sábado, 9 de agosto de 2008

Aquela noite

Naquela noite, não sei quantas pipas ficaram presas em fios elétricos. Não sei quantos cães morderam seus donos, não sei quantos amantes tiveram que se separar. Eu sei que a lua estava cheia. Eu sei que você me olhava com admiração e eu te olhava com desejo. Não sei quantos frascos de perfume quebraram exalando cheiros por toda parte. Eu não sei se haviam aviões caindo em algum lugar do mundo. Mas eu sei que a primeira piada que eu te contei foi a do cavalo, e eu sei que foi a primeira vez que você fingiu achar graça de alguma coisa minha. Eu não sei de tanta coisa, que não caberia nem mesmo naquele seu enorme tênis de handball. Mas eu sei de algumas, que cabem aqui neste poema. Sei que ali começava alguma coisa que pode acabar amanhã, mas será eterna. Que os seus olhinhos continuam pequeninos, mas agora você tem cara de homem. Que o seu cheiro mudou muito, mas é o mesmo daquela noite. Que o sabor daquele pirulito era para ser morango, mas acabou virando o gosto da sua boca. As coisas que eu não sei, vou passar o resto da minha vida sem saber. Mas as coisas que eu sei, nem em uma vida inteira eu esqueceria.

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Censura

Se escrevo essa poesia agora é porque ainda ninguém me parou ela só está neste pedaço de papel porque ninguém o encontrou e picotou. Se...