Uma vez a gente viajou de carro para uma cidade vizinha. Minha mãe achou a coisa mais romântica do mundo. A gente perdeu o voo e eu quase desisti da viagem, mas ele sugeriu o carrinho vermelho. Eu estava indecisa com relação a quase tudo. Quase tudo estava me reprimindo. Mas eu fui, a viagem era longa e podia ser bom pra nós dois. Eu adoro ficar no carro olhando a janela, a paisagem indo embora. Eu adoro que nessas viagens o silêncio é permitido. Eu fui ficando mais calma, a viagem foi mais demorada do que o previsto. A gente ria, nos sentíamos aventureiros naquele carrinho. A polícia nos parou, foi o máximo. Quando chegamos lá, eu já nem lembrava da minha indecisão. Ele foi engraçado, se esforçou pra caramba sem nem precisar se esforçar. Eu lembro da risada maliciosa dele na volta da festa. E choveu no dia seguinte, ficamos presos um ao outro. A volta foi de avião. Rápida, rápida demais. Senti falta do carrinho vermelho. Sem que ele visse eu chorei um pouquinho. Aquela viagem pareceu um sonho bom.
sábado, 15 de junho de 2013
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Um comentário:
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