terça-feira, 30 de maio de 2017

Oito e dez

A gente combinou de se encontrar as oito horas da noite na piscina do prédio. Às sete da manhã eu acordei pra ir para a escola, mas passei tanto tempo na cama imaginando como seria o nosso encontro que cheguei atrasada nas duas primeiras aulas. Na aula de matemática a professora disse que estava espantada com o meu silêncio, eu era sempre tão bagunceira e falante. Eu disse que não era nada, só estava com uns problemas com a minha irmã, mas fiquei extremamente irritada que ela atrapalhou a minha imaginação. Queria mais era ficar quietinha imaginando o cheiro dos cabelos do Lucas, o beijo que ele iria me dar. Na aula de artes eu fui motivo de piada porque me distraí demais e no lugar de flores eu desenhei corações no vaso. Não conseguia prestar atenção em nada, nem quando tocou o sinal da saída. Fiquei plantada sozinha na sala de aula, a professora teve que me arrancar. À tarde fiquei deitada no meu quarto só esperando as horas passarem. Quando deu dez pras oito eu fui pra piscina me encontrar com ele. Meu coração saindo pela boca. Ele já estava lá, lindo, com um moletom de gorrinho e uma calça caindo com a cueca à mostra. Tive que disfarçar a minha empolgação e fiquei fazendo piada atrás de piada. Ele ria de tudo, também devia estar nervoso. De repente, algo aconteceu. Eu deixei o meu celular cair no chão e, quando me abaixei para pegá-lo, um grilo preto pousou no queixo do Lucas. Ele nem sentiu, nem percebeu e continuou falando qualquer coisa sobre a escola. Eu não consegui mais olhar pra ele, uma aflição tomou conta de mim. Falei: "tchau Lu, preciso ir" e saí correndo. Toda a minha paixão passou e eu nunca mais vi o Lucas na vida.

Um comentário:

Anônimo disse...

doce passado...

Lixo

As pessoas acham poesia uma coisa tão babaca sem propósito lixo Eu faço poesia na minha cabeça enquanto observo as pessoas Enfio a mã...