quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Anti-poema

Desaprendi a escrever,
a querer
a todos os verbos com er.
Desaprendi a sentir vontade,
saudade 
e todas as palavras com ade.
Eu não sei mais rimar, amar
e tudo que acaba com o ar.
Não tenho mais delicadeza
nem doçura, nem meiguice.
Eu sou uma triste enrustida,
eu sou uma fraude.
Eu não sou o que deixei de ser faz tempo.
Restou sabe o quê? Adivinha. 
Nada, claro, nada restou de mim.

2 comentários:

Jéssica Monalisa disse...

Vazio existencial né? tão normal e tão chato...

Anônimo disse...

Restou voce e sua força redescoberta.

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