sábado, 8 de novembro de 2008

Um poeta sem alma

Manuel Bandeira recomendou-me, em um de seus poemas libertinários, que largasse a minha alma, se eu quisesse sentir a felicidade de amar. "Porque os corpos se entendem, mas as almas não". Sim, eu largarei minha alma. Deixarei-a vagando por aí, infeliz, solitária, perdida.

Largarei-a para que ela se encontre em um nirvana profundo do paraíso das almas. Largarei-a em uma esquina, sem nenhum radar. Deixarei-a em paz, na paz que as almas encontram quando encontram a si mesmas.

Eu deixarei minha alma passear pelo mundo, pelos cantos, pelas casas e pontes, para que eu encontre a felicidade de amar.

Mas peço a ela, a alma que é, que não me abandone. Que vagueie por muito tempo, que se incomunique com outras almas, que se encontre em espelhos do mundo. Mas que volte para o meu corpo. Porque há muito tempo ele já sente a falta desta alma.

3 comentários:

Vâmvú disse...

"Porque há muito tempo ele já sente a falta desta alma."
Lindo isso...
Lindo texto. Precisamos mesmo deixar nossas almas vagarem por ai um pouco...
Bjs

Vivian disse...

Eu juro: pensei mt nesse texto do Bandeira nessa semana e até mandei pra uma amiga. Aaah, essa nossa sintonia! =)
Amiga querida... pelo menos, na minha opinião, corpo e alma são indissociáveis. Não se preocupe em "perceber" se sua alma está aí... Acho q corpo e alma formam um só organismo q busca PAZ.
Procuramos por uma estabilidade psíquica, física, psicológica e, quando a alcançamos, não precisaremos mais de um corpo, nem d uma alma porque seremos só energia.
Saudades d mais d vc...

Léo disse...

Discordo em parte de Bandeira, os corpos se entendem sim quando o assunto é paixão, desejo, mas amar, amar mesmo é além do corpo, do objeto, é uma sintonia superior de identidades, é além do querer do nosso corpo, é coisa muito maior, é coisa de alma.

Essa pelo menos é a minha verdade.

Beijoooo

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