueles. O que eu faço com esses pensamentos, se eles estão dentro de mim e tudo que é de dentro é intocável?

Tudo que é de dentro é intocável?
¨

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Esse meu sentimento de você

Eu sei que mal dá para me ver. Sei que já não é possível mais tocar nem em meus pés. Eu sei que não dei adeus a ninguém e que, de repente, subi. Sei, sei, eu sei que devia ter tocado uma última vez a minha valsinha e contado uma última piada, mas não deu. Eu tive que subir. Uma hora eu cansei de tantas mãos acenando adeus e outras cumprimentando. Eu cansei de tentar decorar olhos que eu não veria nunca mais. Eu cansei de tudo isso e encontrei um só olhar que não vai dizer adeus. Esse olhar agora só vai olhar para mim, e eu trouxe ele para cá comigo.

Sabe, já estava na hora de eu conhecer as nuvens.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Disfarce do tempo

Às vezes o tempo parece que está de gracinha com a gente: ele brinca de não passar.

Tudo bem que na grande maioria das vezes ele passa depressa demais, mas às vezes ele para e deixa a gente com cara de relógio. Desses relógios bem antigos que rangem para virar os minutos.

O tempo é um tremendo de um sacana. Ele é todo sabichão e sempre faz tudo na hora certa, mas ele se esconde em momentos errados. Confude todo mundo de propósito.

A gente sempre espera que o tempo conserte tudo, como se ele fosse um santo milagroso. E é por isso mesmo que ele é um sacana: ele é um santo milagroso disfarçado de malandro.
¨

domingo, 4 de janeiro de 2009

Heartless

Sempre que eu viajo no reveillon eu volto com um coração a menos. Quero saber quantos corações ainda me restam.
¨

minha memória questionável

 Se eu esqueço é discutível minha memória questionável  quantas histórias  cabem em você? se eu te escuto repetir aquela da sua avó  que per...